Música nova

   Um dos muitos sonhos (não realizados) que já tive era tocar numa banda famosa. O mais perto disso que cheguei aconteceu em 2002, quando tive uma. Porém, longe de ser famosa. Daquele grupo de adolescentes que pagavam R$ 10,00 por uma hora de estúdio apertado com técnico maconheiro, apenas um seguiu no caminho da música. Felizmente, meu melhor amigo do grupo.
   Hoje a sua atual banda, a Área Restrita, está fazendo um relativo sucesso em nível estadual e, aos poucos, nacional. Legal! Não discuto o som que fazem, mas antes de tudo, torço para que o Mendez torne-se um rockstar para daqui a alguns anos eu possa olhar e dizer: “Tá vendo aquele ali colocando milhares pra pular? Cansou de carregar o contrabaixo que eu tocava”.
   Enfim, piadinhas à parte, mas não é da Área Restrita e nem do Mendez que eu quero escrever… Apenas aproveitei o gancho para falar do caminho que eles percorreram até chegar ao seu relativo sucesso em nível estadual e, aos poucos, nacional: a internet.

   Para se ter noção, caro(a) leitor, passam das 3h30 da manhã e estou na frente do computador, porque acabei de voltar do show do Móveis Coloniais de Acaju. Eles, assim como O Teatro Mágico – e mais outras centenas –, fazem parte de uma nova e interessante geração de bandas.
   Essas, que ao invés de levar seu trabalho às rádios, o disponibilizou para download. Aí, algum amigo ouviu e gostou, então indicou para um conhecido, que por sua vez mandou o link para um outro lá, que enviou o arquivo por MSN a outro contato e assim seguiu. Quando vê, até eu que não tinha nada a ver comprei ingresso e vi o show.
   Não vou nem perder tempo discutindo o poder de transmissão da web, só ressaltar o quanto pode dar certo. Certo? Mas o que seria esse certo? Retorno financeiro ou fãs ensandecidos a milhares de quilômetros de casa (e do computador do qual o arquivo foi colocado para download)?
   O questionamento me ocorreu enquanto os centenas de fãs do Móveis subiam e desciam pulando na minha frente a cada nova música executada minutos antes de eu escrever esse texto. Praticamente a mesma cena – quase uma coreografia – que assisti meses atrás no show d’O Teatro Mágico. Fosse eu esperar por uma rádio porto-alegrense tocá-los, não os conheceria.
   As duas apresentações foram daquelas que a gente só consegue descrever perfeitamente usando alguns palavrões somados a pontos de exclamações. Algo assim: “Puta que pariu!!! Que show do ca-ra-lho!!!!”.
   E, aposto, que esse foi o mesmo pensamento dos fã-clubes paulistas e paranaenses da Área Restrita, a banda do Mendez, que é meu vizinho e já disponibilizou músicas para download a poucos metros da minha casa e, a partir daí, a coisa foi indo, indo de tal forma que até o Faustão já conheceu eles.
   Ok! Fantástico ter fãs – e shows lotados – em lugares diferentes que se toca. No entanto, não os vejo (pelo menos o Mendez) como músicos ricos e famosos. E sabemos que dinheiro e fama são, de maneira geral, medidores de sucesso do pessoal que vive da música.

E aí?

   Com isso, adoraria um músico pra me responder agora: o que é melhor: fãs fiéis em diversos lugares proporcionado pela propagação da internet ou dinheiro oriundo de festivais e promoções de rádios do circuito comercial?
   Além disso, tenho uma segunda pergunta disfarçada na primeira. Tu – músico – o que preferes: a música amplamente difundida na internet, sem quase nenhum retorno financeiro – pelo menos de imediato – ou ela em algum CD protegida por direito autoral e, assim, mais “rentável” ao bolso – porém nem tão conhecida?
   Pra não dizerem que furtei minha opinião, sou amplamente a favor da propagação musical e do download livre. Coincidentemente, a mesma opinião do pessoal d’O Teatro Mágico e do Móveis. “Baixem que é de graça, Pirateiem à vontade” são frases corriqueiras nas apresentações deles.
   Sim! De certa forma é injusto com quem pega no pesado, logo os músicos. Contudo, acredito eu, seja esse o novo caminho. Não existe mais música “protegida” e inacessível. Mais cedo ou mais tarde ela será jogada na rede pelo maior fã da banda, porque ele quer que seus ídolos sejam cada vez mais conhecidos.
   O fã, antes de dar dinheiro, quer dar visibilidade a sua banda favorita e vê na internet a ferramenta mais perfeita para tal.

Último aparte (Ufa!)

   O Teatro Mágico e Móveis Coloniais do Acaju, especialmente o primeiro, não são grupos os quais se possa definir o som com um único estilo, rock, MPB, samba etc. São uma mescla de gêneros – tal qual a internet é? – que me deixa particularmente satisfeito. Agradam muitos públicos, como um dia já foram os populares de ontem.

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7 pensamentos sobre “Música nova

  1. Cara, realmente a coisa funciona dessa forma. É engraçado ler o que tu pensa em relação aos meios de divulgação na internet. Diversas vezes me peguei em meio a problematização dos meios de comunicação e por vezes fui levado a pensar na web como saída para levar o trabalho ao conhecimento de outras pessoas. Não fomos os pioneiros no trabalho pela internet, longe disso, contudo, fomos aqueles que acreditaram quando alguns covardes já diziam que as coisas iriram mudar e a internet não lançaria mais nenhuma banda…a velha desculpa daquele que tem preguiça ou medo de trabalhar. Verdade seja dita, com ou sem internet, nada substitui o trabalho árduo, aquele friozinho na barriga por estar apostando o futuro no incerto, ou mesmo aquelas noites intermináveis onde deitamos a cabeça no travesseiro com vários problemas e acordamos no outro dia com algumas pequenas soluções, mas tudo em benefício do bendito “trabalho”. É muito bom receber o reconhecimento dessa trajetório em busca do sonho através de um amigo tão querido e tão próximo, obrigado pelas palavras!! Um grande abrass, Rafa. =D

  2. Super interessante esse teu post. Muito bom mesmo. E mais, nunca vou esquecer que quem me apresentou pro Teatro Mágico foi tu, e desde então, tem mais de 20 músicas deles só no meu celular!

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