Quando as máquintas têm que parar

   “Caralho!!! São Paulo está TODA sem luz. Derruba a capa agora e vê o que aconteceu, por que tá assim? O Rio também tá?! Puta que pariu, arranja foto de uma vez! O ministro vai falar na TV daqui a cinco minutos, atenção. Itaipu tá funcionando? E furnas? Olha ali, tem um cara de uma tal de ONS falando – que porra é essa??? Presta atenção, presta atenção. E começa a escrever de uma vez que já é quase 11 da noite!
   Parem as máquinas!!!”

   E mais ou menos nesse clima que foi meu final de expediente de terça-feira, 10 de novembro, o dia do apagão no Brasil. Pra quem não sabe, “Parem as máquinas”, é um famoso jargão jornalístico. Uma cena na qual todos, ou quase todos, os jornalistas gostariam de presenciar.
   Explico para o leitor leigo. Imagine mais ou menos assim: jornal já rodando, imprimindo milhares de exemplares por segundo, mas daí chega uma notícia bombástica de última hora. O editor/repórter desce até a impressão e grita o tal famoso jargão. Para tudo em nome da notícia. Em nome da informação.
   É claro! Isso não acontece todo dia – nem todo mês e às vezes nem todo ano. Quase nunca. Fez parte de uma era romântica da profissão, lá por meados do século passado. Quando as notícias eram redigidas no cleck-cleck da máquina de escrever e internet como é hoje não tinha nem nas naves intergalácticas dos seriados americanos da época.
   O episódio do blecaute foi o primeiro grande evento desses na minha ainda curta carreira. Quando a notícia que a luz se apagou nas dusa maiores cidades do Brasil chegou à redação do Correio do Povo, onde trabalho, o jornal impresso do dia seguinte já estava pronto e, provavelmente, alguns já sendo impressos.
   Na minha área, a internet, era apenas mais uma noite tranquila. Era! A velocidade do meio transformou a calmaria em furacão em questão de minutos. Com a sombra da concorrência, cada instante tornou-se importante. Até nós – e boa parte dos colegas – entender o que houve, já havia se passado quase uma hora.
   Nesse tempo, muitas matérias foram publicadas e ligações, feitas. Atingiu o Rio Grande do Sul? Aonde? E o aeroporto, teve voo atrasado? Foram cinco, sete, nove ou dez estados atingidos, afinal? Mesmo com o intensificar da cobertura, surgiam – e até agora ainda surgem – mais perguntas do que respostas.
   Os conhecimentos de quatro anos em que estudei para ter o meu diploma (que hoje dizem que não vale nada) foram basicamente todos resumidos em poucas horas. Não fosse por eles certamente o trabalho ficaria comprometido. Ainda que tenha sido uma verdadeira aula de jornalismo, requereu bastante embasamento.
   No fim das contas, acho que conseguimos fazer uma boa cobertura – que se estendeu por mais horas após o fim do expediente daquela noite. Fiquem à vontade pra conferir, clicando aqui.

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4 pensamentos sobre “Quando as máquintas têm que parar

  1. Minha primeira pergunta seria onde você trabalha, mas muito certamente tu disse. Ainda faltam três semestre pra mim concluir a faculdade de jornalimo, mas espero anciosa o momento de viver noite/ dias como os dessa semana.

  2. O mais bacana de trabalhar em veículo é viver experiências assim. O meu momento de “parem as máquinas” na Record foi no dia do cárcere privado do presidente da Corsan, no centro de Porto Alegre. Soubemos do fato por volta das 17 hrs e o jornal entrava às 19 e pouco. Mandaram equipes voando para o local. Até que, diante da repercussão da história, decidiram fazer o programa ao vivo de lá, no formato um apresentador no estúdio e outro no centro.

    A história está em http://nandaetges.wordpress.com/2009/03/10/votos-renovados/

    Dias assim são para ficar na memória. São daqueles de contar para os filhos… “viu, a mamãe tava lá e foi assim, assim e assado!”

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