Experimente!

   Eu me apaixono de três a cinco vezes ao dia, todos os dias. E recomendo. Experimente, caro(a) leitor. Tu verás como é bom viver eternos instantes de uma paixão platônica com aquela pessoa que cruzou contigo em meio à correria de um centro no final da tarde. Ou então com aquele ser de olhos lindos que, como tu, aguardava atendimento na fila do banco.
   É bom, rejuvenesce. Não querendo ser clichê, mas – garanto – faz bem à alma e ao coração. Vá lá, experimente!
   Amar sem querer, assim à primeira vista, prova que estamos vivos. E mesmo essas paixonites diárias dão-nos satisfação. Ainda que se encerrem no momento em que a pessoa dobra a esquina, ficaremos deslumbrados e, por que não, agradecidos. Desses amores diários, guardamos apenas boas recordações, e os melhores segundos do dia. Nada de mágoas ou tristezas.
   Bem pelo contrário são os amores que se arrastam por meses e anos a fio. Caso não resolvidos, viram efeitos colaterais, doem. Transformam-se em ressaca do domingo ensolarado – resquício daquilo que, num dia anterior, foi bom. Fardos do coração, não agregam muito mais que sofrimento, além de alimentar uma incômoda e insistente esperança de que na semana seguinte será diferente.
   Ok, claro, basta o outro par concordar que tudo pode melhorar. E – agora sim –, com o perdão do clichê: sem dúvida que a vida se tornará maravilhosa.
   Cá entre nós, caro(a) leitor, desejo-lhe um amor eterno, desses aí, pra sempre, que te faça ter vontade de sair assobiando pelas ruas. Quero que faças sexo selvagem e depois receba rosas vermelhas.
   Mas, antes disso, reforço o pedido lá de cima: apaixone-se mais vezes ao dia. Aproveite a palhinha que o amor pode lhe oferecer e não tenha pudor se for com a vizinha, a cobradora, a atendente, a diagramadora ou a que pegou ônibus junto contigo hoje. Experimente!

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10 pensamentos sobre “Experimente!

  1. é…enquanto o tal eterno não vem… (se é que um dia virá), realmente não há nada melhor que o que escreveste. Nada como olhar, sorrir, se apaixonar, sentir… mesmo, sim, que tudo acabe quando se dobra a esquina.
    belo tema =)

  2. gosto tanto de apaixonar que esqueço de desapaixonar, e sagitariana – já viu – amo tudo/todos/todas (quase sempre) que vejo pela frente. 🙂

    danou-se.

  3. Um dia, esquece-se de desamar e, pimba!, (pimba é uma expressão tão engraçada e, ahn, exata) a paixão dobra esquinas e se torna uma cidade inteira.

    E todas as outras repousam amorfas na sarjeta da memória.

    gostei do texto 🙂

  4. e quanto mais a gente tenta fugir do amor, mas ele nos persegue! seja nas ruas, nos ônibus ou na multidão. seja amor. seja sempre!

  5. Texto legal Ganso! O negócio e vira obreiro e assoviar pras “porpeta” na rua então? ihiuahahiiahiahiaiuhauihi Pois é! Mas antes de sair relinchando que nem um lokão, se apaixonando por várias diariamente, veja se não tem um armário 2×2 do lado! Apaixonar-se é legal, mas olho roxo nem tanto! No tempo que eu fazia isso, eu achava legal chamar elas de: PERIGOSA! ahiahauuihaiuahiuahuiahaiu Hoje vivo o mesmo amor diariamente e sou feliz!!!

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