Hora do conto 2 – Canalha!

canalha!   Ok, ok, tu, caro(a) leitor, não precisa nem passar os olhos no texto abaixo para se convencer de que deve ler “Canalha!”, do Fabrício Carpinejar. Acredito que já tenhas ouvido falar um pouco desse cara e, além disso, o livro acabou de ganhar o prêmio jabuti. Mas vamos lá, caso ainda estejas em dúvida, espero convencê-lo.
   O mês era julho e eu estava a fim de comprar um livro. Mas qual? Tragos a mais em uma noite numa famosa casa noturna porto-alegrense e um sonoro “canalha” seguido de beijo fizeram-me decidir. Coincidentemente, ainda comprei-o no dia do orgasmo. Sim, a história começou bem.
   Talvez como tu, já tinha ouvido falar bastante em Carpinejar, porém ainda não tinha lido nada dele. Na época, sequer havia conhecido seu blog e nem imaginava que poderia segui-lo no Twitter. Ele é um autor moderno. Multimídia, sem a menor dúvida.
   Estava curioso. “Será que esse cara é realmente bom?”, questionava-me. Pois mal abri o livro – antes mesmo das crônicas – e tive a resposta: sim, ele é ótimo. Ao invés de prefácio, “Canalha!” tem dois diálogos que preparam o leitor para o que vem a seguir. O primeiro – e melhor, na minha opinião – é assim:

“– Desejo passar o resto da minha vida com você.
– Não, uma vida com você nunca será resto.”

   Pronto! Já nessa primeira página, o autor já arranca um sorriso e prova que, além de ser ótimo cronista e poeta, é também grande frasista (confere no Twitter). Mas não só frases soltas, frases encaixadas dentro dos textos – o que é raro. “Canalha!”, com isso, credencia-se para ser passatempo de uma tarde só, de tão delicioso e rápido que é.
   Entretanto, no decorrer das páginas, Fabrício Carpinejar mostra-se menos canalha do que como a mídia normalmente o apresenta. Quem aguarda um José Mayer faminto encontra um Richard Gere com rosa na mão. No fundo, ele é romântico – ou um canalha arrependido, como numa das (melhores) crônicas.
   Ao longo dos 127 textos, encontramo-nos em várias situações. Não raro levamos a mão à testa imaginando que aquela nossa história escondida num passado poderia ser diferente se o livro fosse publicado antes. Ou que agimos de outra maneira e foi melhor. Ou bem pior. E, assim, a obra interage.
   “Canalha!” explora o íntimo, conta a conversa a qual tivemos apenas com nosso melhor amigo. Para escrever, Carpinejar transformou-nos em cases. Descobriu nossos segredos e os publicou em livro vencedor de prêmio nacional. Tudo isso com várias sacadas geniais. Não se trata de auto-ajuda, mas tem a solução para muitos dos problemas que enfrentamos a dois.

Canalha!
Autor: CARPINEJAR, FABRICIO
Editora: BERTRAND BRASIL
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA – CONTOS E CRÔNICAS

fonte: Livraria Cultura

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3 pensamentos sobre “Hora do conto 2 – Canalha!

  1. o carpinejar escreve o que eu sinto e não consigo expressar. quase que minha alma gêmea! quero o livro!!!!

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