Quando se erra

   Traiu – e agora já é tarde. Deixou-se levar por nesgas de prazer – pedaços de tentação em forma de um corpo moreno com pouco mais que metro e 60. Enganou-se. Terá agora, constrangedoramente, de mentir àquela que se ama de verdade e que o acompanha nas horas boas e ruins. Verá chifres sobre os cabelos dela.
   Como um adolescente, permitiu-se goles a mais, de forma a ser seduzido por alguém que não passa de uma qualquer. Aventureira de vida vã, em meio a casa dos 20, sem nada a perder. Vazia. Arriscou seu único porto seguro por pouco. Para logo depois arrepender-se. Para querer ir embora sem nem mesmo fumar um cigarro.
   Traiu – e agora será refém. Seu e da outra. Depois da última noite, viverá nas sombras da mentira. Com o medo de que a verdadeira o abandone ao descobrir onde realmente esteve depois do jogo. Temerá ser chutado por ela, enquanto a sua consciência, cada vez mais pesada, nunca o fará.
   Mas o pior de tudo é que a outra estará na porta ao lado. E lhe dará o bom dia mais cínico do mundo todas as manhãs que encontrá-lo.

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