A questão separatista

Lembrei desse texto esses dias e resolvi reproduzi-lo aqui. É a última reportagem que fiz para a faculdade. Foi para uma revista que abordou apenas assuntos relativos – bons e ruins – ao Rio Grande do Sul. Pra não ficar longa, dividirei em duas partes…

***

Imagine um país cujas fronteiras sejam o Rio Mampituba ao norte, Uruguai ao sul, Argentina a oeste e Oceano Atlântico a leste. Um país chamado Rio Grande do Sul. Impossível, utopia? Não para os integrantes do Movimento Pró República Rio-Grandense. 
 
   Transformar o Rio Grande do Sul em uma nação independente do Brasil é o grande objetivo do Movimento Pró República Rio-Grandense (MRR), fundado em agosto de 2007, em Porto Alegre. No entanto, o caminho até a independência gaúcha é longo e precisa ser construído em cima de dois pilares fundamentais: conscientização da população e um plebiscito propondo o tema.
   A organização teve origem em discussões na internet. Após, começaram as reuniões no “mundo real”, que acontecem periodicamente na Sala 10 do Mercado Público da Capital. Atualmente, conta com 250 integrantes – divididos entre ativistas e associados. Além deles, ainda há os simpatizantes, que segundo a direção do movimento, “são milhares”.
   “Acreditamos que cada nação deve constituir seu próprio Estado. O Brasil é uma grande anomalia de povos. É só comparar…” afirma o motorista de ônibus, Romualdo Negreiros, 54 anos, que exerce a função de diretor de comunicação do MRR. Ele é um dos fundadores do grupo. A idéia é simples: “O que queremos é mostrar oportunidades para o Rio Grande”.
   A motivação de Romualdo e de seus companheiros é a decadência do Estado nos últimos tempos. O movimento entende que, no Brasil, o conceito de federação falhou e há uma concentração de poder em Brasília, o que é prejudicial para o RS. Além disso, a alta carga tributária compromete o desenvolvimento gaúcho. Eles acreditam que o centralismo do poder em Brasília não é boa para o Rio Grande do Sul.
   “O Rio Grande já foi uma grande potência por volta da primeira metade do século passado. Hoje trabalhamos quase meio ano apenas para pagar impostos”, revolta-se. Romualdo lista, com certa nostalgia, as façanhas gaúchas de décadas atrás: via férrea, duas gravadoras de música… “tínhamos, nós – o Estado – a segunda maior produção de arroz do mundo”.
   Mas não é fácil criar um país novo. “Há diversos fatores que inibem as pessoas de pensar em separar do Brasil. Elas nasceram, cresceram e foram educadas como brasileiros. Mexer nessa base não é simples”, revela Romualdo. Contudo, para ele, uma série de tendências pode estar alterando esse quadro.
   Nos últimos anos, constatou-se no Estado que o 20 de setembro – dia da proclamação da República Farroupilha – é mais festejado que o 7 de setembro – aniversário da independência brasileira. “Pode reparar, há muitas crianças vestidas de gaúcho nessa época. Pode ser uma tendência”, acredita o dirigente.
   Outras manifestações também chamam a atenção. No último dia 6 de outubro, o programa Altas Horas, da Rede Globo, foi gravado no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. Em meio ao evento, o apresentador Serginho Groissman brincou com a platéia, dizendo que era bom gravar ali, pois “ouviu falar que o Rio Grande do Sul queria se separar do Brasil”. Em tom jocoso, perguntou se era verdade. Ouviu um estrondoso “sim”, seguido de gritos de “Ah, eu sou gaúcho!”. “O MRR nada tem a ver com isso”, garante Romualdo.

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Um pensamento sobre “A questão separatista

  1. Sonhar com algo melhor sempre é bom. Ou, se não for, pelo menos rende boas reportagens.
    Fala sério: Quando eu estudava no RS e voltava pra casa(SC) atravessava o Rio Uruguai ao norte(do RS). Viraram o mapa de ponta cabeça? Vou buscar um mapa logo ali pra ver que novo país seria esse. 🙂

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