Osvaldinho, parte 4

   Para tristeza de Adriana, em uníssono, duas colegas responderam: Nada!
   Naquele dia nenhum trabalho andava. Uma peça que deveria ser entregue no início da manhã, atrasou. Uma campanha que seria apresentada no início da tarde, não ganhava corpo. Fotos deixaram de ser tratadas, gravações de jingles foram desmarcadas. “Vamos ligar”, ofertou uma das colegas. Sim, está na hora, “vamos ligar”. Ligaram! Nada, só chamou. Teria sido sequestrado? Sequestro relâmpago está muito na moda. Estaria ele num porta-malas, rodando pela cidade. Teria sido agredido? Quisera que os bandidos o deixassem com vida num morro qualquer desses que circundam a cidade.
   Ligar para a polícia, isso, deveriam fazer isso. Afinal era um amigo, um colega, um galanteador, um centro-avante, um homem em franca recuperação que poderia estar em apuros. Não. O que diriam para a polícia? Reclamariam do atraso de 58 minutos de um publicitário ao seu trabalho em plena segunda-feira? A polícia, por Deus, deve ter mais coisas a fazer do que cuidar do cartão ponto do Osvaldinho. Ligar para a casa dele… Isso, era a solução! Não, claro que não. Se ele morava sozinho e não estava em casa, logo, ninguém atenderia. E o tempo ainda estava virando, ficando para chuva, úmido, pesado, cerração da braba. E minha chapinha, pensou Adriana. Desespero.
   O único alheio e desligadão disso tudo era Seu Jorge, da manutenção predial. Chegou com sua escadinha em punho querendo saber qual lâmpada deveria ser trocada. “A que está apagada, né Seu Jorge.” Respondeu de forma ríspida Adriana, a sedutora sem vítima. Passava das 11h, quando seu Jorge terminou o serviço e pediu a Adriana o favor de abrir a porta para que ele passasse com sua escada e maleta de ferramentas. Num suspiro entediado ela levanta e vai ajudar o pobre homem.
   Ao caminhar para abrir a porta uma nesga de ilusão irrompe o peito, e que peito, de Adriana. Imaginava acionar a fechadura e encontrar do outro lado seu alvo, ele, Osvaldinho. Suas mãos suaram, sua boca secou, o coração acelerou-se. O sorriso voltou aos lábios, e que lábios, e com ele as sensuais covinhas apareceram. Ah, aquelas covinhas que tanto perturbaram, que foram alvo de desejo e muita falácia de Osvaldinho, agora estavam ali, a sua mercê. Desde que, é claro, ele estivesse do outro lado da porta. O que não aconteceu.
   O horário do almoço se aproximava, alguns já começavam a suspender suas atividades, juntar papéis, fechar softwares e, por isso mesmo, a atenção se desprende. De forma superficial e temporária, é verdade, mas por um segundo todos parecem distraídos com suas coisas, algo que ainda não havia ocorrido naquele turno de trabalho. Nisso, um ruído quebra de novo a desatenção. O barulho da maçaneta, seguido do ruído das dobradiças estabelecem imediato silêncio. Tal qual magia, a porta atrai o olhar de absolutamente todos os colegas para ela, e vai se abrindo lentamente…

Nesta sexta (29), o Osvaldinho finalmente chega à agência para protagonizar a última parte desta saga, fica de olho!

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