Pelas bandas de Brasília

   5h57, 30 de abril. Em uma fila e um tanto quanto sonolento, observo – sem sucesso – as pessoas na esperança de encontrar algum personagem interessante que chame atenção para me manter acordado nos minutos seguintes. Não, não estava na fila de um bar semi-embriagado, estava no aeroporto, no check-in, tendo como destino a capital do meu País.
   Aliás, aeroportos, ou pelo menos o de Porto Alegre, costumam ser confundidos com passarelas, devido à beleza de suas transeuntes. Porém, na manhã desta quinta-feira, a menina que mais atraia olhares alheios não era, exatamente, bonita. Apenas contava com um cintilante cabelo cor-de-rosa sobre sua cabeça. Onde foi que essa mãe errou?
   Aviso: ausência de cafeína reduz meu humor ao nível do sarcástico.

O medo
   O dia ainda é noite neste horário. A temperatura no Salgado Filho, no início da alvorada, nem chega a ser fria, mas segui com meu casaco. Não por recomendação da mamãe e sim porque, juro, a última coisa que pretendo pegar nesses aeroportos por esses dias é uma gripe. No trajeto a ser vencido, estavam programadas duas escalas, quatro aeroportos e centenas de pessoas circulando pelo mesmo ar fechado e pressurizado da aeronave.

Protesto particular
   Confesso que a combinação das últimas notícias oriundas de Brasília com o horário que encerrei meu expediente na véspera (1h) somado a hora do voo (7h) tornaram perfeitamente plausível a ideia de chegar na capital num estado etílico-deplorável. Como cidadão, senti que tinha este direito.
   Entretanto, como cantara Cazuza: “Eu também cheiro mal”. Do aeroporto, iria direto ao Superior Tribunal Federal, onde meu pai entraria em reunião. A rebeldia, então, foi substituída por uma bela camisa social. Embora – verdade seja escrita – só abandonei o propósito às 3h10 de quinta.

Os cariocas
   O voo fez duas escalas antes de pousar no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek: Curitiba e Rio de Janeiro. O interessante disso, é analisar – e comparar – pessoas de diferentes lugares. No Galeão, onde quase 90% dos passageiros foram substituídos, saíram os frios paranaenses para dar lugar aos fanfarrões, estilosos e seminus cariocas. Um deles, exibido, folheava seu O Globo. Pra responder, escancarei meu exemplar do Correio do Povo. Oigalete!

Putz!
   Webjet, precinho camarada e tal. Beleza. O atendimento não chega a ser uma Brastemp, mas quebra o galho. A única gafe, por parte da empresa, que me decepcionou foi ver a bandeira do Brasil costurada de cabeça para baixo no uniforme de uma das aeromoças. Justo no dia que pisaria pela primeira vez no Planalto Central…

Brasília, véspera de feriado
   Com o sol a pino, desembarquei. Sem almoçar, toquei para o STF. Coincidentemente, dia da votação sobre a revogação da Lei de Imprensa. Isso interessa. Eu, jornalista, bloco na mão, caneta pronta (sem falar na camisa social bonita), entrei na fila para do Supremo. De forma simpática, uma moça perguntou: “O senhor veio assistir a sessão?” Horas antes, responderia que estava apenas curtindo uma fila. “Infelizmente, para entrar, é necessário traje social completo”. Merda! Uma ponta de arrependimento por não encher a cara na noite anterior bateu.
   Bola pra frente! Há outros dois poderes na mesma praça do STF, próxima parada: Congresso Nacional. Seria interessante conhecer onde são elaboradas as leis que regem a nação. Atravesso o Salão Verde da Câmara dos Deputados para conhecer o tal local. 14h: “O Plenário está fechado, porque ainda não começou a sessão, daqui a pouco abre”. O Senado? Idem. Amanhã? Feriado internacional. Saí do prédio e sequer dignei sola de sapato em direção ao Palácio do Planalto – por acaso fechado, para reformas.
   De saco cheio, encerrei a parte turística para arranjar água para minha boca seca e comida ao meu estômago. Tão vazio quanto o plenário do Legislativo Brasileiro.

A Justiça é cega, mas viu que eu estava sem terno

A Justiça é cega, mas viu que eu estava sem terno

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4 pensamentos sobre “Pelas bandas de Brasília

  1. Tu tinha que ter levado terno e gravata. Ta loco, os caras iam te confundir com algum deputado, senador…já baixava uma lei por lá! Mas a história está boa. Que mico da Webjet, já não gasto passagem com eles!

  2. É, o Brasil tá fechado para o almoço… (juro que essa frase parecia mais legal quando eu pensei nela).

  3. Ignorancia…..

    A justiça não é cega….

    Se fosse cega ela não teria os olhos vendados….

    falta cultura!

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