Tesouro em extinção

   O velho clichê diz – e todos sabem de cor e salteado – ‘uma imagem diz mais que mil palavras’. Talvez até nem seja verdade, mas uma boa fotografia pode render bem mais que um texto – disso não duvido. Adoro foto e gosto de perder bons minutos analisando-as.
   Por isso mesmo, acredito que a digitalização deste processo foi uma grande bênção para o mundo. Quanto maior a banalização – e a popularização – é de se capturar momentos, maior é a quantidade de material. Sinceramente acho isso tudo muito benéfico.
   Com a modernização dos equipamentos, a própria câmera não é mais, necessariamente, ‘apenas’ uma câmera. Sais de prata foram trocados por um punhado de pixels, filmes transformaram-se em cartões de memória e os velhos álbuns por picasa’s, flickr’s e afins.
   E é aí que a minha nerdice breca. Uma das maiores benesses da fotografia digital é a possibilidade de se conferir a imagem antes de revelá-la. Sim, re-ve-lá-la. Fiz todas as trocas do parágrafo acima, porém não troco o velho álbum de fotos e nem o porta-retratos por gigabyte nenhum. Apesar de ter um flickr. Somo, não substituo.
   Fotografias são pequenos túneis do tempo. Contam histórias, remetem a um momento especial. É maldade deixá-las à mercê de um vírus ou de qualquer bug cibernético. Elas são como tesouros. Devem ser guardadas com carinho – e segurança – para serem exibidas na hora certa.
   Pensando assim, elaborei mais um álbum nesta tarde. Especial, como todos os outros, com sorrisos capturados ao longo de 9 a 11 de janeiro – o fim-de-semana da minha formatura.  Carinhosamente, coloquei uma a uma em ordem cronológica, anestesiado por uma nostálgica e gostosa viagem àqueles dias.
   O álbum ficará na segunda gaveta da estante. Ao lado de tantos outros. Neles, posso me encontrar de diversas formas: bebê, criança, adolescente, adulto, careca, cabeludo, barbudo, barrigudo, magrinho, armado, fardado, apaixonado, sem camisa, de casaco, como filho, como neto, como tio, em Cuba, na Argentina, no Uruguai, em Porto Alegre.
   Enfim, tenho minha vida quase toda ali, na segunda gaveta da estante.
   É o meu tesouro. E o tesouro que posso ver, tocar, independentemente se tenho ou não energia elétrica e sem a mínima preocupação se o sinal wireless está ok.

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15 pensamentos sobre “Tesouro em extinção

  1. Meu pai não confia na manutenção por grnade periodo das fotos digitais. nao acredita que daqui a uns dez anos eu tenha essas fotos tiradas hoje… Acha o album de árvore morta ainda necessária… Eu não concordo, claro. Agora, imagina no porta retrato, a mostra, as fotos da tua formatura mudando, sem tu precisar fazer nada, só olhar… Acho bem melhor do que guardada em uma gaveta… Ok, não vai concordar… hehehehehe… To pacifico hoje… Abração…

    • Tem isso também, Thales.
      A não ser que o vivente seja muito chegado a um back up, as fotos digitais sempre acabam ficando pelo caminho… Há várias, de 2004, 2005, que eu gostaria de saber onde estão salvas. 10 anos é até exagero.
      Sobre o que tu escreveu, gosto de porta-retratos, mas não tenho muitos pela minha casa, até por falta de espaço e há anos penso em montar um mural decente, coisa que ainda não fiz. No entanto, tem um gostinho especial deixar as fotos guardadas. Fica como uma fuga da realidade, ali, se eu querer. Algo voluntário. Sei lá, coisa minha.
      Pacífico? Essa palavra acho que não existe no teu vocabulário. Tu és o maior do-contra que eu conheci.

  2. Poisé, tem razão. Tenho que revelar as da minha última viagem até porque meu pc anda meio esquizofrênico. Fiz até um backup esses dias…como te sentes formado???

  3. Muito bom! A vida na segunda gaveta da estante! Genial, gostei muito mesmo. Parabéns garoto! Álbum acho que é a história silenciosa da nossa vida.

  4. Tem coisa mais gostosa que pegar as fotos e passar de mão em mão? Dias de chuva são especiais pra isso.
    Eu só consegui ser uma fotógrafa razoável depois da digitaçlização e e dição. Antes era um perigo: ou deixava sem pernas ou degolava!
    Cada técnica acrescenta. Na minha casa, na infância, meu pai guardava os negativos da fotografias que fez, em vidro. Consegue imaginar isso? Pena não terem guardado. Acho que minha paixão por fotografia nasceu asim, pela curiosidade.
    Sou viciada em fotos. Sorte que aqui basta ligar a câmera e ir clicando, que a paisagem ajuda, já que a técnica é a de tirar centenas e aproveitar umas 4.
    Abraços e bom fim de semana.

  5. “Fotografias são pequenos túneis do tempo.”
    Adorei a frase.
    As minhas memórias estão em Venâncio. Toda vez penso que tenho que trazer para Porto Alegre minha caixa de fotos. Assim, guardo tudo aqui, pertinho das mãos ansiosas por recordações.

  6. Isso mesmo, fotos digitais são maravilhosas, pela abundância que nos proporcionam, mas não se deve substituir, eu também SOMO a possibilidade de divulgá-las, mas não há como pegar um álbum de foto no papel e ficar olhando.

  7. Tiaguito!!! Vamos comigo amanhã!!!

    2ª edição do Festipoa Literária acontece de 22 a 25 de abril em Porto Alegre

    19h30 “Conto – a arte da brevessência”. Olavo Amaral, Monique Revillion, José Antonio Silva e Carol Teixeira (mediação)

    VAMO VAMO VAMO!!! Tu é meu único amigo que gosta de literatura e contos!!!

  8. Tu me lembra de um filme em que dois soldados entram para o exército na promessa de saquear e roubar tesouros, mas, no final, voltam para a terra natal com uma mala cheia de fotografias ou cartões postais. A memória foi o maior tesouro que eles conseguiram trazer para casa.

    A fotografia é um troféu, uma vitória, a reprodução de um momento que vale a pena ser capturado e guardado. Seja jogado na instante, seja na pasta C:/meus documentos, o que vale são as memórias que elas te despertam. (mas se tiver digital, sugiro um um backup).

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