A segunda chance do meu natal

     O tempo passou. Já não mais acredito em Papai Noel, tampouco faço plantões na árvore de natal à espera do meu presente. A criança fez isso hoje usa barba e está prestes a receber um título de bacharel em jornalismo. De natalino, nem o espírito ficou. Apenas a nostalgia daquelas noites felizes.
     Aliás, confesso que nos últimos anos me desiludi completamente com o natal. Nem árvore, nem luzinha, nem enfeite ou qualquer outro artigo que remetesse ao 25 de dezembro houve na minha casa. A data, para mim, tornou-se apenas a antevéspera do meu aniversário.
     Até as festas da família foram se acabando. Na sala onde antes se reuniram dezenas de parentes, sequer dez compareceram na última edição. Mesmo as festas cheias não via com bons olhos. Achava uma hipocrisia passar o ano inteiro brigando por nada para se abraçar no natal. Já as vazias, considerava um triunfo do descaso familiar.
     Entretanto, como disse, o tempo passou. E me dei conta disso ao perceber que meu olho brilhou ao ver a árvore de natal da casa da minha avó cheia de presentes esperando serem abertos. Expectativa. A criança ansiosa, então, voltou de algum lugar distante querendo futricar ali.
     Repensei, inclusive, a minha birra diante da hipocrisia das festas lotadas. Não faria igual hoje. Que briguemos 364 dias no ano. Mas que tenhamos a chance de nos abraçar e dizer ao primo chato que, apesar de ele ser um chato – e de ele provavelmente me considerar um –, a gente se ama. Sangue do mesmo sangue, aquela coisa.
     Agora, nessa nova perspectiva, vou tentar (vi)ver o natal de verdade. Aquele, esquecido por trás dos papais noéis, luzinhas e pinheirinhos coloridos, onde um abraço, um beijo e um afeto valem mais – bem mais – que pacotes embrulhados. E que ficam registrado na nossa memória como noites felizes.

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7 pensamentos sobre “A segunda chance do meu natal

  1. tive sentimentos parecidos com os teus no natal
    as coisas mudaram tanto
    achei que era a minha família que estava em pé de guerra
    ngm sentou para papear com o papai noel
    apenas um rápido pai nosso, meia dúzia de presentes e tchau
    depois todos encheram a pança e foram dormir
    saudades de quando natal era uma noite realmente mágica
    saudades de acreditar em papai noel
    saudades de acreditar

  2. deu nostalgia de ler isso…
    é incrível como o que fica sempre na memória, ainda que tenhamos ganhado os embrulhos mais bonitos quando pequenos, é isso que tu disse.
    mas, ainda que mudem um pouco de configuração ou até de data, a gente segue recebendo esses presentes não embrulhados.

  3. O que dizer….

    Bom, minha infância foi recheada de expectativas para com o Natal. Esperava ansiosamente, rondava a árvore, quase não conseguia dormir, essas coisas. Depois foi passando a fantasia. Perdi alguns parentes, as reuniões diminuiram com o falecimento do meu avô materno, mudei de ares. Hoje passo sempre o Natal com meu sogro e cunhados. Não posso dizer que seja o Natal mais legal do mundo. Na verdade foi ficando uma coisa muito chata. As obrigações da data, as correrias para comprar presente, os compromissos com hora, etc, que tornam a data tão mecânica e comercial.

    Mas aí então vieram meus filhos. E aí voltei a sentir a alegria do Natal quando vi e vejo os olhos deles brilhando com as luzes de Natal, com os papais noéis da TV ou dos shoppings, a alegria quase eufórica para abrir presentes. Voltei, então, a ser criança.

    Feliz Aniversário atrasado, amigo.

  4. Queria poder ter essa visão positiva no final. Mas cada natal que passa eu gosto menos dele. Esse ano a surpresa foi passar como visitante em hospital. E família reunida? Só se for a de casa mesmo. Saudades guri!

    Olha o texto “Convenções Sociais = Hipocrisia”, é o mesmo assunto.

  5. Tiago, eu já havia lido teu post e essas palavras sem ensaio que declaram a beleza do abraço me deixaram reconhecidamente feliz. Quis guardá-las no silênciao , mas vim retribuir teu abraço e não resisti.
    As lembranças de nossa infância estão misturadas àquela espera de presentes, mas tinham sempre aquela luz e cheiros próprios de festa, independementemente de ser religiosa ou não.
    Quando a gente vira adulto falta um plugue pra acender as mesmas luzes, mas o carinho que se preserva vira presente para todos os dias.

    Um grande ano pra você, com o sucesso mais que merecido. Que teu talento seja reconhecido e que apareça muito trabalho.
    Beijos.

  6. A Menninha, pra ti não se perguntar “que cris?”
    aiuhoeuhoi
    adorei esse texto!
    vou passar mais seguido por aqui…
    😉
    beijos guri

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