Rápidas cubanas, parte 3

Matemática confusa
     Cuba tem duas moedas que circulam na ilha: a dos cubanos e a dos turistas. Funciona assim, a população recebe seus salários em pesos cubanos; os turistas, o comércio e praticamente tudo lá funcionam com cucs – os pesos conversíveis.
     A cotação é a seguinte: 25 pesos cubanos valem 1 cuc. O salário médio é de 500 pesos cubanos, logo, os trabalhadores recebem cerca de 20 cucs por mês, quase o suficiente para comprar uma sandália ou um chinelo, ou três garrafas do rum Havana Club (o Añejo Blanco) – o mais popular de lá.
     Na prática, o peso cubano vale apenas para comprar pequenas coisas, como verduras em feiras e pequenos mercadinhos. Do resto, a moeda que vale é o cuc. Em outras palavras, é como se nós, brasileiros, ganhássemos 500 reais por mês e tudo aqui estivesse cotado em euro.

Che, o onipresente
     Ernesto ‘Che’ Guevara foi um dos revolucionários que ajudaram Fidel Castro a derrubar Fulgêncio Batista, na Revolução de 1959. Após algum tempo, saiu da ilha para guerrear em outros pagos e oito anos depois foi morto na Bolívia.
     O que se tornam guerrilheiros que morrem por uma causa? Mártires. Por causa disso, Che é onipresente em Havana. É raro caminhar mais que 100 metros sem enxergar a sua tradicional foto estampada em alguma camiseta, bandeira, adereço, souvenir, out door, muro, ministério…
     Outro revolucionário, Camilo Cenfuegos, também está bastante presente na capital. Não tanto como Che, é verdade, porém em muitos lugares se vê a barba pomposa de Camilo. Contudo, Fidel não tem essa aparição todas como seus colegas. Curioso, perguntei para uma cubana, que me respondeu de forma simples: “porque no está muerto”.

Viva la revolución
     Se tem algo que o governo de Cuba se orgulha, e faz questão de mostrar isso, é a revolução. Os muitos out doors e cartazes alusivos não fazem esquecer a Revolução que levou Fidel Castro ao poder há quase 50 anos. “Un mundo mejor es posible”, “Revolución és resistir”, “Ante la amenaza y la agresión, Cuba responde: más revolución” – são algumas das mensagens encontradas nas propagandas pelas ruas de Havana.
     Ainda existem os Comitês de Defesa da Revolução por todos os lados. Segundo um cubano, tem um em cada quarteirão do país. Não vi tudo isso, mas que há vários, há. Podem ser identificados por um símbolo circular branco, com as letras, em vertical, C-D-R. 
     Ah, também tem alguns cartazes estampados com Hugo Chávez por lá… não muitos, mas tem.

Havana Velha
     Caminhar pelo bairro Havana Velha é, como já sugere o nome, viajar no tempo. Os prédios são antigos, as ruas são estreitas e os contrastes se fazem presentes. Para se ter uma idéia, é possível tomar um mojito ou comer um peixe em um restaurante quase bicentenário (o próprio Floridita – onde há uma estátua de Ernest Hemingway – abriu as portas em 1817).
     Lá, o tráfego de carros é proibido e, para evitar que os veículos adentrem nas ruelas, em diversas entradas de Havana Velha há canhões e bolas fundidos no chão, que permitem apenas o acesso das pessoas. O bairro é o paraíso dos fotógrafos. Não se caminha mais de 30 metros sem cruzar com alguém portando uma bela câmera fotográfica apontada para o alto.
     Havana Velha também tem vários lugares interessantes para se conhecer, além da viagem no tempo. Alguns: o La Bodeguita Del Medio, Floridita, Museu da Revolução, Capitólio, Catedral e mais dezenas de outras atrações que fogem da memória neste momento. Entretanto, ‘só’ com isso já dá pra afirmar: Havana Velha é imperdível.

Capitólio
     O Capitólio de Cuba é um dos prédios mais fantásticos que conheci na minha vida. Uma belíssima construção do século XVIII. Antigamente, era o congresso do país, hoje, sedia a Academia de Ciências de Cuba.
     Ao entrar, de cara, uma estátua de uns 20 metros impõe a magnitude do lugar. Andando pelos corredores e alas do prédio, encontra-se vestígios de uma Cuba rica e luxuosa, além de uma arquitetura de diversos estilos. Na época que construíram o prédio, os governantes eram maçons, por isso há vários símbolos da sociedade espalhados no Capitólio.
     Claro, para conhecê-lo, há um preço: entrar, 5 cucs e, para fotografar, mais 2.

Paladar
     Ir a Cuba e não comer em um ‘paladar’ é mais ou menos o mesmo que visitar o Brasil e não provar arroz e feijão. Os paladares são restaurantes familiares que funcionam nas casas de alguns cubanos – autorizados pelo governo, obviamente. O cardápio não varia muito de paladar para paladar. Fica naquelas de peixe, porco com alguma coisa. Não é o bicho, mas vale a pena conhecer.
     No entanto, não é porque o restaurante é caseiro que o preço seria mais barato. A refeição custa cerca de 10 cucs para mais. A explicação é simples: para uma família abrir um paladar, precisa adiantar algumas taxas para o governo. Além disso, o imposto apenas para manter o restaurante é de 1000 cucs – uma FORTUNA (assim mesmo, em caixa alta) para os cubanos.

Gre-Nal no baseball
     Queria ter visto um jogo de baseball em Cuba. Esse é o esporte mais popular do país. Eu não iria entender bulhufas, mas azar. Infelizmente, a liga estava de férias e o máximo que eu consegui foi assistir um jogo de crianças de 11 anos. Quem sabe da próxima eu assista o grande clássico do país La Habana x Santiago, o legítimo Gre-Nal cubano.

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5 pensamentos sobre “Rápidas cubanas, parte 3

  1. muito bom esse teu guia de viagem. hehe
    é legal saber da impressão de alguém que observa bem as coisas.

    e che guevara também se encontra em toda esquina aqui de bue. junto com evita e carlos gardel.

  2. Eu estou adorando teus relatos e fotos.
    Todo guerrilheiro um dia via bandido e todo ditador um dia…bem, você viu o que aonteceu com Idi Amim, Stalin, Reza Pavlevi, aqueles outros malucos, isso para não falar nos nossos. Che foi um assasino, assim com Fidel foi. Bastará que este morra e Cuba virará 180 graus ou mais. Tomara que para melhor.
    Espero os próximos capítulos sobre essa viagem.
    Abraço.

  3. Tiaguitooooo…adorei as fotos. Não sei em que campo tu te destaca mais, se escrevendo ou fotografando! Ficaram lindas as fotos e os textos muito bem escritos! Só imagino tua felicidade de fazer essa viagem…foi com quem? Parabéns guri!!! SUCESSOOOOO!!! Ah, adorei a biblioteca. Um sonho!!! Amo bibliotecas antigas! E o Hemingway?? Q show! Nunca esqueço de “O velho e o Mar”…Triste, mas ótimo!

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