Rápidas cubanas (nem tanto), parte 2

El Malecón
     Havana tem diversos locais a serem visitados. O Malecón é um deles. Não se trata bem de um lugar específico, uma vez que é uma avenida. A beira-mar cubana. Tem um calçadão – que nem de perto lembra os brasileiros – e funciona como ponto de encontro das pessoas. 
     No Malecón, os cubanos galanteiam as cubanas, pegam nas mãos delas, beijam-nas, essas coisas. Além disso, para os cubaninhos, é uma ótima opção para se refrescar, pois em Havana, a temperatura anda sempre lá pelos 30° normalmente, e a maioria da população não tem piscina em casa, o que torna aquele mar tentador.
     À noite, boa parte de sua extensão está cheia. Um murmurinho contínuo de conversas, risos, choros e tudo mais que milhares – sim, milhares – de pessoas produzem. O problema é a porquice. Em alguns pontos, entre o mar e o calçadão, tem umas pedras parecidas com coral. Elas viram um depósito de (muitas) latas de cerveja, caixinhas de rum e outras embalagens de bebida, visíveis no dia seguinte.
     A falta de iluminação pública decente e o fato de não se conhecer ninguém atemoriza um pouco, embora nada tenha me acontecido ao longo da minha caminhada noturna por lá. Como em outros lugares por onde passam os turistas, há vários policiais pela via. A diferença, pelo que eu ouvi falar, é que lá eles estão de olho em quem consome drogas. Não senti cheiro de nenhuma erva ilícita nem notei comportamento estranho. Mas lá os cubanos sempre estão sendo vigiados.
Idéia doidivana: deve ser no Malecón que a maioria das fugas rumo aos Estados Unidos – a 90 milhas dali – começa. Imaginei um sujeito que não tem nada, come o pão que o diabo amassou, ou nem isso, um fodido, enfim. Tá voltando pra casa, senta no murinho do calçadão e, voltado para o horizonte, deve quase ver o outro lado, pensando como a vida deve ser melhor, país livre, dá pra ganhar dinheiro… Aí então, surge na cabeça: “Por que não ir?”, e, no desespero, inventa qualquer coisa que bóie e, na calada da noite, vai…

Abordagem
     Para um brasileiro se acostumar a Cuba, precisa de uns dias. Sair de um país como nosso e chegar a uma ilha onde não há violência aparente, pichações, prostituição, com um povo boa praça é complicado. Lá, comprovei: estamos na defensiva. Percebi isso quando os cubanos vinham falar comigo.
     Os cubanos são legais, gente boa. Por muitas vezes, caminhava eu tranqüilo e ouvia algum “Hola”, “Buenos dias” e lá vinha um puxar papo comigo. Contam histórias, falam de pessoas e lugares e aí te convidam pra alguma coisa. Gostam de ser guias. O problema é que eu nunca tinha visto nenhum deles na vida. 
     Precisei de uns dois dias pra perder o medo. E, realmente, não me aconteceu nada demais. Apenas paguei umas cervejas em meio a conversas. Agora, me diga, caro(a) leitor, se aqui no Brasil, do nada, um carinha vem e diz “Oi, tudo bem? Vamos ali no bar conversar um pouco?”, o que tu faria? Eu não iria.

Ônibus
     Quase peguei um ônibus cubano, digo local, para quem mora lá e não para turistas. A passagem custa 40 centavos (não sei se de peso cubano ou conversível). Foi o único vazio e parou a dois metros de mim. Iria andar sem destino pelas ruas de Havana. Não fui, refuguei. 
     E era só aquele vazio mesmo. Os outros tantos coletivos que vi em Havana estavam todos lotados, atrolhados, transbordando de gente e todos os adjetivos de cheio que se possa imaginar. 100% da frota, ou pelo menos os que eu vi, eram estendidos, ou seja, transportavam certamente centenas de pessoas. As paradas eram desanimadoras, porque também estavam cheias sempre, até nos domingos. Conselho, nunca mais reclame que o ônibus está lotado.
     Aí, vendo uma delas, percebi uma certa lavagem cerebral por parte do governo. Perto de um ponto de ônibus – lotado, como sempre – tinha um out door escrito: “Um dia de bloqueio equivale a 139 ônibus nas cidades”. Tá bom, a culpa é do bloqueio, então…

Afro-Cubana
     Não tenho dados oficiais, mas acredito que a religião mais cultuada em Cuba seja a Afro-Cubana. É uma espécie de umbanda cubana. As roupas são parecidas, o branco, as guias estão muito presentes e, como o nome já diz, tem origem na África. Passeando pelas ruas da capital se vê bastante gente que cultua.
     Pelo que eu sabia até viajar, a religião predominante era a católica. De fato, há muitas (e bonitas) igrejas lá. Porém, ou estão fechadas, ou estão vazias.

Fotos
     Cumpri minha promessa! www.flickr.com/photos/tiagomedina. Ainda não estão todas, mas já tem coisa interessante. Passa lá e confere.

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7 pensamentos sobre “Rápidas cubanas (nem tanto), parte 2

  1. Hola! Fui no flickr. Bem legal as fotos. Puxa vida, presenciar a história de perto. Que legal! Boas observações. Me senti em cuba, vendo tuas fotos e lendo teus comentários.

  2. que viagem maravilhosa essa tua heim
    andei pelo flickr e adorei as fotos! (interessante ainda encontrar por lá cartazes da revolução)
    me espantei com os 40 centavos do ônibus hehehe

    😀

  3. Muito bacana Tiago! É uma pira ou não é? Legal poder ter ajudado… E as fotos no Flickr tão animais! Abraço!

  4. Porque o Inter representou a Seleção em 84? Vou explicar. A CBF preferiu escolher um time. Dez times que ficaram de fora da fase decisiva do Brasileirão de 84 (vencido pelo Flumimense) disputaram o Torneio Heleno Nunes, em turno único. Foi de pontos corridos. O Campeão foi o Internacional. Acabou em maio de 84. Por isso foi escolhido para representar o Brasil nas olimpiadas dos EUA, lá por julho/agosto. Explicado? Abraço!

  5. Só pra ficar claro. O Torneio Heleno Nunes foi criado única e exclusivamente para escolher o time brasileiro que representaria o Brasil nas Olimpiadas. Na sua única edição teve o Inter como Campeão. Depois voltou a ser um selecionado, propriamente dito. Antes disso, em 1956, o Internacional foi base da Seleção campeã do PAN, também nos EUA. Vencemos a Argentina na final.

  6. Muito interessante teu ponto de vista sobre a visita. Um lado humano sem deixar de ser crítico, absorvendo com olho de jornalista. Vou correndo ver as fotos.
    Abraço.

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