O futuro do jornal e o jornal do futuro

     O jornalismo, como não poderia deixar de ser, é uma profissão onde pairam dúvidas e perguntas sem respostas. Uma delas me chama a atenção em especial: estaria o jornal impresso fadado ao desaparecimento?
     Somente no último mês, vi duas respostas – uma mais convicta que a outra – sobre essa questão. Ambas de diferentes opiniões.
     A primeira foi do professor Eduardo Pellanda, durante a aula de jornalismo on line II. Fazendo uma cara de pena, sacramentou: “bom, muita gente diz que o jornal vai acabar. É gente…” – disse enquanto bateu levemente com as mãos – “sim, ele vai acabar. A web é o futuro”.
     Vale registrar que o Pellanda tem doutorado nessa área e é uma das pessoas mais inteligentes que conheço, apesar de parecer não viver no mesmo mundo que eu e sim num ambiente totalmente futurístico.
     A outra resposta ouvi da boca de Paulo Sérgio Pinto, numa palestra. “Às vezes dizem que o jornal vai acabar. Bobagem! O jornal não vai e nem pode acabar”. 
    Paulo Sérgio é vice-presidente da Rede Pampa de Comunicação, daqui de Porto Alegre. Trabalha com comunicação – entenda-se rádio, tv e jornal – há 28 anos.
     Tá e agora, como fico? Em quem acredito?
     Na minha modesta, apesar de admirar e acreditar o professor Pellanda, acho que ele está errado. Primeiro: porque ainda falta muito tempo – se é que um dia isso vai acontecer –para a internet estar presente em 100% dos lugares onde há jornal impresso. E falta mais tempo ainda para que as pessoas sem condições estejam aptas a navegá-la.
     Para nós, “da capital”, é fácil só ler notícias pela web, mas e para aquele caboclo do interior, no meio do nada? 
    Pode ser parcial, mas eu torço para que os jornais nunca terminem. Sempre gostei de jornalismo por todo seu ritual tátil. Acordar, lavar a cara e ir até a porta dar uma folheada no periódico que está ali me esperando há horas.
     Se um dia isso mudar e, ao invés de acordar e pegar o jornal, tenhamos que levantar, ligar o computador, conectar a internet, digitar um www-ponto-sei-lá-o-quê-ponto-com-ponto-br, estaremos perdidos… (suspiro nostálgico!) .
     Além de nos tornarmos ainda mais reféns das companhias de energia elétrica.
     Que o jornal irá mudar, sem dúvida. Vai conter mais opinião, mais análise, pois não há como concorrer contra a rapidez da internet. Textos maiores e mais elaborados serão impressos. Notas, gráficos, vídeos, som e tudo mais ficam para o computador.
     Tomara!

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20 pensamentos sobre “O futuro do jornal e o jornal do futuro

  1. “Às vezes dizem que o jornal vai acabar. Bobagem! O jornal não vai e nem pode acabar”.

    Paulo Sérgio, vice-presidente da Rede Pampa de Comunicação, daqui de Porto Alegre.

    Dai tu vê o que significa a Rede Pampa. O que me preocupa é um cara falar que o jornal impresso não pode acabar. Não pode porquê? Jornalismo é jornalismo em qualquer meio.
    Olha aqui http://ubimidia.com/2008/04/05/mercado-de-e-books/ o futuro. Se ele (Paulo Sérgio) deixasse de ser pobre, quem sabe a Pampa não estivesse em melhor situação no estado. Bom jornalismo é feito em qualquer lugar. E que os saudosistas me perdoem. Aqueles que gostavam de escutar músicas em vinil, aqueles que não abriam mão de andar de carroça, esses vão desaparecer. O futuro é digital, e que os dinossauros que me perdoem, mas eles vão desaparecem. Vão virar raridade. Pelo menos na forma que conhecemos hoje.
    Abração.

  2. Pingback: Sobre o Impresso versus o Online. « Simulações

  3. Ta valendo uma cervejada à vontade para o ganhador. Desafio vocês. Se em 10 anos os jornais impressos desaparecerem vou a Porto e pago a conta. Caso contrário, vocês virão a Venâncio e continuo bancando a conta. Apenas venham. Nunca os jornais impressos serão substituídos pela internet. Aceitam o desafio?

    Obs: Pellanda com doutorado? Bah. To jogando dinheiro fora pagando faculdade p/ doutor ensinar minha filha. Tragam ele junto p/ Venâncio.

  4. Para nós, “da capital”, é fácil só ler notícias pela web, mas e para aquele caboclo do interior, no meio do nada?

    Sobre essa frase fico pasmo. Cara, acho melhor tu sair da vidinha mansa que teu pai te paga e conhecer o interior. Mas o interior de Venâncio, Santa Cruz e outras cidades. Sai desse teu presumível ‘conforto’ e vai conhecer realmente aquele cabloco do interior, no meio do nada? Que na real tem tudo: rádio, tv a cabo, internet, moto e carro próprio, hectares de terra, plantação que rendem dinheiro com o suor de seus trabalhos. Vocês estão totalmente desinformados. Peçam p/ trocar seus professores.

  5. O jornal vai acabar tanto quanto o rádio acabou quando surgiu a televisão e a tv, quando veio a internet (fui irônico). Essas previsões apocalípticas e entusiastas desconsideram a história. De uma maneira geral, sou da mesma opinião que tu. O jornal coninuará a exisir, assim como até hoje, apesar da arte digital e das novas formas de expressão, as pessoas (incrível, né) ainda pintam (com tinta!) em telas de papel.

  6. Mas estamos falando de tendências e mudanças comportamentais causadas pela iternet, certo? E tu também compara arte com jornalismo ao falar que o jornal está para o jornalismo assim como o vinil está para a música.

    ehehe..tudo isso me leva a uma frase-lema fundamental: CADA UM NO SEU QUADRADO! arte na arte e jornalismo no jornalismo! ahahahaah

  7. Elton,
    1. desafio aceito! Daqui a 10 vou a Venâncio tomar uma cervejada com Thales pagando a conta, porque também acho que os jornais não vão acabar nesse período. Podem até acabar – o que ainda não estou convencido – mas daqui a muito tempo.
    2. não estás jogando dinheiro fora, não te preocupes. O Pellanda é um ótimo professor, além de um grande amigo. No entanto, às vezes discordo das opiniões dele – o que é bom.
    3. quando me referi a ‘caboclo do interior’, me referi a caboclo do interior MESMO. Vanâncio, Santa Cruz são cidades grandes perto do interior o qual pensei quando escrevi. Vilarejos, cidades no meio do nada com menos de 10, 5 mil habitantes. Meu tio veio da Amazônia esses tempos. Ele é praticamente um ribeirinho. Na casa dele, não há contato com o mundo exterior, nem via jornal, rádio, tv ou internet…
    Por isso, volto a questionar, como um cidadão desses estará apto a navegar na web a tal ponto que faça dos jornais algo desnecessário?

  8. acho que tu não precisas ir tão longe, lá pro interior do interior, pra saber que jornal impresso não vai acabar.
    quantas pessoas que conhecemos têm seus laptops, vivem na era digital, e ainda assinam jornal?
    bom jornalismo é feito em qualquer lugar, claro. mas o meio influencia muito no conteúdo. se não fosse assim, o jornalismo seria muito simplista.

  9. Samir… A música não mudou com o desaparecimento do vinil. Temos que levar em conta que impresso é apenas o meio. Meio esse limitado por questões óbvias.
    Aos demais… Diferente do que coloquei como título do meu post devemos sempre avaliar que Impresso e online não são concorrentes. E uma coisa que chamo a anteção e parabenizo é como a Folha do Mate (http://www.folhadomate.com.br) trabalha isso. O site deles é mto mais evoluido que o do Jornal do Comércio. Falo como alguém que já trabalhou no JC e sabe a droga que é o site deles. (Um detalhe. A economia do site da Folha do Mate é muito mais moderna do que a do jornal de economia e negocios do RS. Parabéns!)
    A Zero hora tem problemas em lidar com a web. Por um lado vejo o jornalismo gaúcho sendo provinciano. A internet existe a 10 anos e temos poucos sites decentes. Excluo veementemente o ClicRBS dessa lista.
    Não sei quanto tempo esse desaparecimento vai levar. Mas (e aumento o meu prazo mas nao fujo de pagar a cervejada) em 15, 20 anos muito dos jornais que vemos hj estaram quebrados. Principalmente por que devem aprender a lidar com as suas versões digitais e impressas.
    Quero saber a opinião de vcs sobre o destino da rádio AM. Também acho válido essa discussão já que a Gaúcha acaba de começar a trabalhar tbm em FM. Por quanto tempo mais teremos as rádios operando em AM?
    Abração…
    E rezo para não beberem muito… Hahahahahaa

  10. Sobre as cervejadas, até aumento minha aposta de 10 para 20 anos, embora não saiba se com 65 anos ainda poderei acompanhar vocês. Atualmente estou no auge, quem sabe nos reunimos dia desses por aqui e resolvemos essa parada.
    Obs: Obrigado Thales pelo elogio ao site da Folha do Mate, vou repassar aos responsáveis.

  11. Só me respondam uma coisa: Como é que CEM mil pessoas que utilizam diariamente o Trensurb, que uso todo o santo dia para vir de Canoas a Porto Alegre, vão carregar seus computadores para irem lendo jornal na viagem? Padre Quevedo diria: Isso non ecziste!

    Ainda que todas essas CEM mil pessoas tivessem seus laptops ou palmtops, ou sei-lá-o-quê, navegar não é tão fácil quanto folhear. Não é prático. Não é funcional.

    Gente, é impossível o jornal impresso morrer. Você lê ele na hora que quer, quando quer, quando pode, quando tá a fim. No ônibus, tomando café, no banco da praça engraxando sapato, na fila do banco, no banheiro. É sem cabimento dizer que o jornal impresso vai morrer. Tão absurdo quando dizer que a TV iria matar o rádio. O Rádio nunca esteve tão vivo.

  12. Eu estou tentando cada vez mais falar cada vez menos.
    O jornal não vai morrer. A web crescerá e mudará todas as instâncias de nossas vidas.

  13. Tiago, a web substituiu muita coisa, mas mesmo que só tenha lido jornal por obrigação de ofício e desde muito fico o mais distante dele, dizer que o jornal em papel desaparecerá, só se o papel desaparecer da Terra. Seria o mesmo que dizer que os livros desaparecerão.

    Confesso que sou leitora compulsiva, daquelas que estão lendo três livros ao mesmo tempo e resisto bravamente a ler livros na tela de computador. Não é a mesma coisa! Alguma parte essencial se perde nesse ato.

    Imagino que os ávidos leitores de jornal se prendem a ele pela rotina, para compartilhar comentários com outros leitores o que leram. Faz parte do ritual da vida de muita gente(serve para matar muitas horas de trabalho). Mesmo que a exemplo da medicina e da ciência em geral, as notícias sejam 20% adivinhação, 30% intuição e 50% transitoriedade(vou levar um cascudo por isso!).
    Abraço.

  14. “Vale registrar que o Pellanda tem doutorado nessa área e é uma das pessoas mais inteligentes que conheço, apesar de parecer não viver no mesmo mundo que eu e sim num ambiente totalmente futurístico.”
    melhor parte hehe

    brincadeira. Apesar de gostar mais da área de Online, o jornal não vai acabar, portanto, concordo contigo, com o Samir, mais alguém aí e ri lendo o Fabiano contar a história do Trensurb hehe
    o que vai mudar será a forma de se fazer jornalismo diário já que o online concentra as hard news.

  15. “Só me respondam uma coisa: Como é que CEM mil pessoas que utilizam diariamente o Trensurb, que uso todo o santo dia para vir de Canoas a Porto Alegre, vão carregar seus computadores para irem lendo jornal na viagem? Padre Quevedo diria: Isso non ecziste!”

    Fabiano… Sabia que já inventaram o celular? Sim! Olha que coisa maravilhosa, e ele nao serve só pra vc fazer ligações não… A VIVO ta vendendo um que pega até tv digital… Imagina quando aparelhos como o iPhone foram populares? Não imaginem as pessoas carregando computadores grandoes… O celular é uma grande potência para a difusão de informação.
    Só pra ter uma noção Temos 160 MILHÕES de aparelhos celulares no Brasil contra 80 MILHÕES de aparelhos de televisão, por exemplo. É o fim dos tempos… Hehehehehe

  16. Pingback: O jornal-papel vai acabar « Simulações

  17. As novas gerações quase não lêem jornais. A tiragem mundial dos periódicos cai continuamente há mais de 20 anos. É possível que, antes de 2030, a maioria dos jornais já tenha migrado para a internet.”

    Qual o futuro dos jornais? Como atender às novas exigências do mercado?

    Dê uma olhada – http://inteligenciaonline.wordpress.com/2009/10/1
    Abs

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