Cena etílica – ou “tangos e tragédias”

     Madrugada. As formas de pizza já estão vazias após terem servido a janta, momentos antes. Taças de vinho e copos de cerveja são enchidos constantemente, porém – ainda assim – parecem sempre estar na metade.
     A conversa é animada. O assunto, o mais variado possível. É impressionante como um jornalista é capaz de articular sobre tanta coisa diferente. Quando estão reunidos quatro então, nem se fala.
     De repente, a grande idéia da noite: “Vamos pra Buenos Aires amanhã?” – questiona um. Obviamente a resposta é positiva. Avião? Que nada. “Vamos de carro mesmo.” O Google procura “Albergues em Buenos Aires” para os quatro jornalistas. Às 4 da manhã.
     – Hola, tiene cuartos disponibles de jueves hasta sabado? – Ligação internacional, logo após da pesquisa.
     Não tem. Nenhum tem. Mas, azar. A graça da viagem está aí mesmo. Chegar a outro lugar – desconhecido – e se virar.
     – Que horas a gente sai?
     – Amanhã de noite. Dormimos na fronteira e pela manhã já partimos. Almoçamos em Buenos Aires quinta-feira.
     Tudo certo. Planos, tango, Boca, River, passeios, tudo é pensado. Um brinde. Dois, três, vários. Só que, pouco antes do sol nascer, o sono chega. É preciso descansar, pois haverá muito chão pela frente.
     Pouco depois o despertador acorda uma chatinha dor de cabeça. Pressa, os trabalhos chamam. A cama, quente e confortável, terá de ser abandonada. Café, leituras, jornal, rotina. Desagradável realidade… De repente, Buenos Aires ficou tão longe.

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6 pensamentos sobre “Cena etílica – ou “tangos e tragédias”

  1. Existe uma teoria de que bêbados vivem combinando churrasco no meio da festa. E dependendo da motivação e pique do grupo, muitas vezes acaba saindo mesmo.

    Buenos Aires já é mais complicado… o acordar tende a desmanchar o sonho.

    Mas te digo: minha lua-de-mel com a Alice em Paris foi meio assim. Vimos um filme (Alguém tem que ceder) e nos dissemos: “Vamos pra Paris?!” Meses depois estávamos lá.

    Abração!

  2. Papo de bêbado nunca deve ser levado a sério. Muito menos, planos de bêbados. hahahahahah. Muito boa essa.

    Já passei por algumas situações assim e posso te dizer: os acampamentos que foram combinados no meio dum porre, rolaram. Afinal, era algo mais fácil prum bebum fazer.

  3. Eu tive que trabalhar, mas vocês roeram a corda, mijaram nas meias, apertaram o rabicó, desistiram, enfim.

    Temos que fazer mais daquelas, mas sem tantos planos, sem tanta sede e com tanto ou mais papos de jornalismo.

    Abraço

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