Música Popular Brasileira?

     Caro(a) leitor, por favor, responda-me: o que é MPB? Tá, que é Música Popular Brasileira eu também sei, não sou nenhum asno. Refiro-me, mais especificamente ao ‘popular’ dessa sigla. Pergunto a tua opinião, porque vejo um paradoxo gigante.
     Antes de explicar o porquê, me deixa apresentar a minha visão sobre MPB. Pra mim, é aquela música mais acústica, embalada. Samba, bossa nova. É uma arte de encaixar melodias ótimas e letras agradáveis, inteligentes e brasileiramente malandras. Um misto de samba de preto velho com maracatu, talvez.
     Recorro ao dicionário do Uol para saber o que é popular. Ele me apresenta algumas definições. Tais como: “3. Que é do agrado do povo. 4. Democrático”; A última afirma: “Nos estádios desportivos, as acomodações de menor preço.”
     Logo, se popular for, teremos que usar a mesma classificação para músicas de João Gilberto e qualquer MC da moda. Ambos têm milhões de seguidores que sabem de cor as suas músicas – e coreografias, se forem o caso. São do agrado do povo, ora.
     No mínimo, isso é paradoxal, não acha? E eu não citei outros exemplos democráticos como Calipso, Bruno e Marrone, Turma do Pagode e por aí vai. E ainda tem a maldita Ivete.
     Dissertemos mais. O que as músicas de Paulinho da Viola e Nara Leão têm em comum? São populares, MPB. E, pela definição do dicionário, espetáculos de cunho popular deveriam ser baratos, já que, adaptando, são conceituados “acomodações de menor preço”.
     Pois bem, agora me explica porque os ingressos, tanto para ver a Fernanda Takai cantando a Nara e o Paulinho apresentando seu acústico tinham como preço mínimo, R$ 50,00 – bem longe do palco, claro. Esse valor é uma considerável parcela do salário mínimo brasileiro.
     Quem viu Chico Buarque em Porto Alegre no ano passado desembolsou cerca de R$ 200,00. Ainda há outros vários exemplos de sambistas ou bossa-novistas ‘populares’ que passaram por aqui a preços exorbitantes. No nível que está, achei baratíssimo, realmente ‘de barbada’, os R$ 40,00 cobrados para ver o Jorge Ben Jor, na última passagem dele pela capital gaúcha.
     Agora, me explica. Seria isso um fenômeno apenas porto-alegrense? Ou será que Paulinho da Viola, Jorge Ben Jor, Chico Buarque, João Gilberto e outros desse nível deixaram de ser popular para virar elite?
     Se sim, não fazem mais parte da MPB. Se não fazem mais parte da MPB, essa é só constituída por músicos sertanejos, pagodeiros e funkeiros em geral, realmente populares. E se MPB for isso, sinceramente, eu não gosto de MPB.

ps: reconheça-se. Muitos dos artistas citados acima realmente deixaram de ser populares. Uma vez que, depois de ricos, tornaram-se esnobes, para não dizer chatos e já não lembram mais o que eram no início de suas carreiras.

Nota: se não me engano, é a Hits Produtora a mentora de um projeto interessante: “Samba no Teatro.” Ela foi a responsável pela vinda de grandes nomes da música brasileira pra cá. Ok, muito legal, mas se for em teatros, não há chances de um preço barato, acessível a maioria do público que tornou o samba popular. Isso não é no mínimo injusto?

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12 pensamentos sobre “Música Popular Brasileira?

  1. Tiago, tu escreveste justamente o que o cara tá vivendo na carne.
    Se ele for bom músico comop é bom pai o cara deve ser bom. beijos da tia Magda. Vou mandar este texto pra ele.
    Magda

  2. MPB já não é popular, mas arrisco-me a dizer que assim se chama porque um dia já foi.
    Quem gosta de Chico e Nara Leão, hoje em dia, é quem tem um conhecimento daquilo que eles cantam e escrevem. Porque o popular hoje em dia não é mais o que era. Popular era lutar contra a ditadura e coisas do gênero (acho eu). Hoje, como não temos mais isso, popular já é outra coisa.

    Mas que é um absurdo o preço que se paga pra shows de MPB, isso é. Pensa-se que, só porque boa parte das pessoas que gosta do gênero é de elite, todos são. Eu gosto de Chico e me doeu muito desembolsar cem pilas…

  3. Belas obeservações. Só não tolero chamar “MC” de músicos. Outra coisa. Quem gosta da “turma” de João Gilberto e cia tem certo nível cultural, o que venhamos e convenhamos não é de toda a população. Abraços e parabéns.

  4. Então…
    A sigla MPB foi primeiramente usado pelo MPB Quatro (é o que eles dizem)… Música popular brasileira, que vai desde o cantando bem baixinho encaixando notas por notas ou cantando aos berros escondendo a falta de notas.
    Lulu Santos deu uma nova interpretação a MPB, dizendo ser “música para pular brasileira”, a dúvida é pular para onde, para a eternidade como os bossas novistas de outrora ou da prateleira para o lixo como os escondedores de poucas notas?
    E alheio a isso tudo temos o ouvinte que deve pagar (e caro) o pato pela nossa (quem sabe?) música popular (seja pelos preços salgados ou pela gritaria mesmo…) hehe

    Abraço

  5. há algumas categorias que pautam classificações e debates há muito tempo. por exemplo: regional e nacional, cinema arte e cinema comercial, cinema hollywoodiano e cinema europeu, popular e erudito. quase sempre são generalizações que tentam enquadrar manifestações, mas com freqüentes doses de imprecisão. é claro que o popular de mpb tenta enquadrar um certo nicho de criação, mas o termo não consegue dar conta da variedade de artistas e manifestações. é imperfeito, mas segue em voga. tom jobim é mpb, mas o refinamento de suas composições e arranjos poderiam lhe render o título de erudito. villa-lobos é erudito, mas nada mais tocante e popular do que ney matogrosso cantando a letra do ferreiro gullar para trenzinho caipira (parte de uma das bachianas). ou seja: rótulos existem para tentar dar ordem e sentido, mas são insuficientes para tanto.

  6. Bom, concordo com a Luana… O estilo MPB leva este nome por um dia ter sido popular… coisa que não é mais, infelizmente.
    E, quanto ao preço, tenho a tese de que, atualmente, apenas pessoas mais cultas e com grana que realmente apreciam a MPB… pra que cobrar barato se, quem vai nos shows, independente do preço, é quem pode pagar?

    Gostei da matéria!

  7. Tu tocou num assunto bem interessante pra se discutir. Realmente, hoje a mpusica popular brasileira é outra. O popular das massas, de todos, do povo, de acordo com o dicionário, não mais se enquadra para os artistas da MPB. A Luana fez um comentário bem interessante sobre isso. E o triste é ver que o popular de hoje está tão decadente…mais triste ainda é tu querer ir num show legal (leia-se em teatro) e ter que pagar um valor nada legal.
    beijos!
    🙂

  8. Acho que a música é popular, na acepção “de agrado popular”, já o músico não é popular, pois cobram caro, em virtude de terem virado celebridade. Mas, lembre-se, a definição é da música não do músico.
    Músico popular são aqueles que fazem suas apresentações quase de graça, geralmente, os de início de carreira.

  9. antigamente a mpb era popular era época do nelson gonçalves,mayssa , chico buarque e gilberto gil, mpb não é mais popular pois os militares impediram que eles comunicasem os pobres, daqui a pouco mpb vai virar academia de letras ou a casa da mãe joana como agnaldo timoteo,bruno e marrone, gretcheen, mc creu e joelma mendes, eu vou dizer infelizmente gente mpb vai sair do chão mas ainda temos ana carolina,marisa monte , fagner e zeca baleiro.

  10. Pingback: Música nova « Telha do Tiago

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