Série Olímpica – Parte I

Os Jogos 

     “Senhoras e senhores, vai começar o maior espetáculo da Terra…” Serão 16 dias com muita torcida, emoção, superação, alegrias e exemplos num país com uma cultura riquíssima e milenar. Na noite de 8 de agosto, será acesa a Pira Olímpica que dará início oficialmente aos XXIX Jogos Olímpicos de Verão, em Pequim, na China.
     Muito mais do que um evento esportivo, os Jogos Olímpicos são uma verdadeira instituição do mundo. Para se ter idéia de sua magnitude, a cidade de Pequim investiu mais de US$ 40 bilhões para receber esta edição. Atenas, palco de 2004, também gastou cifras que giram na casa dos bilhões de dólares. Além de estádios e ginásios com arquiteturas mirabolantes – vide o “cubo de gelo” e “ninho de pássaro” –, é necessário investir em infra-estrutura como transporte, hospedagem e comunicações.
     Além disso, existe um “clima” diferente durante os Jogos. Aquela conhecida máxima do esporte “o importante é competir” é bastante considerada. Como existem atletas de mais e medalhas de menos, só o fato de classificar-se para a grande competição já é um fato louvável. Afinal, a maioria termina como figurantes mesmo.

Espírito Olímpico

     Não há nada de pejorativo nisso. Às vezes, uma derrota é mais lembrada do que uma vitória. Por exemplo, você se lembra quem venceu a maratona em Atenas-2004? Quando Vanderlei Cordeiro de Lima liderava a prova, um ex-padre invadiu o trajeto e segurou o nosso representante, tirando embalo e concentração. O brasileiro terminou em terceiro, porém foi o mais festejado. E quem não esquece da imagem da suíça Gabriela Schiess chegando completamente desidratada para cair nos braços dos médicos assim que cruzou a linha de chegada?
     Alguns desses atletas “perdedores” são devidamente laureados. Não com ouro, prata ou bronze, mas com outra medalha: a Barão de Coubertin, uma honraria humanitária concedida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) a atletas que demonstrem alto grau de esportividade e espírito olímpico durante a disputa dos Jogos. Em 2004, Vanderlei recebeu-a depois da polêmica prova.
     Além do brasileiro, um dos atletas que conquistaram-na foi o iatista canadense Lawrence Lemieux. Em 1988, em Seul, ele estava em segundo lugar na regata, quando percebeu que dois competidores haviam caído no mar. Ao invés de continuar na disputa para subir ao pódio, ele socorreu os adversários, abandonando a competição. Após isso, recebeu a medalha honrosa do então presidente do COI, Juan Antonio Samaranch, com elogios de desportivismo, auto-sacrifício e coragem, personificando o ideal olímpico.

Símbolos

     Falando em medalhas, elas têm um padrão mínimo a ser seguido por seus fabricantes. Cada uma deve ter, pelo menos, 60mm de diâmetro e 3mm de espessura. A de primeiro lugar de conter, obrigatoriamente, 6g de ouro puro no mínimo. O desenho e a forma delas mudam a cada edição, fica a cargo dos organizadores do evento. Além do ouro, da prata e do bronze, em Pequim, elas serão enfeitadas com uma pedra chamada jade, comum na região.
     Segundo o livro “A Cultura Chinesa”, editado por Ding Wei, enquanto os nobres usavam enfeites de jade para demonstrar sua riqueza, a população em geral presenteava os recém-nascidos com a pedra, para evocar proteção e sorte. A mesma obra também revela que os objetos rituais de jade passaram a simbolizar o caráter superior e a perfeição moral.
     Os Jogos Olímpicos são representados por muito mais simbologias além das medalhas. Uma delas é o fogo olímpico. Tido como elemento purificador, sua origem remete à Grécia antiga, porém somente em 1936 é que ressurgiu nas Olimpíadas modernas. A tocha, que ganha novo design a cada quatro anos, é sempre acesa na cidade grega de Olímpia. Desde março, ela corre o mundo passando por 20 países e 113 cidades chinesas até chegar ao Estádio Olímpico de Pequim onde acenderá a Pira Olímpica, que reluzirá até o final dos Jogos.       
     Mas nada lembra mais os Jogos Olímpicos do que os cinco aros entrelaçados. Idealizados pelo Barão de Coubertin em 1913, os aros – nas cores azul, amarelo, preto, verde e vermelho – interligados num fundo branco, representam os cinco continentes. É a principal representação gráfica dos Jogos, além de ser a própria marca do COI.

aros.jpg

ps: como prometido! Essa é a primeira de três partes da reportagem que fiz sobre os Jogos Olímpicos para a Revista da Sogipa. Sinta-se honrado, caro(a) leitor, pois tu estás lendo antes mesmo dos associados, que só poderão fazer isso em abril. Dia 8 de março (quando faltarem exatamente 5 meses para o início dos Jogos) publico a segunda parte.

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Um pensamento sobre “Série Olímpica – Parte I

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