Futebol moderno

     Andei navegando por blogs colorados internet afora. Todos, ou pelo menos a maioria dos que li, mostraram entusiasmo com a estréia de Alexandre Pato… no Milan. O jovem atacante, de apenas 18 anos, parece que jogou demais – o que é natural para ele –, inclusive marcou um gol, o que já aconteceu em suas outras estréias.
     Agora, como gaúcho e brasileiro, pergunto sinceramente: E daí?
     Na minha opinião, Pato começou neste domingo a carreira dele. De nada valem os títulos do Mundial e da Recopa pelo Internacional. Antes, era tudo estágio, prefácio. Antes, ele jogava no Brasil. Agora não. A situação é completamente diferente. Pato é o camisa 7 do Milan. O italiano Milan. Lá que a carreira dele começou, no dia 13 de janeiro de 2008.
     Sou do tempo ainda em que os gurizinhos sonhavam em ser jogadores de futebol. Não sei se ainda sonham isso, acho até que sim. O que mudou foi o time. Eu queria ser o artilheiro do meu time. Meu time do Brasil, digo. O mesmo que eu torço direto da arquibancada, cujo estádio fica na mesma cidade que eu moro e não a milhares de quilômetros – e um oceano – de distância.
     Hoje não. A graça e o sonho de ser jogador está na Europa. Não sei de quem é a culpa disso que acontece hoje, se é do Winning Eleven ou da globalização. Acredito, no entanto, que isso é o começo da decadência do futebol brasileiro. Prova disso é o crescente número de estrangeiros nos times. Nada contra deles virem pra cá, pelo contrário. Mas que isso desvaloriza o campeonato brasileiro, não há dúvida.
     O pior é que não dá nem pra competir. Como condenar um jovem de 20, 22 anos querer milhões de euros e viver num país com melhor qualidade de vida que o Brasil? Isso é até justo numa carreira tão curta quanto é a do esporte. O que critico é essa pressa toda. Sinto falta do amor à camisa, que esse tal de profissionalismo tão cruelmente sufocou.
     A história de Pato, que vai acontecer no Milan, deveria ser no Inter, da mesma forma que um dia Falcão percorreu o mesmo caminho. A história que Anderson escreverá no Manchester United é a que ele viveria no Grêmio, como um dia foi Renato Gaúcho. Isso para ficar apenas nos dois últimos grandes craques oriundos do Rio Grande do Sul.
     E isso tudo se reflete lá na frente, na Seleção Brasileira. Quem não aprende a ter amor pela camisa que veste, nunca dará o máximo de si na Seleção. Dando o máximo de si no futebol, um esporte violento, corre-se o risco de lesão. E lesionado fica desvalorizado. Lesionado ganha menos dinheiro.
     Por isso tudo, sinceramente, não entendo o entusiasmo da torcida colorada ao ver Pato marcando gols pelo Milan e da gremista ao assistir Anderson entortando adversários ingleses. Afinal, isso só acontece pela TV, não dá título nenhum nem para Inter nem para Grêmio. Que sejam felizes esses dois, mas, dá licença, vou torcer por aqueles que olho ao vivo direto da arquibancada do estádio. Esses sim me interessam. O resto é adversário.

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7 pensamentos sobre “Futebol moderno

  1. Pato ainda nao desequilibrou. É um jogador fora de série, mas não desequilibrou. Falta a estrela, o faro de gol. Uma bola no pé dele não decide um jogo, já no pé de um Messi, de um Ronaldo (tanto o Nazário quanto o Moreira), Cristiano Ronaldo, Kaká, Robinho… Falta o Pato mostrar seu potência, seu talento. Por enquanto só encanta os cegos e Stéfanhy Brito. A mim, não convenceu ainda. Abraços.

  2. Ainda bem que teu amigo Thales não é comentarista esportivo. Com todo o respeito.

    O Pato é craque e candidato a gênio. Também gostaria de vê-lo aqui, no meu, no nosso Colorado. Mas é um consolo. Sim, é por isso que acabamos vibrando com o sucesso do garoto: É a migalha que nos resta, para nós torcedores de times de um país pobre (mas que ainda assim ganha dos poderosos europeus). Ou seja, vibrar por lembrar que quem pôs aquela “cria” no mundo fomos nós. É uma alegria vicária, eu sei, mas é uma alegria.

  3. iae…tava lendo os teus textos atrasada…o do ano novo concordo, esse ano começou bem pra mim tb, recebi boas noticias e esperam que elas prevaleçam e que as surpresas que recebi se multipliquem…mas to nessas tb, nada de planos, um dia de cada vez e seja o que Deus quiser, e tomara que ele queira o melhor sempre. Quanto ao futebol moderno, concordo com tudo q tu disse, é justamente por isso que não tenho mais o minimo entusiasmo e vontade de ver os jogos da seleção, eles não jogam mais com o coração…tá foda, acho que a culpa é do Winning…hahaha…acha meu coment no teu blog antigo, pois não consigo abrir…bjus

  4. Quanto ao Pato e aos jogadores estrangeiros e brasileiros, importados ou exportados no mercado do futebol: concordo em tudo. Inclusive cito a manchete de uma matéria de um jornal argentino (não lembro qual) em 2005: “O melhor do brasileiro, é o argentino” se referindo ao Tevez que tinha sido eleito o melhor do campeonato.

    Quanto ao teu blog, cada dia gosto mais de ler ^^

  5. Thales vive em que mundo. Acho que é um gremista, mas tudo bem. Muito bom o texto. Parecer a sina do Brasil, uma colônia repleta de matérias prima refém de várias metrópoles. Menos mal que somos penta campeões.

  6. Vamos lá… Pato é um Gênio. Pelé! Lembro daquele jogo que ele sozinho, ganhou pros… Esqueci agora, não deveria por que foi um jogo memorável. Lembro dele naquele grenal, ops… Ele não jogou nenhum Grenal como profissional né? É… enfim… Ele é Deus.

    Voltando pra realidade… Felipão, campeão do mundo em 2002 com a seleção Brasileira, falou pouco tempo atrás que Pato ainda tinha que mostrar serviço. Pra mim ele é um bom jogador, ponto final. Craque, gênio, Pelé! Não. Ainda não! Ele tem que comer muito capim pra se transformar num, digamos Ronaldo, Kaká, Robinho, Ronaldinho Gaúcho, Messi, Cristiano Ronaldo…

    Ah! Sou Gremista, Brasileiro e Gaúcho. Vivo em Porto Alegre e comento futebol as vezes, por que pra comentar futebol, basta sexto sentido. O Inter de 2007 nunca me enganou. Ou você acha que o Inter campeão do mundo era uma máquina? Fatalidades acontecem… Abraços.

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