O Beco dos Medinas

     Não existe dia sem guerra aqui no Beco. Beco dos Medinas, me refiro. Também ia ser querer demais isso. Há mais de dez pessoas que moram no mesmo terreno de uns dez metros de largura por uns 100 de extensão. Em comum, apenas a árvore genealógica, iniciada com o amor dos, já falecidos, Homero e Dorvalina. Isso pela metade do século passado. De lá para cá, filhos, casamentos, netos, separações, bisnetos e, como disse antes, brigas. Muitas.
     A Liliane, por exemplo, briga algumas vezes por semana com a Patrícia. Na maioria das vezes, obviamente, por bobagens. Elas brigam e, mesmo assim, se emprestam brincos uma para outra. E se preocupam uma com a outra. Tanto que, esses tempos, a Patty esteve no hospital e a Lili ficou bastante inquieta. Na vez que o contrário aconteceu, a cena era a mesma. Ambas sentem falta do outro irmão, o Jorge, que foi pro Rio e deve ir à praia toda hora, sonho do Bruno, filho da Patrícia.
     Os três são filhos do Miguel, que não é Medina, mas é como se fosse, pois ele e a Eliana – primeiro fruto do Homero e da Dorvalina – se conheceram ainda adolescentes na época que Roberto Carlos nem rei era ainda. Estão juntos até hoje, provando que é possível encontrar o amor no primeiro namorado. Porém, isso não quer dizer que eles não briguem.
     Quando o tom das palavras começa a aumentar, a primeira pessoa a escutar é a mais nova da segunda geração Mediniana: Andréa, ou simplesmente Déia. Ela ouve se os seus dois filhos – o Leonardo e o Rodrigo – não estiverem com a TV alta ou discutindo sobre quem usa mais o computador e o playstation 2 ou se não estiverem brigando entre si. A Déia se estressa bastante, porque mora na parte frontal do Beco. Ela que vê todos entrarem e sairem. Alguns seguem direto, outros puxam papo, como a irmã dela, a Glair.
     A Glair é uma Medina atípica. Ela é zen. Transformou sua parte da laje numa verdadeira floresta onde vivem alguns pássaros numa gaiola. Gosta de pedras e as coleciona, o que deixa a sua sala um lugar bem agradável de estar aqui no Beco. É ela também que mais mantém contato com o Homero Filho, um testemunha de Jeová, que vive em algum lugar do Norte do Brasil. Essa religião já foi predominante na família. Hoje, além do Homerinho, só o Júlio – outro irmão – que segue testemunha.
     Completamente diferente da Glair, são suas filhas: Claudinéia e Fernanda. Essas sabem brigar. E como… Com o passar dos anos, até que se acalmaram, apesar de volta e meia ainda darem mostras de sua força. A Fernanda já brigou com todo mundo, contudo ultimamente anda mais apartando as do filho Guilherme, que só tem oito anos, não tem Medina no nome, mas não nega o sangue.
     O Gui é da quarta geração Medina – a dos bisnetos do Homero e da Dorvalina. Essa começou com o Bruno e seguiu com a Renata, filha da Claudinéia. Além desses três, tem mais um bisneto: o Luan. Ele nasceu quando a mãe dele, Mônica, só tinha 17 anos, causando surpresa geral. Até o fim de 2006, eles moravam nos fundos do Beco. Só que aí, a Mô foi morar em Florianópolis e vagou a casa para sua mãe, a Marister, e para o seu irmão, eu.
     Nós voltamos ao Beco depois de mais de 15 anos. Digamos que sempre fomos os mais “equilibrados”. Praticamente nem brigávamos ou discutíamos. Mas a gente não vivia com mais de 10 pessoas no mesmo terreno – isso sem falar dos cachorros! Nos readaptamos bem. A mãe sempre tá lá conversando, ou brigando com uma de suas irmãs – Eliana, Glair e Déia. Elas também gostam de estarem juntas. Volta e meia inventam algum churrasco, confraternização ou qualquer desculpa para se reunirem e conversarem.
     Nessas ocasiões, a Patrícia, a Liliane, o Bruno e os outros de gerações diferentes também participam, pelo menos, para filar um pedaço de carne assada. Eu, quando posso, também vou. Embora fique muito tempo resmungando no meu canto, gosto bastante deles. E, verdade seja dita, não existe um só dia sem guerra aqui no Beco, mas também, não existe um só minuto sem amor e carinho. Como já dizia a música do Nando Reis: Família ê, família ah, Família

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6 pensamentos sobre “O Beco dos Medinas

  1. Adorei o texto!
    Realmente, pode existir mta briga, nada mais natural, mtas personalidades diferentes em poucos metros quadrados, mas nao podemos deixar de dizer q apesar de tdo, sim existe mto amor, união…
    AMO TODAS AS MEDINAS E AGREGADOS!!!!

    te amo meu irmão!

    beijos

  2. Adorei o texto, vai ser um grande jornalista esse meu priminho. Só fiquei triste por não ter sido lembrada no seu texto, afinal fazemos parte de alguma geração dos Medinas, não é vero? Vc esqueceu de uma família que não mora no beco, mas tb já fez muito barraco no 421… ehehehehe
    Beijókas e boas festas!

  3. É a primeira vez que passo por aqui…
    Muito legal esse teu texto sobre a tua família!!!
    Muito engraçadoo!!!
    Feliz ano novo pra ti e boas férias!!!
    Beijos

  4. Pingback: Pensamentos esporádicos. Ou momento confessional nº 3 « Telha do Tiago

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