Sobre finais de ano e traumas alheios

     “Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser…”
     “Vida! É um grito de gol! É um banho de mar, é inverno e verão…”
     Sim. Estamos no final de ano e também já me fartei dos temas dessa época da Globo e da RBS. Músicas essas, até legais, mas que enjoam quando são tocadas muitas vezes. E como elas são repetidas há, pelo menos, uns vinte anos…
     Enfim, dezembro é um mês atípico. Há sempre um quê de altruísmo no ar. No geral, as pessoas ficam mais caridosas, amorosas, queridas. Ou, pelo menos, fingem tudo isso. Compram presentes, fazem amigos secretos, essas coisas. Dezembro é o mês do paz e amor, sem dúvida. No entanto, enquanto a maioria comemora, alguns encabulam-se. 
     Tem gente que fica indignada e considera uma baita falsidade esse tal de espírito natalino, como a Tássia. Outros, acredito eu, devem ficar tristes com a felicidade alheia. Vai ver é alguma coisa como se sentir só, não ter ninguém para dizer ‘eu te amo’ ou sequer alguém que diga isso para eles. Traumatizados. 
     Trauma, segundo o dicionário Aurélio, significa: Psiq. Agressão emocional capaz de desencadear perturbações psíquicas e, em decorrência, somáticas ou Fig. Dor moral. Dia desses, sem absolutamente nada pra fazer, elaborei uma teoria e concluí que todos somos traumatizados. Por menor que seja, é impossível viver sem traumas.
     Dissertando na minha teoria, primeiramente imaginei os meus. O que me incomodaria a ponto de me causar ‘dores morais’? Não demorou dez segundos para o meu coração apertar com uma lembrança não muito agradável. As cadeiras vazias nas minhas festas de aniversário.
     Não que elas fossem um fracasso. Vinha um número de pessoas considerável e, quase sempre, era presenteado com brinquedos bons (adorava os “Comandos em Ação” que ganhava. Isso sem falar do bom e velho Lego). Mas, sempre faltavam os meus colegas de aula. E não era por falta de convite… É que havia dois grandes problemas. 1) eu morava na zona sul de Porto Alegre e estudava na zona norte. 2) meu aniversário é, e sempre foi, dia 27 de dezembro. Na semana entre o natal e o ano novo, essa que até o Luís Fernando Veríssimo disse que era imprestável. 
     Não que eu não me divertisse nas minhas festas. Também nunca fui desses que detestam seus aniversários. Porém nunca tive a minha ‘melhor festa’. Talvez, por causa disso, valorizo e tento ir a todos os eventos que sou convidado. Resquícios que duram mesmo depois de 14, 15 anos da última festa no bairro cristal.
     Hoje, a marca mais forte que perdura desses anos – e acho que durará minha vida inteira – é o medo de organizar as minhas festas de aniversário. Insisto. Faço. Na esperança que meus colegas, e os ex-colegas também, de aula compareçam. Esse ano vai ser no Paraphernália, dia 27 mesmo às 21 horas. Fiz até uma lista, tenho expectativa que vá bastante gente, contudo meu trauma é forte, admito. 
     Tenho a esperança de fazer uma festa com todos os meus amigos, colegas e ex-colegas. Afinal, além de ser brasileiro. E brasileiro, bem, você sabe…

*aposto que a Tássia irá me xingar quando comentar aqui.

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4 pensamentos sobre “Sobre finais de ano e traumas alheios

  1. Também tenho trauma para organizar minhas festas de aniversário… Enjoei de fim de ano… Nao gosto de verão… Abraços…

  2. Se é festa, vamos sorrir!
    Sei lá, esse negócio é muito particular. Todo mundo tem uma história mais ou menos triste e mais ou menos alegre. De qualquer maneira acho que sempre há o que comemorar! Afinal, caramba! conseguir emplacar mais um é sempre uma vitória!
    Muitas alegrias e muitos desafios pra você no novo ano de vida e de calendário.
    Boas festas! Feliz Aniversário! Feliz 2008

  3. Analisando vossa coluna eu não consegui compreender se o senhor é dos que é revoltado com a época natalina e o ano novo, ou se gosta dessas duas datas tão espiritualizadas, e na minha humilde opinião vitais. Apesar do seu trama de fazer novas primaveras justamente no meio das 2 datas, creio que deves gostar das datas pelo que te conheço.
    Creio que se revoltar com a alegria e o sentimento de “paz e amor” citados na coluna, é ir de encontro a todo o cristianismo, é julgar ao próximo sem sequer conhecê-lo. De fato o mês de Dezembro é envolto de toda uma alegria meio inexplicável, é a presença de DEUS inconscientemente agindo em nossas vidas. É claro que a mídia impõe que o povo se atire ao comércio, e “espere o Papai Noel trazer as boas novas”, mas as injustiças, as desigualdades, o marketing, o consumismo, a destruiçaõ do meio ambiente (já fugindo um pouco do assunto!!! hehe), são males do ano inteiro, dia dos Pais, mães, namorados. Porque então se revoltar contra tudo e todos no Natal, esqueçam dos outros, por mais incapazes que possamos parecer sozinhos, na verdade temos sim que fazermos a nossa parte, agradecermos à DEUS por tudo e parabeniza-lo pelo seu dia, e não ficar falando sobre umbigos sujos, quando o seu está tão incardido que nem se enxerga mais.
    Eu acredito serem 2 atitudes igualmente mesquinhas: Ceder ao consumismo e não lembrar 1 minuto sequer de DEUS na noite de Natal; e julgar à tudo e todos pelos seus erros e não gostar do Natal.
    Quem não gosta do Natal é como não gostar de um amigo, e assim não querer ir no seu aniversário.
    Quem gosta de DEUS vai ao seu aniversário, sorri para ele, confraterniza com os outros convidados e dedica toda honra e toda glória para aquele que mais uma primavera está entre nós.
    E não se esqueçam, pois ele disse: EU ESTAREI SEMPRE COM VOCÊS!!!
    Por isso eu farei de tudo pra ir no teu aniversário no Paraphernália GANSINHO LOKO, mas se eu não for, meu pensamento e meus votos de felicidades e de um ano melhor para ti estarão vivos e ativos em meu coração e em meus pensamentos. Pense nisso: Aquelas cadeiras vazias dos teus aniversários, podiam estar quem sabe mais cheias do que as que tu podia enxergar com os teus convidados presentes, porque pode ser que alguns daqueles que estavam no teu aniversário talvez nem estivessem com a mesma vontade de outros que não puderam ir, e nem com o mesmo carinho e pensamento positivo de te desejar SINCERAMENTE um FELIZ ANIVERSÁRIO!!!
    Quero que saibas que se lá eu não estiver, meus votos de FELIZ ANIVERSÁRIO serão fortes e verdadeiros!!!
    Abração GANSÃO MENDIGOSO de convidados!!!!!! haiuhaiuhaiuahiuahaiuhaiuhaiuahiauhaiuhaiuahaiuahuahaiuhah

  4. Oi amigo!!! Cheguei de viagem terça e hj resolvi dar uma passada no teu blog pra me atualizar…eu estava começando a ler o 1º texto quando vi meu nome sendo dito em vão nessas linhas…hahaha…bom, vamos lá. Pelo visto temos uma coisa em comum (até que enfim algo em comum…aushaushau) eu também tenho trauma de festas de aniversário…até hj me dá um frio na barriga antes, com medo que ninguém vá e por isso fiquei uns cinco anos da minha vida sem comemorar, até ano passado quando fiz uma comemoração lá no Negafrida (que por sinal o Sr. não foi, então não pode reclamar da minha ausência no teu); Ah, tenho que admitir que meu natal caipira vou muitoooo bom, muita música sertaneja, tour pelo paraná, Sc e argentina, e muito diversão, mas melhor ainda, porque junto à minha família tinham pessoas que não eram da família (muito importante) e porque meu tio não esqueceu o motivo da data, pois por mais que eu não seja muito religiosa fico contente ao saber que tem pessoas que a comemoram pelo o que ela é e não pelo que se ganha nela. Meu tio fez cada um da mesa ler um salmo e depois fez uma oração agradecendo pelo dia. Bom, chega…mas me diz porque eu ia te xingar quando lesse isso??? FELIZ ANIVER GURI!!!!!!

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