Nostálgico ferimento

     Poucas coisas me lembram mais a infância do que meu joelho. Ou melhor: meu joelho ralado. Pintado de vermelho devido o Mercúrio-cromo ou então ardido por causa do Methiolate para tratar de algum ferimento decorrente daquela pelada em algum campo/laje/areião/rua/quadra/praia qualquer – o lugar era o que menos importava, tendo bola, que podia ser até de meia, já valia.
     Vivi uma infância completamente diferente das crianças de hoje. Ainda vinham circos a Porto Alegre. Não tinha celular, computador, mp3. Nem mesmo tamagotchi, tive. Não passava horas on line e gostava de brincar com os Comandos em Ação. Já escrevi isso em outro texto no blog antigo e não pretendo ser repetitivo. Foi só para dizer que muitas coisas mudam assim que crescemos (não muito, no meu caso).
     Mudam-se modas, gostos e preocupações. Mas, há coisas que não mudam jamais. O Tio do Churros, por exemplo. Ele me vendeu muitos gordurosos churros com mumu nas saídas do Colégio São João na primeira metade da década de 1990. Ele ainda está lá, com sua pança gorda e seu bigode mal-aparado. Além disso, continua aceitando vales-transportes. É o mesmo de 10, 15 anos atrás. Só espero que tenha trocado o óleo de soja.
     Sem dúvida, as coisas se alteraram quase que completamente. No entanto, eu não. Apesar dos poucos centímetros a mais que ganhei na altura e dos diversos quilos engordados, continuo o mesmo. Tudo bem que meus hábitos sejam diferentes, me refiro ao modo de agir, de ser. Comprovei, esses dias.
     Ao ver meu joelho ralado – por causa daquela pelada… – minha mãe zelosa quis tratá-lo, óbvio. Depois do banho, exigiu que o colocasse em cima da perna dela, para então pintar ele de amarelo aplicando um spray de Rifocina. Foi a mãe colocar o dedo para o jato sair que não neguei minhas origens e tive que interromper:
     – Peraí!!! Vai doer?
     Isso porque, felizmente, há coisas nessa vida que não mudam jamais, como joelhos ralados de crianças. Mesmo que estejam crescidas.

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5 pensamentos sobre “Nostálgico ferimento

  1. Vc não vai acreditar. Mas sabe que hoje eu passei horas (modo de dizer: um tempão) olhando pro meu joelho e lembrando de como eu ganhei uma cicatriz que tenho nele? E pensei justamente em escrever sobre isso e sobre a minha infância. Eu nem lembrava mais que essa cicatriz existia… as mulheres hj só usam calças, né? E quando eu ponho vestido ou saia, é mais no estilo longo pra um casamento, ou pra fazer a linha “hippie-chic”, sabe??? rs. Hj inventei de pôr um vestido mais curto e me deparei com aquela cicatriz no joelho…. tão antiga e tão querida. Lembrei das outras, nos dois cotovelos, que eu ganhei um dia q caí de bicicleta, andando aqui na rua da minha casa, com uma mão só; e a outra, correndo de um cachorro, na casa da minha avó. E também pensei nisso: se as crianças de hj e das próximas décadas vão ter esse tipo de experiência. Minha mãe nem se preocupava de nos deixar brincar na rua. E hoje, é uma neura geral, né? É isso. Mto meigo o seu texto. Still in love for you. BeijO!

  2. Iae Tiaguito! Cada dia estão melhores estes posts aki sabia…bah eu tava procurando uns blogs sobre crônicas esses dias e não tenho encontrado nada que preste. Tá difícil de me entreter desse jeito.

  3. Tiago, há uma imagem(com som) que passa na minha maquininha de cinema do coração: meu filho, com pouco mais de 4 anos, aos prantos, pranto mesmo, daquele de puxar o ar pela boca aos arrancos, abrindo a porta do apartamento e me mostrando a calça do macacão rasgada e embaixo disso um raladinho, com sangue, é verdade, mas precisando urgentemente que eu me abaixasse e o sentase na minha perna, abraçasse, cabeça deitada no meu ombro, até o choro parar. Depois um pequeno curativo.
    E ainda de rosto molhado, mas já pronto para sair e continuar jogando:
    “E a calça, mãe? Tem curativo?”
    Com certeza ele não lembra disso. Cineminha de mãe tem arquivo que não deleta nunca!
    Abraço.

  4. éé, tem coisas que não mudam mesmo… Ainda bem!
    Adorei o blog! De quebra aproveitei para olhar o meu joelho e fazer uma sessão nostalgia particular..hehehe
    aah, e eu deixei de lado o bloqueio e postei lá no meu blog! se quiser dá uma conferida depoiss!
    beijocass

  5. Sobrinho:
    O Ano Novo é só uma continuação. Não é hora de de stresss. Concordo contigo. Então FELIZ ANO TODO, , como me mandou uma amiga minha,pra ti e pro pessoal do Blog;.
    Onde eu acesso a viagem do velho?
    Tia Magda

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