Minha história com Julieta Venegas

   Lembro que foi numa manhã ensolarada que a conheci. Voltava, recordo, da aula de inglês e ela surgiu no meu carro. Veio por deliciosas ondas radiofônicas. Nunca tinha ouvido a sua voz, que me encantou de primeira. Julieta Venegas.
   Naquela ocasião, por falta de papel, catei uma caneta e escrevi o refrão “Yo te quiero con limón y sal, yo te quierio tal y como estás, no hace falta cambiarte nada” na palma da mão esquerda.
   O estribilho de “Limón y Sal” acabou sendo uma senha jogada no Google para eu saber mais sobre esta cantora mexicana, que toca em Porto Alegre em 11 e 12 de maio.
   Faz três semanas e ela ligou para a minha casa (história disponível apenas para mesas de bar). Conversamos e saiu uma matéria, publicada no site um tempo atrás e republicada no Arte & Agenda do CP nesta quarta. Clica aqui e confere.

Futurista, The Black Eyed Peas toca para 10 mil em Porto Alegre

Fergie foi a musa da noiteApesar de não ser fã, esse era um show que sempre tive vontade de ir. No último sábado, na passagem deles por Porto Alegre, cobri para o CP. E trata-se de um baita evento. Se puderes assisti-los, caro(a), leitor, vá. Abaixo, a matéria da apresentação. A foto é do parceiraço Mauro Schaefer.

   Por cerca de duas horas, o quarteto norte-americano do The Black Eyed Peas colocou Porto Alegre para pular com seus hits, na noite deste sábado, no estacionamento da Fiergs. Pela terceira vez na Capital, Will.I.Am, Apl.de.ap Taboo, e Fergie apresentaram, dessa vez, o show estiloso e futurista da turnê “The E.N.D. World Tour 2010”. A próxima parada do grupo no Brasil será em Florianópolis, nesta segunda-feira.
   Eram 21h10min quando Will.I.Am, último integrante a subir para o palco, gritou pela primeira vez um enrolado “Porto ‘Alegra’” para pôr fim à ansiosa espera dos fãs, que desde cedo já estavam no local. “Let’s Get Started” foi a primeira música, que prontamente colocou os milhares de fãs para pular. Sem perder o embalo, eles seguiram com “Rock That Body” e “Meed me Halfway”.
   Como era esperado, os fãs transformaram o estacionamento da Fiergs em uma grande e animada festa. Dos mais diferentes esteriótipos – desde crianças acompanhados de pais e mães a senhores de camisa e calças sociais – o público cantou junto os sucessos como “Don’t Phunk With My Heart” e “My Humps”, que teve bela e provocante performance da musa da noite, Fergie, novamente loira.
   A cantora, aliás, teve seu auge no show durante a apresentação solo, que cada um do quarteto teve uma. Com “Fergalicious”, “Glamorous” e a balada “Big Girls Don’t Cry” conquistou de vez os presentes, arrancando muitos aplausos – e suspiros da ala masculina. “Wow! This is beautiful”, agradeceu, sorridente, mandando beijos ao fim de sua música lenta.

Estrutura futurista faz público “viajar”

   No final, os fãs foram ao delírio com os hits mais recentes do grupo, “Bow Bow Pow” e “I Gotta Feeling”, que fechou com chave de ouro a apresentação. O show reuniu milhares de fãs e contou com uma megaestrutura. As luzes e as projeções nos telões de LED instalados no palco levaram o público de uma favela carioca, em “Mas que Nada”, até o espaço, no solo de Will.I.Am.
   Os equipamentos – e, claro, a banda – cumpriram a promessa do “E.N.D” da turnê, que significa: “Energy Never Dies” – a energia nunca morre. Em Porto Alegre, pelo menos, foi um elemento constante.

Em teatro lotado, Jorge Drexler encanta fãs

O sorridente Jorge Drexler

Acho que cobertura de shows não é lá muito meu chão. Fiz o texto, li, reli. Não sei se era para ser bem assim, mas gostei. Assim como gostei muito dos dois shows do Jorge Drexler em Porto Alegre, no Festival de Inverno deste ano.


Abaixo, reproduzo a matéria sobre a primeira apresentação, publicada originalmente no site do Correio do Povo. E, fica a recomendação, se ele passar pela sua cidade. Não tenha dúvidas e vá assisti-lo.

   Eram 21h13min de sábado quando começou uma verdadeira sessão de hipnose no Teatro do Bourbon Country. O público, até então bem falante, silenciou. Finalmente o cantor Jorge Drexler subiria no palco dali a poucos instantes e tocaria por mais de duas horas às pessoas que esgotaram os ingressos para as suas apresentações em menos de um dia, na terça-feira. O show marcou a abertura do 5º Festival de Inverno de Porto Alegre. Neste domingo, ele repete a dose, no mesmo local.
   Na capital gaúcha, o músico uruguaio se sente em casa. E já ao desejar boa noite, demonstrou carinho que tem pela cidade: “Muito obrigado por existir”, disse, exibindo a característica simpatia. O espetáculo integrou a turnê do seu mais recente trabalho, “Amar La Trama”, lançado neste ano.
   Quando Drexler começou a entoar acordes aos fãs, silenciosos e atentos, reinventou-se. Desde “Transporte”, a primeira música, até “Sea”, já no bis, o uruguaio, sempre sorridente, fez uma releitura de sua obra. Tocou as canções com novos arranjos e outros ritmos, como o candombe – tradicional no país natal do cantor – e até mesmo bossa nova, em “Don de Fluir” e “Aquiles”.
   Os dois percussionistas da banda protagonizaram um show à parte. Também chamou atenção o trio responsável pelos metais que, em meio à apresentação, não conseguiu voltar a tempo para o seu posto no palco – depois de aparecer no segundo pavimento do teatro – e pegou o próprio Drexler desprevenido. “Isso nunca tinha acontecido antes”, contou, aos risos, o músico em meio a “Uma Cancíon me Trajo Hasta Aqui”. A cena arrancou risos da banda e do público, tornando ainda mais íntimo o show.

Vitor Ramil, é claro

   Já se tinham passado quase duas horas do show quando o uruguaio se despediu pela primeira vez. É claro que voltaria para o bis. E voltou logo a seguir. Com o violão e sozinho no palco, tocou “Soledad”. Na segunda música, já com o retorno da banda, chamou o amigo Vitor Ramil. Juntos, eles cantaram “Astronauta Lírico”, do gaúcho.
   Após o dueto com Ramil, continuou com a música título do mais recente trabalho, “Amar La Trama”, e, finalmente, “Sea”, encerrada com todos na plateia aplaudindo de pé.
   Neste domingo, às 21h, ele retorna ao palco do Teatro do Bourbon para a sua segunda e última apresentação no 5º Festival de Inverno de Porto Alegre. Os ingressos já estão esgotados.

Faz 30 anos, mas ele é eterno

   Poeta, escritor, diplomata, boêmio, crítico de cinema, dramaturgo, criador da bossa nova, criador dos afrosambas, casado nove vezes. Tão plural como o seu nome é o seu legado. Vinicius de Moraes foi tudo isso e sua obra continua viva hoje, passados 30 anos de sua morte, data completada nesta sexta-feira, 9 de julho.

Volto mais tarde e completo, juro!

   Ok, ok, voltei BEM mais tarde do que o anteriormente planejado e – admito – nem sei mais o que escrever. Resta-me, apenas, publicar os meus versos preferidos – mais até que os sonetos – entre a sua larga obra, de “Samba da Bênção“:

Fazer samba não é contar piada
Quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Música nova

   Um dos muitos sonhos (não realizados) que já tive era tocar numa banda famosa. O mais perto disso que cheguei aconteceu em 2002, quando tive uma. Porém, longe de ser famosa. Daquele grupo de adolescentes que pagavam R$ 10,00 por uma hora de estúdio apertado com técnico maconheiro, apenas um seguiu no caminho da música. Felizmente, meu melhor amigo do grupo.
   Hoje a sua atual banda, a Área Restrita, está fazendo um relativo sucesso em nível estadual e, aos poucos, nacional. Legal! Não discuto o som que fazem, mas antes de tudo, torço para que o Mendez torne-se um rockstar para daqui a alguns anos eu possa olhar e dizer: “Tá vendo aquele ali colocando milhares pra pular? Cansou de carregar o contrabaixo que eu tocava”.
   Enfim, piadinhas à parte, mas não é da Área Restrita e nem do Mendez que eu quero escrever… Apenas aproveitei o gancho para falar do caminho que eles percorreram até chegar ao seu relativo sucesso em nível estadual e, aos poucos, nacional: a internet.

   Para se ter noção, caro(a) leitor, passam das 3h30 da manhã e estou na frente do computador, porque acabei de voltar do show do Móveis Coloniais de Acaju. Eles, assim como O Teatro Mágico – e mais outras centenas –, fazem parte de uma nova e interessante geração de bandas.
   Essas, que ao invés de levar seu trabalho às rádios, o disponibilizou para download. Aí, algum amigo ouviu e gostou, então indicou para um conhecido, que por sua vez mandou o link para um outro lá, que enviou o arquivo por MSN a outro contato e assim seguiu. Quando vê, até eu que não tinha nada a ver comprei ingresso e vi o show.
   Não vou nem perder tempo discutindo o poder de transmissão da web, só ressaltar o quanto pode dar certo. Certo? Mas o que seria esse certo? Retorno financeiro ou fãs ensandecidos a milhares de quilômetros de casa (e do computador do qual o arquivo foi colocado para download)?
   O questionamento me ocorreu enquanto os centenas de fãs do Móveis subiam e desciam pulando na minha frente a cada nova música executada minutos antes de eu escrever esse texto. Praticamente a mesma cena – quase uma coreografia – que assisti meses atrás no show d’O Teatro Mágico. Fosse eu esperar por uma rádio porto-alegrense tocá-los, não os conheceria.
   As duas apresentações foram daquelas que a gente só consegue descrever perfeitamente usando alguns palavrões somados a pontos de exclamações. Algo assim: “Puta que pariu!!! Que show do ca-ra-lho!!!!”.
   E, aposto, que esse foi o mesmo pensamento dos fã-clubes paulistas e paranaenses da Área Restrita, a banda do Mendez, que é meu vizinho e já disponibilizou músicas para download a poucos metros da minha casa e, a partir daí, a coisa foi indo, indo de tal forma que até o Faustão já conheceu eles.
   Ok! Fantástico ter fãs – e shows lotados – em lugares diferentes que se toca. No entanto, não os vejo (pelo menos o Mendez) como músicos ricos e famosos. E sabemos que dinheiro e fama são, de maneira geral, medidores de sucesso do pessoal que vive da música.

E aí?

   Com isso, adoraria um músico pra me responder agora: o que é melhor: fãs fiéis em diversos lugares proporcionado pela propagação da internet ou dinheiro oriundo de festivais e promoções de rádios do circuito comercial?
   Além disso, tenho uma segunda pergunta disfarçada na primeira. Tu – músico – o que preferes: a música amplamente difundida na internet, sem quase nenhum retorno financeiro – pelo menos de imediato – ou ela em algum CD protegida por direito autoral e, assim, mais “rentável” ao bolso – porém nem tão conhecida?
   Pra não dizerem que furtei minha opinião, sou amplamente a favor da propagação musical e do download livre. Coincidentemente, a mesma opinião do pessoal d’O Teatro Mágico e do Móveis. “Baixem que é de graça, Pirateiem à vontade” são frases corriqueiras nas apresentações deles.
   Sim! De certa forma é injusto com quem pega no pesado, logo os músicos. Contudo, acredito eu, seja esse o novo caminho. Não existe mais música “protegida” e inacessível. Mais cedo ou mais tarde ela será jogada na rede pelo maior fã da banda, porque ele quer que seus ídolos sejam cada vez mais conhecidos.
   O fã, antes de dar dinheiro, quer dar visibilidade a sua banda favorita e vê na internet a ferramenta mais perfeita para tal.

Último aparte (Ufa!)

   O Teatro Mágico e Móveis Coloniais do Acaju, especialmente o primeiro, não são grupos os quais se possa definir o som com um único estilo, rock, MPB, samba etc. São uma mescla de gêneros – tal qual a internet é? – que me deixa particularmente satisfeito. Agradam muitos públicos, como um dia já foram os populares de ontem.

No tom exato

   Estava levemente apontado para cima, o indicador da mão direita, enquanto a esquerda, semi-fechada, marcava o tempo com constantes estalar de dedos. Um suave sorriso exibia os alvos dentes e a satisfação de estar ali, naquele exato momento.
   À medida que balançava o corpo, os olhos iam se fechando, devagar, lenta e ritmicamente. O movimento a afastava da rotina, de tudo e de todos. Aquela específica música dava-lhe prazer e era isso que importava.
   Todos os problemas e afazeres cotidianos haviam sido barrados daquela casa noturna. E a única coisa que a interessava era a sua música, que a deixava hipnoticamente feliz. Ao menos ali e naquele exato momento.

Três momentos da semana

Segunda-feira (08/09), Teatro do Bourbon Country, 21h30
     Quase havia me esquecido, mas o rock ainda existe. Falo de rock – e não punk, emo e outras diversidades. “Ronquenrol”, brother. The Hives mostrou-me isso. Fui ao show deles com a mesma sensação de quem visita um lugar desconhecido. Pode ser legal, valer a pena, mas, ao mesmo tempo, pode ser uma grandiosa merda… Até baixei umas músicas antes, porém nada que me apetecesse muito. 
     Cheguei ao teatro pasmo, pois recém tinha me dado conta que, pela primeira vez na minha vida, estava indo ao show de uma banda… sueca. ”Será que uma banda sueca faria bem aos meus ouvidos?”, era a minha dúvida, que foi resolvida logo nos primeiros minutos da apresentação. Com a língua enrolada, o vocalista falava a toda hora coisas como: “everybody batam palmas com u The Hives”, “gritaí Pourto Alegrue”, o que só aumentava a integração entre banda e público – já enlouquecido pelos pulos e performances, principalmente, do vocal e do guitarra.
     No fim, da mesma forma como gostei muito de cervejas panamenhas e cubanas, a música sueca agradou-me bastante. Os dois dias seguintes com zumbido constante no ouvido certamente valeram a pena. Como diz o mestre Leonam: “Desculpa, se eu achar outra expressão que resuma melhor, vou usá-la, mas, por enquanto, só posso dizer: ‘é do caralho!!!’” – clica aqui e vê as fotos.
     E, definitivamente, 2008 está sendo o ano em que mais conheci coisas novas do estrangeiro!

Sexta-feira (12/09), redação da RBS TV, 18h15
     Eu, assessor de imprensa da Federação Gaúcha de Judô, Juarez Weinmann, vice-presidente da mesma, e Rochele Nunes, judoca da Ulbra, esperávamos para entrar no estúdio do TV Com Esportes, onde eles falariam sobre o VII Troféu Brasil de Judô, no dia seguinte. Passava um monte de gente, um monte de jornalista que só via pela TV. Só uma eu conhecia pessoalmente: Laura Medina – que, como o sobrenome denuncia, é minha parente, prima da minha mãe.
     Fazia um tempo que não nos víamos e mais tempo ainda desde a última vez que conversamos. Sou muito grato a ela, porque ela sempre me ajudou - principalmente com livros no começo da faculdade. A Laura foi uma das primeiras pessoas que ficou sabendo que eu havia passado no vestibular para jornalismo. Um detalhe, ela é apresentadora do “Vida & Saúde“, programa da RBS TV, trabalha lá há um bom tempo. O sonho de muitos formandos como eu é ser colega da Laura.
     De repente, até poderia ter tentado alguma indicação com ela lá. Acho que, se possível, seria favorecido. Porém nunca pensei assim (burrice, talvez?). No jornalismo, quero formar um nome, uma carreira, com o meu trabalho e não por pistolão. E isso que estava acontecendo naquele momento na redação da RBS. Disse que era o assessor daquelas pessoas ali e o sorriso da Laura tornou-se permanente para mim.
     Pode não ter sido nada demais, apenas impressão, mas eu senti uma ponta de orgulho ali. Orgulho de mim! Dela comigo. E isso, confesso, me deixou feliz também.

Sábado (13/09), no carro indo para o Menino Deus, 22h47
     Desliguei o meu notebook às 22h36, horário em que o trabalho do estagiário da Assessoria de Imprensa da Sogipa terminou. O dia foi corrido. Teve competição importante de judô que, pela primeira vez, o clube saiu como campeão. Fiz a cobertura para o site durante nove horas do ensolarado sábado porto-alegrense. Fiquei mais tempo assistindo a lutas de um monte de atletas, sem sequer conhecê-los, do que com meu pai - que mora a 500km de mim e naquele momento estava a 5km, que eu não o via há dois meses e que ia embora dali a 20 horas. Foi cansativo, foi duro, mas cumpri o meu dever. Encerrado o “expediente”, ainda jantaria com o meu velho e, logo depois, iria a uma festa para ver minha namorada.
     No carro, indo buscar meu pai, lembrei da cena ocorrida minutos antes, na Sede Social. Entrei atucanado para publicar logo o bendito texto. Pedi licença, com o computador na mão, e fui a uma pequena sala com parede de vidro. De jeans e casaco, era observado com certa estranheza por pessoas de smoking e vestido longo na fila para entrar no Baile de Debutantes. Eu chamaria mais atenção do que um et verde naquele momento. Mas, azar. “Assim que se aprende”, como disse meu chefe.
     Em meio a algumas risadas por causa dessa lembrança, cansado, recém-saído do trabalho e com compromissos boêmios pela frente, senti o que realmente sou e nasci para ser um jornalista.

Música Popular Brasileira?

     Caro(a) leitor, por favor, responda-me: o que é MPB? Tá, que é Música Popular Brasileira eu também sei, não sou nenhum asno. Refiro-me, mais especificamente ao ‘popular’ dessa sigla. Pergunto a tua opinião, porque vejo um paradoxo gigante.
     Antes de explicar o porquê, me deixa apresentar a minha visão sobre MPB. Pra mim, é aquela música mais acústica, embalada. Samba, bossa nova. É uma arte de encaixar melodias ótimas e letras agradáveis, inteligentes e brasileiramente malandras. Um misto de samba de preto velho com maracatu, talvez.
     Recorro ao dicionário do Uol para saber o que é popular. Ele me apresenta algumas definições. Tais como: “3. Que é do agrado do povo. 4. Democrático”; A última afirma: “Nos estádios desportivos, as acomodações de menor preço.”
     Logo, se popular for, teremos que usar a mesma classificação para músicas de João Gilberto e qualquer MC da moda. Ambos têm milhões de seguidores que sabem de cor as suas músicas – e coreografias, se forem o caso. São do agrado do povo, ora.
     No mínimo, isso é paradoxal, não acha? E eu não citei outros exemplos democráticos como Calipso, Bruno e Marrone, Turma do Pagode e por aí vai. E ainda tem a maldita Ivete.
     Dissertemos mais. O que as músicas de Paulinho da Viola e Nara Leão têm em comum? São populares, MPB. E, pela definição do dicionário, espetáculos de cunho popular deveriam ser baratos, já que, adaptando, são conceituados “acomodações de menor preço”.
     Pois bem, agora me explica porque os ingressos, tanto para ver a Fernanda Takai cantando a Nara e o Paulinho apresentando seu acústico tinham como preço mínimo, R$ 50,00 – bem longe do palco, claro. Esse valor é uma considerável parcela do salário mínimo brasileiro.
     Quem viu Chico Buarque em Porto Alegre no ano passado desembolsou cerca de R$ 200,00. Ainda há outros vários exemplos de sambistas ou bossa-novistas ‘populares’ que passaram por aqui a preços exorbitantes. No nível que está, achei baratíssimo, realmente ‘de barbada’, os R$ 40,00 cobrados para ver o Jorge Ben Jor, na última passagem dele pela capital gaúcha.
     Agora, me explica. Seria isso um fenômeno apenas porto-alegrense? Ou será que Paulinho da Viola, Jorge Ben Jor, Chico Buarque, João Gilberto e outros desse nível deixaram de ser popular para virar elite?
     Se sim, não fazem mais parte da MPB. Se não fazem mais parte da MPB, essa é só constituída por músicos sertanejos, pagodeiros e funkeiros em geral, realmente populares. E se MPB for isso, sinceramente, eu não gosto de MPB.

ps: reconheça-se. Muitos dos artistas citados acima realmente deixaram de ser populares. Uma vez que, depois de ricos, tornaram-se esnobes, para não dizer chatos e já não lembram mais o que eram no início de suas carreiras.

Nota: se não me engano, é a Hits Produtora a mentora de um projeto interessante: “Samba no Teatro.” Ela foi a responsável pela vinda de grandes nomes da música brasileira pra cá. Ok, muito legal, mas se for em teatros, não há chances de um preço barato, acessível a maioria do público que tornou o samba popular. Isso não é no mínimo injusto?

E em seu louvor hei de espalhar seu canto

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     Assisti ao documentário Vinícius nessa semana de férias. Sensacional. Imperdível para qualquer pessoa apreciadora da boa música e de textos e poesias de qualidade acima da média.     
     Já na capa do dvd, uma indagação bem ao estilo de Vinícius de Moraes: “Quem pagará o enterro e as flores, se eu morrer de amores?” Genial, genial, como quase todas palavras proferidas pela boca deste homem.
     Vi o filme e me lembrei de uma frase que Albert Einstein disse sobre Mahatma Gandhi, mas que serviria perfeitamente para o poetinha: “As gerações por vir terão dificuldade em acreditar que um homem como este realmente existiu e caminhou sobre a Terra.”
     Enfim, se tu, caro (a) leitor, ainda não assististe, não perca tempo e alugue o dvd. É, simplesmente, Vinícius…     

     Conheça mais: na Wikipedia e no site oficial dele.

Epopéia Jorge Beniana

     Eu, como a maioria, gosto de Jorge Ben Jor. E, assim como a maioria também, não tenho lá muitas oportunidades de vê-lo ao vivo, porque raramente ele toca em Porto Alegre, além disso, muitos dos seus shows são em eventos vips – coisa que, definitivamente, não sou. Por isso, resolvi dar uma de fã e encarar uma indiada daquelas para assisti-lo no Planeta Atlântida de Florianópolis. Embora já (faz algum tempo) não tenha idade para isso. 

O Planeta Atlântida. Ou “Por causa de você…”
     Pra quem não sabe, o Planeta Atlântida era um grande festival de rock aqui do sul, realizado pela rádio Atlântida (criativo, não?). Digo era, pois a Atlântida há muito deixou de ser uma rádio rock – hoje toca até funk na sua programação – então o Planeta virou mais um festival musical, cada vez mais aos moldes do que tem na Bahia.
     Já gostei muito de ir ao Planeta. Ansiava quase um ano para que chegasse o grande momento. Era o máximo. Sujeirada, mulherada, pegação e, de quebra, alguns shows nacionais. Uhuu! Mas isso aconteceu no auge da minha adolescência. Pouco antes e logo depois do Brasil ser pentacampeão mundial de futebol.
     Hoje não mais. Por acaso, até fui no ano passado. Ou melhor, o meu corpo esteve presente. Em meu álcool havia muito sangue. Quer dizer, o contrário. Ah, vocês entenderam… O problema é que Jorge Ben Jor ia tocar nesta edição. O cara que embala todas minhas noites aventuradas e desaventuradas na cidade baixa. Tinha que ir. Era uma obrigação.

O dia. Ou “Chove chuva…”
     A chuva que caía em Porto Alegre na manhã de 11 de janeiro era desanimadora para a realização qualquer ato fora do leito. Coincidência ou não, nem ouvi meu despertador tocar e quase me atraso pro trabalho. Tive que ser macho o suficiente para encarar aquele tempo fulo e ir a labuta. Lá, dei um jeito e fiz o que tinha para fazer em 8 horas em 5. Mazá! Às 15h20min, rumei ao aeroporto, para dali a 40 minutos embarcar rumo a Ilha de Santa Catarina.
     Chegando ao Salgado Filho, uma surpresa. Onde está a maldita fila para o meu vôo? Última vez que viajei de avião – registre-se: pela Gol – mofei na fila até 15 minutos antes de embarcar. Dessa vez, não. Preocupação. Dirijo-me ao check-in da Tam e tenho uma péssima notícia: meu vôo sairia na hora. Por quatro minutos o perdi. Puta-que-o-pariu, cadê o caos aéreo??? Tive que esperar mais duas horas no aeroporto por causa dessa pontualidade. Menos mau que portava o “Noites Tropicais”, do Nelson Motta, e isso colaborou para o tempo passar mais rápido.

O vôo. Ou “A girar… Que maravilha”
     Viajar de avião é algo único. Principalmente pra Floripa, cuja duração do vôo é 40 minutos, a medida certa para não encher o saco das alturas. O legal mesmo ficar na janelinha. Lá cima, tudo é diferentemente menor.
     As nuvens então. Capítulo a parte numa viagem de avião. Elas têm fases à medida que se vai subindo. A primeira dela é a encardida. Logo depois da decolagem, todas parecem estar meio sujas – ou pelo menos pareciam, já que o tempo não tinha firmado ainda. No entanto, é só subir mais um pouquinho que todas embranquecem de vez. Alvas como propaganda de Omo Progress. A fase seguinte é o Éden. O Sol refletindo nas nuvens e brilhando, parecido com quadros paisagísticos-religiosos que minha avó tinha em casa, desses que dão esperança de que os problemas têm jeito e todos podemos ser felizes. Sensacional, essa visão. Até se tornar monótona e perder a graça. Aí é hora de olhar para outra coisa. 
     O avião que estava dispunha de 11 canais de ‘rádio’. Interesso-me pelo canal três, cuja programação, segundo a revista, anunciara Maria Rita em ‘Samba Meu’. Tri! Queria mesmo conhecer esse disco. Conecto o fone e mesmo com seus dois plugs, havia um mau contato leve, porém irritantemente percebível, daqueles que a única solução é ficar apertando de uma maneira mágica. Azar! Funcionava, ao menos.
    O locutor começa: “alô amigos passageiros da Tam, hoje faremos um especial de uma dupla muito especial” – Putz! Duplas especiais… – “Sandy e Júnior!!!”. Merda. Ao invés da filha de Elis Regina, os filhos do Chitãozinho (ou seriam do Xororó?) no canal 3. Recorri a outro canal de música imediatamente.
     Não sei se foi o lanche servido pelas lindas aeromoças ou os milhares de pés de altura que provocaram um mal-estar súbito na passageira alocada na minha frente. Mas quando ouvi aquele barulho – um som intraduzível para onomatopéia – e senti um cheiro nojento de vômito, percebi que os últimos minutos de vôo seriam longos. Éca!
     De repente, o alvo fica escuro. Começamos a descer. Turbulência, cheiro de vômito, poltrona na posição vertical, que esse avião chego logo, pelamordedeus!!!
     Quando já era possível avistar a ponte Hercílio Luz e nitidamente acontecia a aproximação do solo – no caso, mar –, o avião sobe. E certamente não seria porque a música do Seu Jorge estava boa no meu fone de mau contato. Medo! Não foi bem uma arremetida, mesmo assim: medo! A aeronave sobrevoa Florianópolis. Aos poucos, o temor foi sendo substituído pela tietagem na janelinha. Paisagem linda e, nesse momento, me dou conta que minha câmera está a 500km de mim. Lá de cima, vejo minha casa, o Campeche, o Morro das Pedras, as pontes, tudo isso. E minha câmera a 500km de mim… Que merda mesmo.
     O comandante, enfim, nos explica o motivo da manobra: tinha um outro avião na pista na hora do pouso. Se ele descesse, talvez acontecesse um acidente. Ah, então é aqui que está o caos aéreo!!! Eu sou um azarado mesmo.

A noite. Ou  ”Prudência e dinheiro no bolso não faz mal a ninguém”
     Toquei o solo florianopolitano às 19h23min, quase duas horas depois do planejado. Chovia. E Planeta com chuva é motivador. Para ficar em casa. Como disse, já não tenho mais idade para isso. Tudo bem, não era agora que ia desistir, o Jorge ia tocar logo mais.
     Na ilha, precisava resolver alguns tramites pessoais e burocráticos. Um deles, era a questão da locomoção. Para quem não conhece, Florianópolis é uma cidade onde tudo fica longe de tudo. Inclusive o local do show da minha casa. Não tinha tempo para caminhar 30km, portanto precisava de um carro. O da minha irmã, que é um pessoa humanamente subornável, surgiu como uma boa opção. Lataria pouco amassada, pneu meia-boca, mas andava, oras. Depois de uma rápida negociação, fui-me.
     Assim que comecei a dirigir o automóvel, Chorão, do Charlie Brown Jr, dava boa noite pra ‘galera’. A banda fez o último show antes do Jorge, ou seja, tinha pouco tempo, já que estava no continente, teria que ir até o norte da ilha pra buscar o meu amigo – e também fã do Jorge – Rodrigo, voltar um pouco para o sul, estacionar, trovar cambista, comprar ingresso e entrar. Um dia farei as coisas com um pouco mais de planejamento, prometo.
     O percurso ia tranqüilo rumo a canasvieiras. A estrada meio cheia, claro, porém, estava andando e isso me aliviava. O Charlie Brown fazendo um show muito parecido, com as mesmas falas entre as músicas, as mesmas marras e mensagens da época que eu era fã deles – no tempo que eu gostava do Planeta. Pouco antes da entrada de Jurerê, o engarrafamento previsto. Tudo bem, já esperava. O problema é que tinha ambulantes vendendo água na beira da estrada e caminhando por ela – o que já é bem ruim –, sinal de trânsito lento. Só que, pior ainda, é que eles estavam andando vaga e distraidamente e, ainda assim, mais rápido que o meu carro. Tensão, tensão.
     Numa velocidade pouco maior que a inércia, rodei 10km. No momento que Chorão acabou o show, passei na frente do Planeta. Podia ter marcado com o Rodrigo ali mesmo, canasvieiras não era longe. Mas não. Por que eu faço tudo em cima da hora sempre??? Segui mais alguns minutos até encontrar meu amigo. Quando ele entrou no carro, percebi que daria tempo pra chegar lá e ver a tão esperada apresentação.
     Acelero rumo ao Planeta. Vai dar, vai dar. O Jorge já está para entrar no palco. Acho um buraco – pago, obviamente – para deixar o carro. A banda começa a se posicionar. Desço do carro, a mulher me pede ‘vintão’ pelo estacionamento. Jorge começa a tocar sua guitarra. Descubro que os cambistas querem R$ 100 pelo ingresso, porque ‘tem Ivete depois’. O público vibra. Eu desanimo. Todo mundo canta. Eu vou embora. Frustração…

Sin perder la ternura jamás. Ou “Pelas moças bonitas, eu vou torcer”
     O que fazer? O relógio marcava 23h, cedo ainda. Se não vamos até Jorge, ele que venha até nós. Pelas ondas do rádio, sem graça, mas, um tipo de consolo. Acabamos indo para um boteco em Jurerê Internacional tomar uns chopes. A todo momento, o Rodrigo suspirava: “Logo hoje, que até me vesti de planetário?!”. Sim, ele estava mal-vestido, coitado.
     Depois de dois chopes e conversas acerca de diversos assuntos, saímos de lá. Dirigimo-nos para o lugar mais portenho de Santa Catarina: canasvieiras. Não me pergunte o que fazia ali, também não sei. Sorvi uma cerveja quente de marca desconhecida em uma birosca de oitava categoria e tendo o espanhol como língua principal. Situação periclitante.
     Eis que chegam três gringas, faceiras e a fim de papo. Descobri que conversar com argentina bêbada é uma coisa difícil. Tanto em espanhol como inglês – português é impossível para elas. Insisti dez minutos. Queria um consolo para minha frustrada tentativa de ver o show, entretanto uma hora é preciso aceitar a derrota. Essa hora chegou quando a argentina feia e de verruga no nariz aproximou-se perigosa e maldosamente de mim. Aí sim, percebi que a noite tinha chegado ao fim. No outro dia teria que voltar a Porto Alegre. De fusca, ainda. Porém, a história deste possante fica para o próximo post.
     Enfim, maldita seja a Ivete!