Uma gata na minha pauta

Ainda que oficialmente ele não sirva para muita coisa, tenho o meu diploma de jornalista há três anos e cinco meses. O tempo de carreira ainda é ínfimo para o que imagino e pretendo ter. Mas suficiente para tornar a surpresa algo corriqueiro. Afinal, disso que é feito um jornal.

Todo o dia é algo novo. Porém hoje aconteceu algo que na minha cabeça soava como inimaginável para uma cidade pseudometrópole como Porto Alegre. Algo que imaginava apenas em quadrinhos infantis: bombeiro salvando gatos em cima da árvore.

Assim que o telefone da fonte caiu na minha mão, imaginei que em cinco, oito linhas tudo estaria resolvido. Que nada. Porto Alegre faz parte do Rio Grande do Sul, tinha polêmica, como todo e qualquer assunto neste estado.

O resultado, publicado no site do CP, está aí embaixo:

Gata é resgatada após ficar seis dias presa em árvore em Porto Alegre

O que parece história de desenhos animados aconteceu em Porto Alegre, nesta segunda-feira. Na manhã de hoje, bombeiros escalaram uma árvore para resgatar de lá uma gata de rua, que estava entre os galhos. Só que a bichana ficou por lá seis dias, período em que a temperatura e o clima variaram bastante – inclusive hoje foi o amanhecer mais frio do ano na Capital, com 5,5°C .

Em prol da gata, uma verdadeira mobilização na internet foi realizada. E ela começou com a nutricionista da Ufrgs Rita Cherutti. Ela conta que chegou ao local do incidente, a rua Andaraí, na zona Norte da cidade, após ligação de uma amiga. A situação em que o animal se encontrava preocupou Rita, dona de cinco gatos: “Todos retirados das ruas”.

• Blog registra em vídeo resgate da gata

Desde a noite de domingo, Rita e um grupo de amigos começou a ligar para o Corpo de Bombeiros, que chegou a ir ao local. Em uma primeira tentativa, a cada vez que os bombeiros se aproximavam da gata, ela subia para mais alto da árvore, ultrapassando o limite das escadas. “À noite, eu estava embaixo de edredons na cama com meus filhos mais cinco gatos e sentíamos frio. Imagina ela, lá em cima”, compadeceu-se Rita.

O capitão do Corpo de Bombeiros Marcos Paz explica que o grupo não tinha disponível equipamento do tamanho necessário para a operação e por isso que a operação precisou ser adiada para a manhã de hoje. Segundo o oficial, as escadas medem cerca de 9,5 metros de altura e o animal já se encontrava a 15 metros do solo. O caminhão com auto-escada poderia chegar até o topo, mas devido a questões logísticas, seu uso seria impossível no local. “Era necessário que o homem estivesse na escada para poder resgatar a gata”, acrescenta o capitão.

Foi o que enfim ocorreu na manhã desta segunda-feira, quando o Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros, usando trepas, subiram na árvore. Assustado, o bichano se afastou ainda mais, até onde não havia mais para onde ir, sendo finalmente resgatado. Depois da operação, a gata ficou aos cuidados do professor da Ufrgs Renato Zamora. O resgate foi acompanhado por Rita, que cancelou os compromissos da manhã e ver o salvamento.

Reclamações quanto a atuação dos bombeiros

Apesar do final feliz, Rita reclamou da falta de apoio das autoridades. Segundo ela, na noite de sábado, os bombeiros se negaram a realizar a ocorrência, o que é desmentido veementemente pelo capitão Marcos Paz: “Bombeiro não se nega a atender nenhum tipo de ocorrência”.

A mulher também conta que ligou para a Secretaria Especial dos Diretos dos Animais e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Ambos órgãos da prefeitura teriam lhe respondido que o atendimento só poderia ser realizado pelo Corpo de Bombeiros.

“Muitas foram as ligações de moradores do bairro, e outras pessoas envolvidos com o sofrimento do pequeno ser, porém muitos poucos realmente fizeram alguma coisa”, desabafou ela, no Facebook. “Quem ama animais e resgata sabe a dificuldade que é conseguir pessoas que realmente queiram ajudar.”

De acordo com o comandante do primeiro comando regional dos bombeiros, tenente coronel Roge, o resgate de animais não é necessariamente um trabalho dos bombeiros. “Fazemos o serviço até para evitar que alguém suba querendo salvar e acabe se machucando, mas não temos equipamento para tanto”, diz. Conforme ele, a responsabilidade nesse caso é do GBS. No entanto, o oficial não sabe informar porque os atendentes do 193 não chamaram o batalhão adequado e a gata ficou tanto tempo sem água, comida ou maneira de descer.

“Gatos não descem, eles vão derrapando e caem. As unhas deles são projetas para subir, não para descer. Ele ia pular, e morrer”, esclarece Rita.

*Colaborou a repórter Leda Malysz

Das coisas que ficam para trás

Foi meio que sem querer que entrei na rua Dona Augusta numa tarde de fevereiro e me deparei com aquele clarão. Uma luminosidade estrondosa que eu não havia reparado na minha vida inteira. Algo estava diferente. E, de fato faltava um integrante do cenário. Ou melhor, ele ainda estava sendo retirado. Uma estrutura fincada no bairro Menino Deus havia mais de 80 anos, o Estádio dos Eucaliptos.

Para quem não sabe, os Eucaliptos foi a casa do Inter entre 1931 e 1969. Sediou dois jogos da Copa do Mundo de 1950. Para quem não sabe, meus avós moraram por quase toda a sua vida na rua Dona Augusta, defronte a um dos portões do estádio, até morrerem, em 2010 e 2011.

Desativado há mais de quatro décadas, o Eucaliptos passou por diversas fases nesse interim. Chegou a ser até um autódromo durante um tempo. Fazia uns dez anos sediava quatro quadras de futebol sete. Antes, em 1999, teve um suspiro de vida, ao ter seu campo principal reformado, recebendo até um jogo amistoso do time principal do Inter.

Ao contrário de toda a mídia que a novela da assinatura do contrato de remodelação do Beira-Rio – o estádio sucessor – a demolição dos Eucaliptos não teve aviso de pauta, palavra de autoridades nem enrolação. Quase que de um dia para outro, grandes máquinas entraram em no gramado (àquela altura transformado em matagal) por onde já desfilaram centenas de craques. Em questão de uma semana, os antigos pavilhões já não passavam de amontoados de vigas, concreto e tijolos.

E a rua Dona Augusta, acostumada a passar as tardes à sombra das arquibancadas, reencontrou o sol. Ao menos por ora, enquanto não brotam ali seis ou sete torres residenciais, que por certo haverão de causar um pouco de tumulto no bairro Menino Deus.

Cerebral Larry

Pego de contrapé com a demolição, tentei produzir uma matéria especial, ao menos para registrar uma despedida do Eucaliptos. Por uma dessas forças maiores que acontecem em redações, ela acabou não vingando.

Por sorte, teve gente que não desistiu, como o pessoal do blog Impedimento. Eles fizeram um HISTÓRICO documentário com o ex-atacante Larry Pinto de Faria, dono do apelido Cerebral Larry – o que convenhamos não é para muitos.

No início do mês, também tive a oportunidade de entrevistar Larry, em uma matéria bem mais humilde. Um senhor simpático, atencioso e cheio de histórias para contar. A que ele me contou foi a vez que ele ganhou de 5 a 1 do Santos. O do Pelé. Dessa vez foi para o ar.

Onde fica(va) o Eucaliptos


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La Prensa argentina – uma pequena reflexão comparativa de domingo

   O taxista já havia avisado – como se os cartazes e pichações não deixassem claro: o argentino é um ser muito politizado. Muito, e em razão disso, explicou, é porque lê bastante jornal. Procuram se informar do que passa pela Casa Rosada e demais arredores do poder.
   A edição do Clarín de domingo, 20 de março, ilustrou a fala do taxista. Já a primeira das 88 páginas de muito conteúdo trouxe uma manchete causadora de alguns cabelos brancos na cabeça de Cristina e seus assessores – investigando a ligação da família Kirchner com traficantes. Outra matéria avisava sobre uma rota que tem sofrido com assaltos nas proximidades portenhas. Nos esportes, uma editoria plural. Houve notas de 14 modalidades diferentes, após quatro (haja assunto!) páginas exclusivas sobre o jogo entre Racing e Boca, na noite anterior. Além, claro, da cobertura sobre o evento tangueiro no Obelisco (que será assunto do próximo post).
   Agora vamos comparar com os jornais brasileiros. A edição dominical da maioria deles, nos quais se incluem os principais, fica pronta no sábado pela manhã e circula nas primeiras horas da tarde. Denúncias contra governos e afins? Difícil! Mais arrevistada, a edição de domingo costuma apostar em reportagens atemporais. Quanto ao que aconteceu no sábado à noite, o leitor só saberá na segunda-feira ou pela internet. Os esportes basicamente se resumem a futebol.
   Detalhe a ser considerado: o Clarín e a Cristina Kirchner não têm boas relações. Mas isso é de conhecimento geral e aberto. Logo, não é de se surpreender que o jornal procure, fuxique e talvez até amplie quaisquer denúncias contra a presidente.
   Aqui no Brasil muitas publicações, pra não dizer todas, têm linhas políticas determinadas pela direção, mas nem todas abrem isso, percebendo apenas nas entrelinhas. Também se dizem “imparciais” – mito que todo estudante de jornalismo ouve e defende.
   Algumas revistas criticam ou defendem bastante, porém não se posicionam oficialmente quando o assunto é política. Resultado: confusão na cabeça de quem paga para lê-la.
   Sinceramente, não sei qual postura pode ser considerada melhor – ou menos pior: a crítica aberta, com a possibilidade de matérias tendenciosas, ou uma imparcialidade disfarçada, na qual só o leitor mais atento percebe.
   Noto que as faculdades do Brasil insistem na segunda opção, até porque a primeira não se desenvolveu muito nas bandas tupiniquins. Acho que a mídia brasileira precisa ampliar suas experiências.

“Ninguém sabe o que vai acontecer no país”, relata gaúcha que mora no Egito

Administradora Vanuta Kich acredita que manifestantes não irão ceder ao presidente Hosni Mubarak

   “Era para eu estar passeando nesta semana e tirando fotos”, lamenta a administradora Vanuta Kich, 23 anos. Gaúcha de Rosário do Sul, ela vive no Cairo, capital do Egito, desde abril do ano passado, onde participou de um intercâmbio, cujas atividades terminaram na última semana, justamente quando começou os conflitos no país, com a população saindo às ruas pedindo a saída do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.
   Em entrevista ao Correio do Povo por telefone na noite desta quarta-feira, ela relatou como está o seu cotidiano no país, onde ficará até a próxima semana, quando retorna ao Rio Grande do Sul. Com voo confirmado, ela diz que a embaixada brasileira não lhe passou nenhuma recomendação especial, embora a grave crise no Egito já tenha deixado centenas de feridos e pelo menos três mortos. Enquanto isso, ela procura ficar no seu apartamento, onde é resguardada por vizinhos que montaram guarda para evitar ações de vândalos.

Situação de Hosni Mubarak

“Está chegando a um extremo que os manifestantes não vão abrir mão. Eles não querem nenhum tipo de desculpa para o Mubarak ficar até o final do mandato. O presidente já falou que não vai se recandidatar, mas o povo não está muito crente, porque não é a primeira vez que ele fala isso. Eles querem que Mubarak saia agora. Enquanto o presidente não sair, os manifestantes não vão parar. Está uma indefinição total e ninguém sabe o que vai acontecer no país. Em geral, as pessoas estão respeitando o toque de recolher, mas o pessoal que está na praça Tahrir não está abrindo mão, eles estão inclusive dormindo lá.”

Internet e telefonia

“Sexta-feira parou de funcionar a internet. Hoje (quarta-feira) voltou por volta das 14h. O telefone ficou sexta e sábado fora. Nem ligações dentro do país funcionavam. No domingo voltou, mas a conexão não era muito boa. Funciona melhor à noite. Mensagens por SMS não funcionam.”

Meios de comunicação

“O canal local da televisão está funcionando, mas não sei sobre os jornais impressos. Acho que não. O discurso do Mubarak e o anúncio do toque de recolher foram transmitidos também por alto-falantes – os mesmos que anunciam os horários de reza para os muçulmanos. Durante o tempo em que a internet estava fora, ficávamos sabendo das noticias através do canal local, embora em árabe, e por amigos egípcios que iam nos atualizando. Agora, a notícia circula pelo Facebook e acompanhamos também pelo CNN e Al Jazzera online.”

Vândalos

“A gente vê homens de guarda no prédio, com pedaços de pau e pedras para protegerem seus prédios. Estavam entrando nos prédios e arrombando casas. Vândalos entraram no Carrefour, sacaram mantimentos e destruíram tudo.”

Barreiras nas ruas

“Andar na rua é um pouco perigoso. A cada quadra tem grupo de moradores ou exército, checando o que tem dentro e pedindo documento. A nossa rua (Ahmed Zomor) é muito movimentada normalmente e hoje não passa nada.”

Supermercados

“Eles funcionam entre às 9h e 12h – o horário permitido para sair na rua durante o toque de recolher é entre 9h e 15h. No início da semana, quando nós fomos, foi a época que o pessoal começou a falar que iria ter o toque de recolher, e era necessário se prevenir com estoques. Demoramos três horas para conseguir fazer compras. Havia pessoas brigando e corre-corre. Agora, já reabasteceram os mercados.”

Falta dinheiro em circulação

“Os bancos não estão funcionando desde quinta-feira e nem mesmo os caixas eletrônicos. Se tu não tem dinheiro em cash, esquece. As lojas também, em sua maioria, estão fechadas. As empresas estão em recesso desde a semana passada também.”

*Colaboração do jornalista Thales Barreto

**Matéria originalmente publicada no CP, na noite de 2 de fevereiro. Graças ao Thales consegui o contato com a Vanuta, feito por telefone, cuja qualidade da ligação estava excelente, embora o caos no país.

Administradora Vanuta Kich acredita que manifestantes não irão ceder ao presidente Hosni Mubarak

Uma viagem ao país mais fechado do mundo

…Ou retratos do comunismo, que você já viu aqui também

   Sair do Brasil e ir para um país de regime fechado como a Coreia do Norte é mergulhar em uma realidade totalmente diferente. Ao contrário da democracia brasileira, os norte-coreanos vivem sob a batuta comunista de Kim Jong Il.
   Para chegar a Pyongyang, arcando com as próprias despesas, a delegação do Atlético de Sorocaba precisou sair de Pequim e, da capital chinesa, embarcar no único voo internacional que vai até a Coreia do Norte.
   “Tivemos que ir à China, esperar o visto. Quando chegou, (o visto) era de apenas quatro dias. Embarcamos na manhã seguinte em um avião russo da metade do século passado”, relembra o ex-vice-presidente do clube paulista, Waldir Cipriani. “Nosso técnico na época não quis nem provar a comida oferecida. Passou o tempo inteiro com os olhos fechados.”
   E, na viagem, não apenas o transporte foi uma dificuldade. “Quando chegamos, verificaram se todos estavam ‘dentro dos critérios’”, relata Cipriani, sobre o fato que deixou todos os jogadores bem apreensivos. Ele também revela que as bagagens da delegação foram detalhadamente conferidas.
   Câmeras fotográficas e celulares foram artigos proibidos. Internet, telefone era algo inacessível mesmo no hotel, nem para comunicar a família que a viagem transcorreu bem. “Além disso, nossos passaportes não que ficaram retidos, mas bem guardados por um funcionário do governo.”
   O treinador do Atlético de Sorocaba na época, o ex-jogador Edu Marangan, recorda – em entrevista à Rede Record – a principal sensação que teve na Coreia do Norte: “Você chega no aeroporto e dá de cara com o Exército”, revela. “Parece que você é vigiado durante 36 horas num dia.”

Sugestão: Leia essa matéria aqui, publicada no CP

Quando as máquintas têm que parar

   “Caralho!!! São Paulo está TODA sem luz. Derruba a capa agora e vê o que aconteceu, por que tá assim? O Rio também tá?! Puta que pariu, arranja foto de uma vez! O ministro vai falar na TV daqui a cinco minutos, atenção. Itaipu tá funcionando? E furnas? Olha ali, tem um cara de uma tal de ONS falando – que porra é essa??? Presta atenção, presta atenção. E começa a escrever de uma vez que já é quase 11 da noite!
   Parem as máquinas!!!”

   E mais ou menos nesse clima que foi meu final de expediente de terça-feira, 10 de novembro, o dia do apagão no Brasil. Pra quem não sabe, “Parem as máquinas”, é um famoso jargão jornalístico. Uma cena na qual todos, ou quase todos, os jornalistas gostariam de presenciar.
   Explico para o leitor leigo. Imagine mais ou menos assim: jornal já rodando, imprimindo milhares de exemplares por segundo, mas daí chega uma notícia bombástica de última hora. O editor/repórter desce até a impressão e grita o tal famoso jargão. Para tudo em nome da notícia. Em nome da informação.
   É claro! Isso não acontece todo dia – nem todo mês e às vezes nem todo ano. Quase nunca. Fez parte de uma era romântica da profissão, lá por meados do século passado. Quando as notícias eram redigidas no cleck-cleck da máquina de escrever e internet como é hoje não tinha nem nas naves intergalácticas dos seriados americanos da época.
   O episódio do blecaute foi o primeiro grande evento desses na minha ainda curta carreira. Quando a notícia que a luz se apagou nas dusa maiores cidades do Brasil chegou à redação do Correio do Povo, onde trabalho, o jornal impresso do dia seguinte já estava pronto e, provavelmente, alguns já sendo impressos.
   Na minha área, a internet, era apenas mais uma noite tranquila. Era! A velocidade do meio transformou a calmaria em furacão em questão de minutos. Com a sombra da concorrência, cada instante tornou-se importante. Até nós – e boa parte dos colegas – entender o que houve, já havia se passado quase uma hora.
   Nesse tempo, muitas matérias foram publicadas e ligações, feitas. Atingiu o Rio Grande do Sul? Aonde? E o aeroporto, teve voo atrasado? Foram cinco, sete, nove ou dez estados atingidos, afinal? Mesmo com o intensificar da cobertura, surgiam – e até agora ainda surgem – mais perguntas do que respostas.
   Os conhecimentos de quatro anos em que estudei para ter o meu diploma (que hoje dizem que não vale nada) foram basicamente todos resumidos em poucas horas. Não fosse por eles certamente o trabalho ficaria comprometido. Ainda que tenha sido uma verdadeira aula de jornalismo, requereu bastante embasamento.
   No fim das contas, acho que conseguimos fazer uma boa cobertura – que se estendeu por mais horas após o fim do expediente daquela noite. Fiquem à vontade pra conferir, clicando aqui.

Nova empreitada

cp   Entrou no ar, pouco depois das 19h dessa quinta-feira, 1º de outubro, o novo portal de notícias do jornal Correio do Povo. Pra quem ainda não sabia, estou trabalhando lá e a página, na minha opinião, ficou bem bacana. Confiram em www.correiodopovo.com.br
   Logo para a estreia, fiz uma entrevista bem interessante com o Duda Kroeff, presidente do Grêmio, que tu, caro(a) leitor, pode acessar clicando aqui.
   Críticas, sugestões e até mesmo elogios aceito por aqui ou por e-mail.

Como se daria a separação

   Para a organização, ser brasileiro e ser gaúcho são duas coisas diferentes e é impossível conciliá-las, como acontece hoje. O pensamento vai contra a própria Constituição Federal do Brasil, que diz, em seu primeiro artigo: “República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal”. Para considerar a sua existência legal, o MRR apela para os artigos que defendem a liberdade de expressão e o poder de decisão por meio de plebiscito.
   Segundo Romualdo, a separação do Brasil seria viável depois de dois passos: conscientização do povo gaúcho e plebiscito. O trabalho do MRR está atualmente na primeira etapa. “É preciso criar uma consciência de nação”, analisa o ativista. Em seguida, depois de o povo já estar com essa mentalidade, aconteceria o plebiscito solicitando a exclusão do Rio Grande do Sul do Estado brasileiro. Após a vitória, forma-se o novo país.
   Entre a primeira e a segunda fase desse processo, o grupo pediria apoio de órgãos internacionais, como a Unrepresented Nations and Peoples Organization (UNPO) – braço da ONU para regiões que desejam separarem-se de seus países. Na tradução: organização de nações e pessoas não-representadas.
   Tudo isso de forma pacífica. O MRR não prega o uso bélico para alcançar as suas metas, inclusive, o associado que defender esta forma é advertido e, se reincidir, pode ser expulso do movimento. Portanto, oficialmente, o MRR ainda não é separatista e sim defensor de um plebiscito. Na época dessa votação, é que iria agir de forma mais efetiva.
   O ativista não tem uma previsão de quando esse processo eleitoral seria viável, entretanto, acredita que demoraria no mínimo mais dois anos. “Temos um pouco de pressa. O Estado está empobrecendo e temos que evitar uma avalanche cultural vinda do Brasil”, revela Romualdo. Ele ainda ressalta a atividade do Movimento Tradicionalista Gaúcho em defesa da cultura regional.

  • Além do MRR, existem outros movimentos que defendem a separação do Estado. “O Sul é Meu País” e “Movimento pela Independência do Pampa” são alguns exemplos. Porém, a diferença desses dois para o MRR é que eles defendem a constituição de um país formado por Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

A questão separatista

Lembrei desse texto esses dias e resolvi reproduzi-lo aqui. É a última reportagem que fiz para a faculdade. Foi para uma revista que abordou apenas assuntos relativos – bons e ruins – ao Rio Grande do Sul. Pra não ficar longa, dividirei em duas partes…

***

Imagine um país cujas fronteiras sejam o Rio Mampituba ao norte, Uruguai ao sul, Argentina a oeste e Oceano Atlântico a leste. Um país chamado Rio Grande do Sul. Impossível, utopia? Não para os integrantes do Movimento Pró República Rio-Grandense. 
 
   Transformar o Rio Grande do Sul em uma nação independente do Brasil é o grande objetivo do Movimento Pró República Rio-Grandense (MRR), fundado em agosto de 2007, em Porto Alegre. No entanto, o caminho até a independência gaúcha é longo e precisa ser construído em cima de dois pilares fundamentais: conscientização da população e um plebiscito propondo o tema.
   A organização teve origem em discussões na internet. Após, começaram as reuniões no “mundo real”, que acontecem periodicamente na Sala 10 do Mercado Público da Capital. Atualmente, conta com 250 integrantes – divididos entre ativistas e associados. Além deles, ainda há os simpatizantes, que segundo a direção do movimento, “são milhares”.
   “Acreditamos que cada nação deve constituir seu próprio Estado. O Brasil é uma grande anomalia de povos. É só comparar…” afirma o motorista de ônibus, Romualdo Negreiros, 54 anos, que exerce a função de diretor de comunicação do MRR. Ele é um dos fundadores do grupo. A idéia é simples: “O que queremos é mostrar oportunidades para o Rio Grande”.
   A motivação de Romualdo e de seus companheiros é a decadência do Estado nos últimos tempos. O movimento entende que, no Brasil, o conceito de federação falhou e há uma concentração de poder em Brasília, o que é prejudicial para o RS. Além disso, a alta carga tributária compromete o desenvolvimento gaúcho. Eles acreditam que o centralismo do poder em Brasília não é boa para o Rio Grande do Sul.
   “O Rio Grande já foi uma grande potência por volta da primeira metade do século passado. Hoje trabalhamos quase meio ano apenas para pagar impostos”, revolta-se. Romualdo lista, com certa nostalgia, as façanhas gaúchas de décadas atrás: via férrea, duas gravadoras de música… “tínhamos, nós – o Estado – a segunda maior produção de arroz do mundo”.
   Mas não é fácil criar um país novo. “Há diversos fatores que inibem as pessoas de pensar em separar do Brasil. Elas nasceram, cresceram e foram educadas como brasileiros. Mexer nessa base não é simples”, revela Romualdo. Contudo, para ele, uma série de tendências pode estar alterando esse quadro.
   Nos últimos anos, constatou-se no Estado que o 20 de setembro – dia da proclamação da República Farroupilha – é mais festejado que o 7 de setembro – aniversário da independência brasileira. “Pode reparar, há muitas crianças vestidas de gaúcho nessa época. Pode ser uma tendência”, acredita o dirigente.
   Outras manifestações também chamam a atenção. No último dia 6 de outubro, o programa Altas Horas, da Rede Globo, foi gravado no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. Em meio ao evento, o apresentador Serginho Groissman brincou com a platéia, dizendo que era bom gravar ali, pois “ouviu falar que o Rio Grande do Sul queria se separar do Brasil”. Em tom jocoso, perguntou se era verdade. Ouviu um estrondoso “sim”, seguido de gritos de “Ah, eu sou gaúcho!”. “O MRR nada tem a ver com isso”, garante Romualdo.

Auto-propaganda

Não tinha colocado o link aqui, mas ei-lo. Além da monografia, também fiz outros projetos último neste semestre. Um deles foi um portfólio, reunindo trabalhos em diferentes mídias ao longo da faculdade – e alguns fora dele, como na Noize, Sogipa e Zero Hora. O site não ficou uma Brastemp, mas dá pro gasto.

http://cyberfam.pucrs.br/projeto_online/20082n/tiago/index.html