Das coisas que ficam para trás

Foi meio que sem querer que entrei na rua Dona Augusta numa tarde de fevereiro e me deparei com aquele clarão. Uma luminosidade estrondosa que eu não havia reparado na minha vida inteira. Algo estava diferente. E, de fato faltava um integrante do cenário. Ou melhor, ele ainda estava sendo retirado. Uma estrutura fincada no bairro Menino Deus havia mais de 80 anos, o Estádio dos Eucaliptos.

Para quem não sabe, os Eucaliptos foi a casa do Inter entre 1931 e 1969. Sediou dois jogos da Copa do Mundo de 1950. Para quem não sabe, meus avós moraram por quase toda a sua vida na rua Dona Augusta, defronte a um dos portões do estádio, até morrerem, em 2010 e 2011.

Desativado há mais de quatro décadas, o Eucaliptos passou por diversas fases nesse interim. Chegou a ser até um autódromo durante um tempo. Fazia uns dez anos sediava quatro quadras de futebol sete. Antes, em 1999, teve um suspiro de vida, ao ter seu campo principal reformado, recebendo até um jogo amistoso do time principal do Inter.

Ao contrário de toda a mídia que a novela da assinatura do contrato de remodelação do Beira-Rio – o estádio sucessor – a demolição dos Eucaliptos não teve aviso de pauta, palavra de autoridades nem enrolação. Quase que de um dia para outro, grandes máquinas entraram em no gramado (àquela altura transformado em matagal) por onde já desfilaram centenas de craques. Em questão de uma semana, os antigos pavilhões já não passavam de amontoados de vigas, concreto e tijolos.

E a rua Dona Augusta, acostumada a passar as tardes à sombra das arquibancadas, reencontrou o sol. Ao menos por ora, enquanto não brotam ali seis ou sete torres residenciais, que por certo haverão de causar um pouco de tumulto no bairro Menino Deus.

Cerebral Larry

Pego de contrapé com a demolição, tentei produzir uma matéria especial, ao menos para registrar uma despedida do Eucaliptos. Por uma dessas forças maiores que acontecem em redações, ela acabou não vingando.

Por sorte, teve gente que não desistiu, como o pessoal do blog Impedimento. Eles fizeram um HISTÓRICO documentário com o ex-atacante Larry Pinto de Faria, dono do apelido Cerebral Larry – o que convenhamos não é para muitos.

No início do mês, também tive a oportunidade de entrevistar Larry, em uma matéria bem mais humilde. Um senhor simpático, atencioso e cheio de histórias para contar. A que ele me contou foi a vez que ele ganhou de 5 a 1 do Santos. O do Pelé. Dessa vez foi para o ar.

Onde fica(va) o Eucaliptos


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Minha história com Julieta Venegas

   Lembro que foi numa manhã ensolarada que a conheci. Voltava, recordo, da aula de inglês e ela surgiu no meu carro. Veio por deliciosas ondas radiofônicas. Nunca tinha ouvido a sua voz, que me encantou de primeira. Julieta Venegas.
   Naquela ocasião, por falta de papel, catei uma caneta e escrevi o refrão “Yo te quiero con limón y sal, yo te quierio tal y como estás, no hace falta cambiarte nada” na palma da mão esquerda.
   O estribilho de “Limón y Sal” acabou sendo uma senha jogada no Google para eu saber mais sobre esta cantora mexicana, que toca em Porto Alegre em 11 e 12 de maio.
   Faz três semanas e ela ligou para a minha casa (história disponível apenas para mesas de bar). Conversamos e saiu uma matéria, publicada no site um tempo atrás e republicada no Arte & Agenda do CP nesta quarta. Clica aqui e confere.

Libertadores tem que ter emoção

   Eu tinha como uma das metas quando criei o blog não misturar muiti trabalho e diversão. Mas tu, caro(a) leitor, já deve ter percebido que volta e meia entram umas matérias desde o tempo lá da Sogipa, passando pelo Jornal do Comércio e chegando ao Correio do Povo. Esses dias publiquei até uma que fiz para a Federação Gaúcha de Judô.
   Enfim, te peço licença para publicar mais uma. De novo, crônica de jogo, algo quase corriqueiro na minha rotina de trabalho. Mas achei que essa ficou legal. E subo ela ainda com um pouco da adrenalina do jogo. Porque partida de Libertadores que se preste tem que ter emoção.
   Emoção que os colorados tiveram ao longo da noite, quando assistiram o fraco desempenho do time no primeiro tempo. Viram um esboço de crime se desenhar no Beira-Rio lotado. Mas que não se confirmou após a redenção da etapa final, quando o mundo pareceu que voltou a conspirar a favor de quem veste vermelho e branco. Isso que eu tentei narrar, numa crônica quase falada.
   Se quiser conferir o link original da matéria, que tem galeria de foto e áudio dos gols, clica ali atrás. Se quiser ler por aqui, siga adiante.

Após sufoco, Inter bate Emelec e se classifica em primeiro do grupo

   Não foi de forma tranquila que o Inter carimbou seu passaporte às oitavas de final da Libertadores, na noite desta terça-feira. Diante de um Emelec matreiro, o time de Falcão ganhou por 2 a 0, mas os gols de Rafael Sobis e Leandro Damião só saíram no segundo tempo, após até vaias serem ouvidas no Beira-Rio. O resultado garante aos colorados a primeira posição do Grupo 6 e a vantagem de decidir em casa na próxima fase.
   Ainda sem adversário definido, mas garantido como terceira melhor campanha na fase de grupos, o Inter volta a campo para as etapas eliminatórias do torneio continental na próxima semana. Antes, no domingo, vai a Caxias do Sul enfrentar o Juventude, pelas semifinais da Taça Farroupilha.

Primeiro tempo medonho

   O cronômetro mal havia apontado o primeiro minuto e Andrezinho cobrou falta colocando o goleiro Klimowicz para trabalhar. E aí você pensa que o Inter, empurrado por quase 40 mil nas arquibancadas, iria pressionar, certo? Ledo engano. Errando passes bobos, os colorados permitiram o adversário gostar do jogo em pleno Gigante da Beira-Rio.
   Menos mal que a sorte estava vestida de vermelho e branco no primeiro tempo. Até os 30 minutos foi mais ou menos assim: o Emelec, que armou um verdadeiro ferrolho no campo de defesa, recuperava a bola antes do meio de campo, fugia para o ataque, principalmente pela direita, e cruzava. Mas lá Renan ou a zaga para rechaçar. Foi assim nos cruzamentos de Gaibor aos 20 e aos 24. E também na tentativa de Iza, logo em seguida, que Bolatti afastou.
   Depois disso, o Inter até acordou. Porém, foi para frente sem efetividade. Aos 32, um D’Alessandro de fraca atuação até então cobrou falta na barreira e, logo após, uma breve sequência de levantamentos na área, que encontraram cabeças equatorianas ou colorados sem mira, como Damião e Andrezinho, que concluíram para fora.
   A situação não estava boa para o Inter. E piorou no final do primeiro tempo. Menéndez chegou a fazer um gol depois de se livrar de Bolívar, aos 39. Entretanto, ele tinha cometido falta e o lance foi anulado. Ao trilar o apito final do primeiro ouviram-se algumas vaias para o time de Falcão. “Não jogamos bem. Precisamos melhorar”, ordenou o vice de futebol, Roberto Siegmann.

Dupla de ataque resolve

   A ordem do dirigente não foi atendida imediatamente. E por cinco minutos a etapa complementar foi uma repetição da inicial. Por cinco, apenas, porque no sexto minuto, quando a torcida gritou com força um “Vamo, vamo Inter”, Rafael Sobis marcou o gol do desafogo. D’Alessandro cruzou da esquerda, Damião cabeceou para o meio e Sobis completou, também pelo alto. Klimowicz chegou a espalmar, fazendo com que a bola entrasse mansamente no gol. Ufa.
   A torcida ainda fazia festa quando Gaibor cobrou falta forte na intermediária no minuto seguinte. Renan caiu no canto esquerdo para evitar o crime. E aí o Inter embalou. Partiu para cima tal qual fazem os atuais campeões da Libertadores quando jogam em casa. Em boa jogada, D’Alessandro arrancou um “uh” da torcida depois de receber toque de calcanhar, aos 18. Após isso, Damião concluiu dentro da área e Klimowicz defendeu com as pernas. O goleiro, em seguida, saiu nos pés de Kleber, para operar outro milagre.
   Controlando o jogo, o gol era questão de tempo. E ele saiu aos 38 minutos – quando o Jorge Wilstermann já havia virado para 2 a 1 contra o Jaguares (resultado que ainda assim classificou os mexicanos), na Bolívia, o que garantia a tranquilidade geral dos torcedores colorados. O segundo gol do Inter começou com Guiñazu. O volante mandou da entrada da área. Klimowicz espalmou. Mas espalmou justamente nos pés de Leandro Damião, que estava no lugar que um centroavante precisava estar, fechar a conta.
   Com o resultado garantido, o Beira-Rio, que inicialmente viveu momentos tensos, terminou a noite com todos os colorados comemorando. “O Falcão arrumou o time e conseguimos os gols que precisávamos”, analisou Siegmann, enquanto a torcida festejava a poucos metros dele. O sonho do tri da América está vivo. Que venham as oitavas de final.

La Prensa argentina – uma pequena reflexão comparativa de domingo

   O taxista já havia avisado – como se os cartazes e pichações não deixassem claro: o argentino é um ser muito politizado. Muito, e em razão disso, explicou, é porque lê bastante jornal. Procuram se informar do que passa pela Casa Rosada e demais arredores do poder.
   A edição do Clarín de domingo, 20 de março, ilustrou a fala do taxista. Já a primeira das 88 páginas de muito conteúdo trouxe uma manchete causadora de alguns cabelos brancos na cabeça de Cristina e seus assessores – investigando a ligação da família Kirchner com traficantes. Outra matéria avisava sobre uma rota que tem sofrido com assaltos nas proximidades portenhas. Nos esportes, uma editoria plural. Houve notas de 14 modalidades diferentes, após quatro (haja assunto!) páginas exclusivas sobre o jogo entre Racing e Boca, na noite anterior. Além, claro, da cobertura sobre o evento tangueiro no Obelisco (que será assunto do próximo post).
   Agora vamos comparar com os jornais brasileiros. A edição dominical da maioria deles, nos quais se incluem os principais, fica pronta no sábado pela manhã e circula nas primeiras horas da tarde. Denúncias contra governos e afins? Difícil! Mais arrevistada, a edição de domingo costuma apostar em reportagens atemporais. Quanto ao que aconteceu no sábado à noite, o leitor só saberá na segunda-feira ou pela internet. Os esportes basicamente se resumem a futebol.
   Detalhe a ser considerado: o Clarín e a Cristina Kirchner não têm boas relações. Mas isso é de conhecimento geral e aberto. Logo, não é de se surpreender que o jornal procure, fuxique e talvez até amplie quaisquer denúncias contra a presidente.
   Aqui no Brasil muitas publicações, pra não dizer todas, têm linhas políticas determinadas pela direção, mas nem todas abrem isso, percebendo apenas nas entrelinhas. Também se dizem “imparciais” – mito que todo estudante de jornalismo ouve e defende.
   Algumas revistas criticam ou defendem bastante, porém não se posicionam oficialmente quando o assunto é política. Resultado: confusão na cabeça de quem paga para lê-la.
   Sinceramente, não sei qual postura pode ser considerada melhor – ou menos pior: a crítica aberta, com a possibilidade de matérias tendenciosas, ou uma imparcialidade disfarçada, na qual só o leitor mais atento percebe.
   Noto que as faculdades do Brasil insistem na segunda opção, até porque a primeira não se desenvolveu muito nas bandas tupiniquins. Acho que a mídia brasileira precisa ampliar suas experiências.

Atropelamento de ciclistas na Capital percorre o mundo

O texto era pra ser só uma retranca do texto sobre o protesto desta segunda-feira. Mas o assunto rendia. Analisando um pouco mais a fundo, virou (mais uma) matéria sobre a força da internet e de redes sociais em grandes protestos. O link da matéria – que é quase um artigo -, publicada no CP, é esse http://bit.ly/hzJ15D

   Se tempos atrás grandes acontecimentos eram discutidos em bancos de praças públicas, atualmente – e não é de hoje – alguns assuntos ganham uma repercussão muito maior graças à internet. E a discussão, que antes poderia demorar para ultrapassar o perímetro da localidade, agora se multiplica de forma veloz para o mundo inteiro.
   Foi o que ocorreu com o atropelamento de um grupo de ciclistas do grupo Massa Crítica no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, na última sexta-feira. A internet agiu como um multiplicador do conteúdo desenvolvido a partir do incidente. A colisão – e as cenas – foram tema de debates por internautas de diferentes países. Nesta terça-feira, o caso terá um novo capítulo: protesto do movimento, marcado para o final da tarde, na Capital.

Chegar ao outro lado do mundo é questão de tempo

   Pouco mais de 72 horas depois do atropelamento, a notícia já havia se espalhado por diversos cantos do mundo. Sites de países como Argentina, Peru, Estados Unidos, Grécia, Holanda, Espanha, Itália, Inglaterra e Austrália haviam informado sobre o incidente, conforme levantamento do portal R7. Parte desses sites utilizou o vídeo – ou reproduções de imagens – postado no YouTube pelo Massa Crítica. O vídeo já havia sido visto mais de meio milhão de vezes até pouco depois das 22h30min desta segunda.
   O site do movimento Massa Crítica também teve sua audiência exponenciada desde o incidente. Na página, são postadas notícias sobre o desenrolar do caso, serviços jurídicos para as vítimas do atropelamento, além de comentários sobre a cobertura da imprensa.

#naofoiacidente mantém assunto em discussão por todo o dia

Atropelamento ocorreu na esquina das ruas José do Patrocínio e  Luiz Afonso | Foto: Tarsila do Amaral   No Twitter, a hashtag #naofoiacidente se manteve nos Trending Topics do Brasil – a lista de assuntos mais comentados no site no País – por praticamente todo o dia. O nome do motorista do Golf, o bancário Ricardo Neis, também figurou na lista. Alguns usuários, inclusive, divulgaram alguns de seus dados pessoais, como endereço, telefone e até mesmo CPF.
   Durante a tarde, ele se apresentou à Polícia. Neis acusou os ciclistas de terem batido em seu carro antes do atropelamento. Ele afirmou que procurou uma brecha e acelerou para sair do local e, após, fugiu, pois “se ficasse ali, seria linchado”. No início da noite, o Ministério Público e a Polícia Civil pediram sua prisão preventiva.

Massa Crítica de Porto Alegre organiza protesto em horário de pico

   O grupo Massa Crítica anuncia manifestação para esta terça-feira. A concentração será as 18h30min no Largo Zumbi dos Palmares e o grupo se deslocará até a prefeitura. Nesse horário, o trânsito na região central de Porto Alegre costuma ser bastante complicado. Perto da meia-noite desta terça, mais de 1,2 mil usuários do Facebook haviam confirmado presença no evento, através da rede social.
   Nesta segunda-feira, ciclistas de São Paulo organizaram um ato em solidariedade aos gaúchos. Eles andaram de bicicleta e deitaram no asfalto da avenida Paulista. Um dos participantes levava uma placa com a frase que já está virando lema: “Não foi acidente”.
   Através de blogs, ativistas de outras três capitais do Brasil – Curitiba, Brasília e Aracaju – e até da capital argentina, Buenos Aires, também combinam manifestações até sexta-feira.

“Ninguém sabe o que vai acontecer no país”, relata gaúcha que mora no Egito

Administradora Vanuta Kich acredita que manifestantes não irão ceder ao presidente Hosni Mubarak

   “Era para eu estar passeando nesta semana e tirando fotos”, lamenta a administradora Vanuta Kich, 23 anos. Gaúcha de Rosário do Sul, ela vive no Cairo, capital do Egito, desde abril do ano passado, onde participou de um intercâmbio, cujas atividades terminaram na última semana, justamente quando começou os conflitos no país, com a população saindo às ruas pedindo a saída do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.
   Em entrevista ao Correio do Povo por telefone na noite desta quarta-feira, ela relatou como está o seu cotidiano no país, onde ficará até a próxima semana, quando retorna ao Rio Grande do Sul. Com voo confirmado, ela diz que a embaixada brasileira não lhe passou nenhuma recomendação especial, embora a grave crise no Egito já tenha deixado centenas de feridos e pelo menos três mortos. Enquanto isso, ela procura ficar no seu apartamento, onde é resguardada por vizinhos que montaram guarda para evitar ações de vândalos.

Situação de Hosni Mubarak

“Está chegando a um extremo que os manifestantes não vão abrir mão. Eles não querem nenhum tipo de desculpa para o Mubarak ficar até o final do mandato. O presidente já falou que não vai se recandidatar, mas o povo não está muito crente, porque não é a primeira vez que ele fala isso. Eles querem que Mubarak saia agora. Enquanto o presidente não sair, os manifestantes não vão parar. Está uma indefinição total e ninguém sabe o que vai acontecer no país. Em geral, as pessoas estão respeitando o toque de recolher, mas o pessoal que está na praça Tahrir não está abrindo mão, eles estão inclusive dormindo lá.”

Internet e telefonia

“Sexta-feira parou de funcionar a internet. Hoje (quarta-feira) voltou por volta das 14h. O telefone ficou sexta e sábado fora. Nem ligações dentro do país funcionavam. No domingo voltou, mas a conexão não era muito boa. Funciona melhor à noite. Mensagens por SMS não funcionam.”

Meios de comunicação

“O canal local da televisão está funcionando, mas não sei sobre os jornais impressos. Acho que não. O discurso do Mubarak e o anúncio do toque de recolher foram transmitidos também por alto-falantes – os mesmos que anunciam os horários de reza para os muçulmanos. Durante o tempo em que a internet estava fora, ficávamos sabendo das noticias através do canal local, embora em árabe, e por amigos egípcios que iam nos atualizando. Agora, a notícia circula pelo Facebook e acompanhamos também pelo CNN e Al Jazzera online.”

Vândalos

“A gente vê homens de guarda no prédio, com pedaços de pau e pedras para protegerem seus prédios. Estavam entrando nos prédios e arrombando casas. Vândalos entraram no Carrefour, sacaram mantimentos e destruíram tudo.”

Barreiras nas ruas

“Andar na rua é um pouco perigoso. A cada quadra tem grupo de moradores ou exército, checando o que tem dentro e pedindo documento. A nossa rua (Ahmed Zomor) é muito movimentada normalmente e hoje não passa nada.”

Supermercados

“Eles funcionam entre às 9h e 12h – o horário permitido para sair na rua durante o toque de recolher é entre 9h e 15h. No início da semana, quando nós fomos, foi a época que o pessoal começou a falar que iria ter o toque de recolher, e era necessário se prevenir com estoques. Demoramos três horas para conseguir fazer compras. Havia pessoas brigando e corre-corre. Agora, já reabasteceram os mercados.”

Falta dinheiro em circulação

“Os bancos não estão funcionando desde quinta-feira e nem mesmo os caixas eletrônicos. Se tu não tem dinheiro em cash, esquece. As lojas também, em sua maioria, estão fechadas. As empresas estão em recesso desde a semana passada também.”

*Colaboração do jornalista Thales Barreto

**Matéria originalmente publicada no CP, na noite de 2 de fevereiro. Graças ao Thales consegui o contato com a Vanuta, feito por telefone, cuja qualidade da ligação estava excelente, embora o caos no país.

Administradora Vanuta Kich acredita que manifestantes não irão ceder ao presidente Hosni Mubarak

(100) dias com ele

Pra fazer analogia com o futebol, foi quase aos 48 do segundo tempo que a gente se deu conta que o técnico do Grêmio, o mítico Renato Portaluppi, completaria 100 dias no comando do time no dia seguinte. Mãos à obra pra uma materinha especial, encurtada pela falta de tempo. Surgiu a ideia de fazer uma arte inspirada no filme 500 dias com Ela. O Jonathas Costa se puxou e, abaixo, o resultado do que foi publicado no CP, em 20 de novembro.

   Ele é mais que um técnico, é um ídolo. Mais que um ídolo, um símbolo, o qual 10 entre 10 gremistas reverenciam pelo passado em Tóquio, pelo presente no Olímpico e, talvez, pelo futuro na Arena. Chama-se Renato Portaluppi, tem 48 anos e é o homem que deu o mundo ao Grêmio em 1983 e que, neste sábado, completa 100 dias como técnico do clube que ama.
   Com contrato renovado, Renato já não tem data para deixar Porto Alegre. O novo vínculo, firmado sexta-feira, não tem prazo de validade e nem multa rescisória. Qualquer das partes pode romper a hora que bem entender, sem custos, sem mágoas. É um casamento, conforme o próprio treinador explicou. E, se a metáfora estiver correta, Renato e Grêmio vivem (mais uma) lua de mel.


   Pudera, foi com Renato que os sorrisos voltaram ao Olímpico. Faz pouco mais de três meses que ele retornou. Antes, a rotina tricolor era de lamúrias e derrotas. A zona de rebaixamento do Brasileirão tinha se transformado em uma constante. O resultado foi o previsto: Silas caiu, Renato chegou.
   Desde o seu desembarque no Salgado Filho, Renato recebeu apoio da torcida, que se deslocou até o aeroporto para recepcioná-lo. Ainda que a reestreia não tenha sido das melhores – a eliminação para o Goiás na Sul-Americana – o novo técnico ganhou um voto de confiança. Sem desanimar, adotou um discurso símbolo na retomada: pensar jogo a jogo.
   À época, traçou duas metas: tirar o Grêmio da zona de rebaixamento e recuperar Douglas, o camisa 10 que andava em baixa, inclusive ouvindo vaias da torcida. Um objetivo dependia do outro. Essa equação começou a ser resolvida logo no segundo jogo do treinador, contra o próprio Goiás, agora pelo Brasileirão: vitória de 2 a 0 e o início da retomada da confiança da equipe que saiu da zona de rebaixamento para fazer a melhor campanha no segundo turno.

Futurista, The Black Eyed Peas toca para 10 mil em Porto Alegre

Fergie foi a musa da noiteApesar de não ser fã, esse era um show que sempre tive vontade de ir. No último sábado, na passagem deles por Porto Alegre, cobri para o CP. E trata-se de um baita evento. Se puderes assisti-los, caro(a), leitor, vá. Abaixo, a matéria da apresentação. A foto é do parceiraço Mauro Schaefer.

   Por cerca de duas horas, o quarteto norte-americano do The Black Eyed Peas colocou Porto Alegre para pular com seus hits, na noite deste sábado, no estacionamento da Fiergs. Pela terceira vez na Capital, Will.I.Am, Apl.de.ap Taboo, e Fergie apresentaram, dessa vez, o show estiloso e futurista da turnê “The E.N.D. World Tour 2010”. A próxima parada do grupo no Brasil será em Florianópolis, nesta segunda-feira.
   Eram 21h10min quando Will.I.Am, último integrante a subir para o palco, gritou pela primeira vez um enrolado “Porto ‘Alegra’” para pôr fim à ansiosa espera dos fãs, que desde cedo já estavam no local. “Let’s Get Started” foi a primeira música, que prontamente colocou os milhares de fãs para pular. Sem perder o embalo, eles seguiram com “Rock That Body” e “Meed me Halfway”.
   Como era esperado, os fãs transformaram o estacionamento da Fiergs em uma grande e animada festa. Dos mais diferentes esteriótipos – desde crianças acompanhados de pais e mães a senhores de camisa e calças sociais – o público cantou junto os sucessos como “Don’t Phunk With My Heart” e “My Humps”, que teve bela e provocante performance da musa da noite, Fergie, novamente loira.
   A cantora, aliás, teve seu auge no show durante a apresentação solo, que cada um do quarteto teve uma. Com “Fergalicious”, “Glamorous” e a balada “Big Girls Don’t Cry” conquistou de vez os presentes, arrancando muitos aplausos – e suspiros da ala masculina. “Wow! This is beautiful”, agradeceu, sorridente, mandando beijos ao fim de sua música lenta.

Estrutura futurista faz público “viajar”

   No final, os fãs foram ao delírio com os hits mais recentes do grupo, “Bow Bow Pow” e “I Gotta Feeling”, que fechou com chave de ouro a apresentação. O show reuniu milhares de fãs e contou com uma megaestrutura. As luzes e as projeções nos telões de LED instalados no palco levaram o público de uma favela carioca, em “Mas que Nada”, até o espaço, no solo de Will.I.Am.
   Os equipamentos – e, claro, a banda – cumpriram a promessa do “E.N.D” da turnê, que significa: “Energy Never Dies” – a energia nunca morre. Em Porto Alegre, pelo menos, foi um elemento constante.

Em teatro lotado, Jorge Drexler encanta fãs

O sorridente Jorge Drexler

Acho que cobertura de shows não é lá muito meu chão. Fiz o texto, li, reli. Não sei se era para ser bem assim, mas gostei. Assim como gostei muito dos dois shows do Jorge Drexler em Porto Alegre, no Festival de Inverno deste ano.


Abaixo, reproduzo a matéria sobre a primeira apresentação, publicada originalmente no site do Correio do Povo. E, fica a recomendação, se ele passar pela sua cidade. Não tenha dúvidas e vá assisti-lo.

   Eram 21h13min de sábado quando começou uma verdadeira sessão de hipnose no Teatro do Bourbon Country. O público, até então bem falante, silenciou. Finalmente o cantor Jorge Drexler subiria no palco dali a poucos instantes e tocaria por mais de duas horas às pessoas que esgotaram os ingressos para as suas apresentações em menos de um dia, na terça-feira. O show marcou a abertura do 5º Festival de Inverno de Porto Alegre. Neste domingo, ele repete a dose, no mesmo local.
   Na capital gaúcha, o músico uruguaio se sente em casa. E já ao desejar boa noite, demonstrou carinho que tem pela cidade: “Muito obrigado por existir”, disse, exibindo a característica simpatia. O espetáculo integrou a turnê do seu mais recente trabalho, “Amar La Trama”, lançado neste ano.
   Quando Drexler começou a entoar acordes aos fãs, silenciosos e atentos, reinventou-se. Desde “Transporte”, a primeira música, até “Sea”, já no bis, o uruguaio, sempre sorridente, fez uma releitura de sua obra. Tocou as canções com novos arranjos e outros ritmos, como o candombe – tradicional no país natal do cantor – e até mesmo bossa nova, em “Don de Fluir” e “Aquiles”.
   Os dois percussionistas da banda protagonizaram um show à parte. Também chamou atenção o trio responsável pelos metais que, em meio à apresentação, não conseguiu voltar a tempo para o seu posto no palco – depois de aparecer no segundo pavimento do teatro – e pegou o próprio Drexler desprevenido. “Isso nunca tinha acontecido antes”, contou, aos risos, o músico em meio a “Uma Cancíon me Trajo Hasta Aqui”. A cena arrancou risos da banda e do público, tornando ainda mais íntimo o show.

Vitor Ramil, é claro

   Já se tinham passado quase duas horas do show quando o uruguaio se despediu pela primeira vez. É claro que voltaria para o bis. E voltou logo a seguir. Com o violão e sozinho no palco, tocou “Soledad”. Na segunda música, já com o retorno da banda, chamou o amigo Vitor Ramil. Juntos, eles cantaram “Astronauta Lírico”, do gaúcho.
   Após o dueto com Ramil, continuou com a música título do mais recente trabalho, “Amar La Trama”, e, finalmente, “Sea”, encerrada com todos na plateia aplaudindo de pé.
   Neste domingo, às 21h, ele retorna ao palco do Teatro do Bourbon para a sua segunda e última apresentação no 5º Festival de Inverno de Porto Alegre. Os ingressos já estão esgotados.

Uma viagem ao país mais fechado do mundo

…Ou retratos do comunismo, que você já viu aqui também

   Sair do Brasil e ir para um país de regime fechado como a Coreia do Norte é mergulhar em uma realidade totalmente diferente. Ao contrário da democracia brasileira, os norte-coreanos vivem sob a batuta comunista de Kim Jong Il.
   Para chegar a Pyongyang, arcando com as próprias despesas, a delegação do Atlético de Sorocaba precisou sair de Pequim e, da capital chinesa, embarcar no único voo internacional que vai até a Coreia do Norte.
   “Tivemos que ir à China, esperar o visto. Quando chegou, (o visto) era de apenas quatro dias. Embarcamos na manhã seguinte em um avião russo da metade do século passado”, relembra o ex-vice-presidente do clube paulista, Waldir Cipriani. “Nosso técnico na época não quis nem provar a comida oferecida. Passou o tempo inteiro com os olhos fechados.”
   E, na viagem, não apenas o transporte foi uma dificuldade. “Quando chegamos, verificaram se todos estavam ‘dentro dos critérios’”, relata Cipriani, sobre o fato que deixou todos os jogadores bem apreensivos. Ele também revela que as bagagens da delegação foram detalhadamente conferidas.
   Câmeras fotográficas e celulares foram artigos proibidos. Internet, telefone era algo inacessível mesmo no hotel, nem para comunicar a família que a viagem transcorreu bem. “Além disso, nossos passaportes não que ficaram retidos, mas bem guardados por um funcionário do governo.”
   O treinador do Atlético de Sorocaba na época, o ex-jogador Edu Marangan, recorda – em entrevista à Rede Record – a principal sensação que teve na Coreia do Norte: “Você chega no aeroporto e dá de cara com o Exército”, revela. “Parece que você é vigiado durante 36 horas num dia.”

Sugestão: Leia essa matéria aqui, publicada no CP