Uma gata na minha pauta

Ainda que oficialmente ele não sirva para muita coisa, tenho o meu diploma de jornalista há três anos e cinco meses. O tempo de carreira ainda é ínfimo para o que imagino e pretendo ter. Mas suficiente para tornar a surpresa algo corriqueiro. Afinal, disso que é feito um jornal.

Todo o dia é algo novo. Porém hoje aconteceu algo que na minha cabeça soava como inimaginável para uma cidade pseudometrópole como Porto Alegre. Algo que imaginava apenas em quadrinhos infantis: bombeiro salvando gatos em cima da árvore.

Assim que o telefone da fonte caiu na minha mão, imaginei que em cinco, oito linhas tudo estaria resolvido. Que nada. Porto Alegre faz parte do Rio Grande do Sul, tinha polêmica, como todo e qualquer assunto neste estado.

O resultado, publicado no site do CP, está aí embaixo:

Gata é resgatada após ficar seis dias presa em árvore em Porto Alegre

O que parece história de desenhos animados aconteceu em Porto Alegre, nesta segunda-feira. Na manhã de hoje, bombeiros escalaram uma árvore para resgatar de lá uma gata de rua, que estava entre os galhos. Só que a bichana ficou por lá seis dias, período em que a temperatura e o clima variaram bastante – inclusive hoje foi o amanhecer mais frio do ano na Capital, com 5,5°C .

Em prol da gata, uma verdadeira mobilização na internet foi realizada. E ela começou com a nutricionista da Ufrgs Rita Cherutti. Ela conta que chegou ao local do incidente, a rua Andaraí, na zona Norte da cidade, após ligação de uma amiga. A situação em que o animal se encontrava preocupou Rita, dona de cinco gatos: “Todos retirados das ruas”.

• Blog registra em vídeo resgate da gata

Desde a noite de domingo, Rita e um grupo de amigos começou a ligar para o Corpo de Bombeiros, que chegou a ir ao local. Em uma primeira tentativa, a cada vez que os bombeiros se aproximavam da gata, ela subia para mais alto da árvore, ultrapassando o limite das escadas. “À noite, eu estava embaixo de edredons na cama com meus filhos mais cinco gatos e sentíamos frio. Imagina ela, lá em cima”, compadeceu-se Rita.

O capitão do Corpo de Bombeiros Marcos Paz explica que o grupo não tinha disponível equipamento do tamanho necessário para a operação e por isso que a operação precisou ser adiada para a manhã de hoje. Segundo o oficial, as escadas medem cerca de 9,5 metros de altura e o animal já se encontrava a 15 metros do solo. O caminhão com auto-escada poderia chegar até o topo, mas devido a questões logísticas, seu uso seria impossível no local. “Era necessário que o homem estivesse na escada para poder resgatar a gata”, acrescenta o capitão.

Foi o que enfim ocorreu na manhã desta segunda-feira, quando o Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros, usando trepas, subiram na árvore. Assustado, o bichano se afastou ainda mais, até onde não havia mais para onde ir, sendo finalmente resgatado. Depois da operação, a gata ficou aos cuidados do professor da Ufrgs Renato Zamora. O resgate foi acompanhado por Rita, que cancelou os compromissos da manhã e ver o salvamento.

Reclamações quanto a atuação dos bombeiros

Apesar do final feliz, Rita reclamou da falta de apoio das autoridades. Segundo ela, na noite de sábado, os bombeiros se negaram a realizar a ocorrência, o que é desmentido veementemente pelo capitão Marcos Paz: “Bombeiro não se nega a atender nenhum tipo de ocorrência”.

A mulher também conta que ligou para a Secretaria Especial dos Diretos dos Animais e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Ambos órgãos da prefeitura teriam lhe respondido que o atendimento só poderia ser realizado pelo Corpo de Bombeiros.

“Muitas foram as ligações de moradores do bairro, e outras pessoas envolvidos com o sofrimento do pequeno ser, porém muitos poucos realmente fizeram alguma coisa”, desabafou ela, no Facebook. “Quem ama animais e resgata sabe a dificuldade que é conseguir pessoas que realmente queiram ajudar.”

De acordo com o comandante do primeiro comando regional dos bombeiros, tenente coronel Roge, o resgate de animais não é necessariamente um trabalho dos bombeiros. “Fazemos o serviço até para evitar que alguém suba querendo salvar e acabe se machucando, mas não temos equipamento para tanto”, diz. Conforme ele, a responsabilidade nesse caso é do GBS. No entanto, o oficial não sabe informar porque os atendentes do 193 não chamaram o batalhão adequado e a gata ficou tanto tempo sem água, comida ou maneira de descer.

“Gatos não descem, eles vão derrapando e caem. As unhas deles são projetas para subir, não para descer. Ele ia pular, e morrer”, esclarece Rita.

*Colaborou a repórter Leda Malysz

Tristeza e derrota uruguaia em Porto Alegre

 Já tinha feito a cobertura no ano passado, lembrando aqui, Libertadores tem que ter emoção. Como não havia nenhum representante gaúcho (pelo menos originalmnete gaúcho) na final da Libertadores, a torcida migrou para os vizinhos uruguaios. Dessa vez, a vitória não veio, mas a cobertura direto de uma concentração de torcedores carboneros, feita para o CP, tá aí embaixo:

   Nem Grêmio, nem Inter, pois já estavam fora da disputa – e muito menos Santos. Em peso, a torcida gaúcha esteve a favor do Peñarol na noite desta quarta-feira, durante a final da Copa Libertadores. Porém, a mobilização não foi suficiente, e o time uruguaio terminou com o vice da América após levar 2 a 1 no estádio Pacaembu, em São Paulo, o que fez a noite de animados fãs carboneros terminar desanimada.
   Em um dos restaurantes especializados na culinária do país vizinho em Porto Alegre, o El Viejos Panchos, dezenas de torcedores – de variadas idades – compareceram para gritar pelo Peñarol, entre um pedido de Parrillada e outro. Junto a eles, camisetas e mantas nas cores da equipe, preto e amarelo. Com os cânticos, alguns palavrões e a animação dos mais exaltados, o estabelecimento se transformou em um setor do estádio Centenário, de Montevidéu, ao longo dos 90 minutos da partida.
   A cada bola que era tirada de Neymar ou Ganso, a vibração era como a de um gol. E nos chutes e nos cruzamentos do Peñarol, o grito de “Uh” ecoava pelo salão. No intervalo, quando estava 0 a 0, o clima era de otimismo na tentativa de derrotar o Santos. No entanto, já no primeiro minuto o time da casa abriu o placar e, mais tarde, marcou o segundo, desanimando os presentes. O gol carbonero, no fim da partida, deu esperança que não vingou, mas rendeu aplausos no fim do jogo.

Tristeza uruguaia

   Entretanto, o “renascimento” do Peñarol no cenário sul-americano não foi o bastante para o segurança Juan Sosa. “Ninguém quer perder na final”, lamenta ele, que é uruguaio e mora em Porto Alegre desde 1987. “Mas é uma sequência. Começou com a Copa do Mundo do ano passado, agora foi o Peñarol e daqui a pouco tem a Copa América”, teorizou. “Se tudo der certo voltaremos a ser campeões dentro do Brasil”, projetou.
   O mesmo ânimo, contudo, não se repetiu em seu amigo Daniel. Com algumas lágrimas nos olhos, repetiu que não queria perder e quando iria falar para a reportagem, gaguejou e levou a mão ao rosto, afagado por Juan. “Ele foi no jogo do Peñarol aqui no Beira-Rio e lá no Centenário”, explicou o amigo, que lembrou-se de agradecer à torcida gaúcha: “Todo mundo esteve com o Peñarol, valorizando o nosso sangue charrua”

Minha história com Julieta Venegas

   Lembro que foi numa manhã ensolarada que a conheci. Voltava, recordo, da aula de inglês e ela surgiu no meu carro. Veio por deliciosas ondas radiofônicas. Nunca tinha ouvido a sua voz, que me encantou de primeira. Julieta Venegas.
   Naquela ocasião, por falta de papel, catei uma caneta e escrevi o refrão “Yo te quiero con limón y sal, yo te quierio tal y como estás, no hace falta cambiarte nada” na palma da mão esquerda.
   O estribilho de “Limón y Sal” acabou sendo uma senha jogada no Google para eu saber mais sobre esta cantora mexicana, que toca em Porto Alegre em 11 e 12 de maio.
   Faz três semanas e ela ligou para a minha casa (história disponível apenas para mesas de bar). Conversamos e saiu uma matéria, publicada no site um tempo atrás e republicada no Arte & Agenda do CP nesta quarta. Clica aqui e confere.

Libertadores tem que ter emoção

   Eu tinha como uma das metas quando criei o blog não misturar muiti trabalho e diversão. Mas tu, caro(a) leitor, já deve ter percebido que volta e meia entram umas matérias desde o tempo lá da Sogipa, passando pelo Jornal do Comércio e chegando ao Correio do Povo. Esses dias publiquei até uma que fiz para a Federação Gaúcha de Judô.
   Enfim, te peço licença para publicar mais uma. De novo, crônica de jogo, algo quase corriqueiro na minha rotina de trabalho. Mas achei que essa ficou legal. E subo ela ainda com um pouco da adrenalina do jogo. Porque partida de Libertadores que se preste tem que ter emoção.
   Emoção que os colorados tiveram ao longo da noite, quando assistiram o fraco desempenho do time no primeiro tempo. Viram um esboço de crime se desenhar no Beira-Rio lotado. Mas que não se confirmou após a redenção da etapa final, quando o mundo pareceu que voltou a conspirar a favor de quem veste vermelho e branco. Isso que eu tentei narrar, numa crônica quase falada.
   Se quiser conferir o link original da matéria, que tem galeria de foto e áudio dos gols, clica ali atrás. Se quiser ler por aqui, siga adiante.

Após sufoco, Inter bate Emelec e se classifica em primeiro do grupo

   Não foi de forma tranquila que o Inter carimbou seu passaporte às oitavas de final da Libertadores, na noite desta terça-feira. Diante de um Emelec matreiro, o time de Falcão ganhou por 2 a 0, mas os gols de Rafael Sobis e Leandro Damião só saíram no segundo tempo, após até vaias serem ouvidas no Beira-Rio. O resultado garante aos colorados a primeira posição do Grupo 6 e a vantagem de decidir em casa na próxima fase.
   Ainda sem adversário definido, mas garantido como terceira melhor campanha na fase de grupos, o Inter volta a campo para as etapas eliminatórias do torneio continental na próxima semana. Antes, no domingo, vai a Caxias do Sul enfrentar o Juventude, pelas semifinais da Taça Farroupilha.

Primeiro tempo medonho

   O cronômetro mal havia apontado o primeiro minuto e Andrezinho cobrou falta colocando o goleiro Klimowicz para trabalhar. E aí você pensa que o Inter, empurrado por quase 40 mil nas arquibancadas, iria pressionar, certo? Ledo engano. Errando passes bobos, os colorados permitiram o adversário gostar do jogo em pleno Gigante da Beira-Rio.
   Menos mal que a sorte estava vestida de vermelho e branco no primeiro tempo. Até os 30 minutos foi mais ou menos assim: o Emelec, que armou um verdadeiro ferrolho no campo de defesa, recuperava a bola antes do meio de campo, fugia para o ataque, principalmente pela direita, e cruzava. Mas lá Renan ou a zaga para rechaçar. Foi assim nos cruzamentos de Gaibor aos 20 e aos 24. E também na tentativa de Iza, logo em seguida, que Bolatti afastou.
   Depois disso, o Inter até acordou. Porém, foi para frente sem efetividade. Aos 32, um D’Alessandro de fraca atuação até então cobrou falta na barreira e, logo após, uma breve sequência de levantamentos na área, que encontraram cabeças equatorianas ou colorados sem mira, como Damião e Andrezinho, que concluíram para fora.
   A situação não estava boa para o Inter. E piorou no final do primeiro tempo. Menéndez chegou a fazer um gol depois de se livrar de Bolívar, aos 39. Entretanto, ele tinha cometido falta e o lance foi anulado. Ao trilar o apito final do primeiro ouviram-se algumas vaias para o time de Falcão. “Não jogamos bem. Precisamos melhorar”, ordenou o vice de futebol, Roberto Siegmann.

Dupla de ataque resolve

   A ordem do dirigente não foi atendida imediatamente. E por cinco minutos a etapa complementar foi uma repetição da inicial. Por cinco, apenas, porque no sexto minuto, quando a torcida gritou com força um “Vamo, vamo Inter”, Rafael Sobis marcou o gol do desafogo. D’Alessandro cruzou da esquerda, Damião cabeceou para o meio e Sobis completou, também pelo alto. Klimowicz chegou a espalmar, fazendo com que a bola entrasse mansamente no gol. Ufa.
   A torcida ainda fazia festa quando Gaibor cobrou falta forte na intermediária no minuto seguinte. Renan caiu no canto esquerdo para evitar o crime. E aí o Inter embalou. Partiu para cima tal qual fazem os atuais campeões da Libertadores quando jogam em casa. Em boa jogada, D’Alessandro arrancou um “uh” da torcida depois de receber toque de calcanhar, aos 18. Após isso, Damião concluiu dentro da área e Klimowicz defendeu com as pernas. O goleiro, em seguida, saiu nos pés de Kleber, para operar outro milagre.
   Controlando o jogo, o gol era questão de tempo. E ele saiu aos 38 minutos – quando o Jorge Wilstermann já havia virado para 2 a 1 contra o Jaguares (resultado que ainda assim classificou os mexicanos), na Bolívia, o que garantia a tranquilidade geral dos torcedores colorados. O segundo gol do Inter começou com Guiñazu. O volante mandou da entrada da área. Klimowicz espalmou. Mas espalmou justamente nos pés de Leandro Damião, que estava no lugar que um centroavante precisava estar, fechar a conta.
   Com o resultado garantido, o Beira-Rio, que inicialmente viveu momentos tensos, terminou a noite com todos os colorados comemorando. “O Falcão arrumou o time e conseguimos os gols que precisávamos”, analisou Siegmann, enquanto a torcida festejava a poucos metros dele. O sonho do tri da América está vivo. Que venham as oitavas de final.

João Derly por mais de um ângulo

   Escrever sobre João Derly não é novidade alguma para mim. Já são quatro anos de convivência com ele, desde os tempos de estágio na Sogipa. Ainda que não seja diária, já rendeu uma amizade agradável. Mas, além disso, temos um vínculo profissional por dois caminhos: eventualmente ele é pauta quando sou repórter do Correio do Povo, e sempre é minha pauta quando estou trajado de assessor de imprensa da Federação Gaúcha de Judô.
   Pra quem não sabe, dias atrás ele voltou a lutar depois de um longo período machucado. Infelizmente, lesionou-se de novo. Passados uns dias de tensão, saiu o diagnóstico, que comprova: o sonho olímpico de João, ainda que difícil, segue vivo. Para alívio dele, que passou mais de uma semana de angústia e incerteza. E minha também, por ver alguém que posso chamar de amigo cheio de esperança e motivado para ir em frente.
   O texto abaixo fiz para o site da FGJ e foi publicado uns dias atrás. Gostei dele, escrito de maneira espontânea ainda que a trabalho, após poucos minutos de conversa/entrevista com ele. Trouxe pra cá também:

Aliviado e motivado, João Derly já inicia recuperação visando Londres

   “Foi um alívio”, confessou João Derly, nesta quarta-feira, após a concorrida entrevista coletiva na qual ele, o médico Luiz Marczyk e o técnico Antônio Carlos Pereira, o Kiko, explicaram a lesão sofrida pelo bicampeão mundial durante a seletiva nacional, no mês passado. O judoca sofreu um estiramento no ligamento e está descartada a possibilidade de cirurgia no local.
   Mas o susto foi grande. Bicampeão do mundo, acostumado a grandes conquistas e a enfrentar desafios, Derly sentiu medo quando teve de abandonar a luta contra Marcelo Contini. “Achei que tinha ‘estourado’. Pouco depois, passou o filme na cabeça sobre a cirurgia, a demorada recuperação. Cheguei a pensar que a Olimpíada tinha acabado para mim”, revelou.
   Dois dias depois da seletiva em Vitória, João Derly voltou a Porto Alegre para realizar exames. Os resultados incertos aumentaram a dúvida se o ligamento cruzado havia ou não rompido, o que significaria mais seis meses de tratamento e consequentemente o fim do sonho olímpico. O pior, entretanto, não se confirmou. O novo diagnóstico apontou estiramento no ligamento medial e uma pequena lesão no menisco. “No máximo, o que vai acontecer é uma artroscopia.”
   A notícia foi recebida com alegria pelo atleta, e seus colegas de clube, além de ter sido capaz de devolver o costumeiro sorriso ao rosto do bicampeão mundial, e, claro, de manter acesa a esperança de estar em Londres no ano que vem, para disputa dos Jogos Olímpicos. Os primeiros passos para chegar lá são as duas competições no Brasil: “Agora eu estou confirmado no Grand Slam do Rio e na Copa do Mundo de São Paulo”, ressaltou Derly. “Vou chegar lá e colocar para cima aqueles japonesinhos”, brincou, novamente, aos risos.

Na tensão, momentos de carinho

   Os dez dias de incerteza foram torturantes. O joelho inchado e o diagnóstico impreciso tiraram um pouco do sono do bicampeão mundial. Mas o carinho recebido por fãs em todos os lugares foi fundamental. “Cheguei a explicar para umas dez pessoas a minha lesão quando fui num mercado. Todas vieram falar comigo para me desejar recuperação”, contou.
   Mas agora o momento será de concentração. Derly já iniciou a sua recuperação com sessões de fisioterapia, em uma academia de Porto Alegre. “Ainda não tenho uma data certa para retornar aos treinos no tatame, mas já faço musculação para reforçar o machucado”, disse. “Vou me resguardar para ter a melhor recuperação possível.”

Atropelamento de ciclistas na Capital percorre o mundo

O texto era pra ser só uma retranca do texto sobre o protesto desta segunda-feira. Mas o assunto rendia. Analisando um pouco mais a fundo, virou (mais uma) matéria sobre a força da internet e de redes sociais em grandes protestos. O link da matéria – que é quase um artigo -, publicada no CP, é esse http://bit.ly/hzJ15D

   Se tempos atrás grandes acontecimentos eram discutidos em bancos de praças públicas, atualmente – e não é de hoje – alguns assuntos ganham uma repercussão muito maior graças à internet. E a discussão, que antes poderia demorar para ultrapassar o perímetro da localidade, agora se multiplica de forma veloz para o mundo inteiro.
   Foi o que ocorreu com o atropelamento de um grupo de ciclistas do grupo Massa Crítica no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, na última sexta-feira. A internet agiu como um multiplicador do conteúdo desenvolvido a partir do incidente. A colisão – e as cenas – foram tema de debates por internautas de diferentes países. Nesta terça-feira, o caso terá um novo capítulo: protesto do movimento, marcado para o final da tarde, na Capital.

Chegar ao outro lado do mundo é questão de tempo

   Pouco mais de 72 horas depois do atropelamento, a notícia já havia se espalhado por diversos cantos do mundo. Sites de países como Argentina, Peru, Estados Unidos, Grécia, Holanda, Espanha, Itália, Inglaterra e Austrália haviam informado sobre o incidente, conforme levantamento do portal R7. Parte desses sites utilizou o vídeo – ou reproduções de imagens – postado no YouTube pelo Massa Crítica. O vídeo já havia sido visto mais de meio milhão de vezes até pouco depois das 22h30min desta segunda.
   O site do movimento Massa Crítica também teve sua audiência exponenciada desde o incidente. Na página, são postadas notícias sobre o desenrolar do caso, serviços jurídicos para as vítimas do atropelamento, além de comentários sobre a cobertura da imprensa.

#naofoiacidente mantém assunto em discussão por todo o dia

Atropelamento ocorreu na esquina das ruas José do Patrocínio e  Luiz Afonso | Foto: Tarsila do Amaral   No Twitter, a hashtag #naofoiacidente se manteve nos Trending Topics do Brasil – a lista de assuntos mais comentados no site no País – por praticamente todo o dia. O nome do motorista do Golf, o bancário Ricardo Neis, também figurou na lista. Alguns usuários, inclusive, divulgaram alguns de seus dados pessoais, como endereço, telefone e até mesmo CPF.
   Durante a tarde, ele se apresentou à Polícia. Neis acusou os ciclistas de terem batido em seu carro antes do atropelamento. Ele afirmou que procurou uma brecha e acelerou para sair do local e, após, fugiu, pois “se ficasse ali, seria linchado”. No início da noite, o Ministério Público e a Polícia Civil pediram sua prisão preventiva.

Massa Crítica de Porto Alegre organiza protesto em horário de pico

   O grupo Massa Crítica anuncia manifestação para esta terça-feira. A concentração será as 18h30min no Largo Zumbi dos Palmares e o grupo se deslocará até a prefeitura. Nesse horário, o trânsito na região central de Porto Alegre costuma ser bastante complicado. Perto da meia-noite desta terça, mais de 1,2 mil usuários do Facebook haviam confirmado presença no evento, através da rede social.
   Nesta segunda-feira, ciclistas de São Paulo organizaram um ato em solidariedade aos gaúchos. Eles andaram de bicicleta e deitaram no asfalto da avenida Paulista. Um dos participantes levava uma placa com a frase que já está virando lema: “Não foi acidente”.
   Através de blogs, ativistas de outras três capitais do Brasil – Curitiba, Brasília e Aracaju – e até da capital argentina, Buenos Aires, também combinam manifestações até sexta-feira.

“Ninguém sabe o que vai acontecer no país”, relata gaúcha que mora no Egito

Administradora Vanuta Kich acredita que manifestantes não irão ceder ao presidente Hosni Mubarak

   “Era para eu estar passeando nesta semana e tirando fotos”, lamenta a administradora Vanuta Kich, 23 anos. Gaúcha de Rosário do Sul, ela vive no Cairo, capital do Egito, desde abril do ano passado, onde participou de um intercâmbio, cujas atividades terminaram na última semana, justamente quando começou os conflitos no país, com a população saindo às ruas pedindo a saída do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.
   Em entrevista ao Correio do Povo por telefone na noite desta quarta-feira, ela relatou como está o seu cotidiano no país, onde ficará até a próxima semana, quando retorna ao Rio Grande do Sul. Com voo confirmado, ela diz que a embaixada brasileira não lhe passou nenhuma recomendação especial, embora a grave crise no Egito já tenha deixado centenas de feridos e pelo menos três mortos. Enquanto isso, ela procura ficar no seu apartamento, onde é resguardada por vizinhos que montaram guarda para evitar ações de vândalos.

Situação de Hosni Mubarak

“Está chegando a um extremo que os manifestantes não vão abrir mão. Eles não querem nenhum tipo de desculpa para o Mubarak ficar até o final do mandato. O presidente já falou que não vai se recandidatar, mas o povo não está muito crente, porque não é a primeira vez que ele fala isso. Eles querem que Mubarak saia agora. Enquanto o presidente não sair, os manifestantes não vão parar. Está uma indefinição total e ninguém sabe o que vai acontecer no país. Em geral, as pessoas estão respeitando o toque de recolher, mas o pessoal que está na praça Tahrir não está abrindo mão, eles estão inclusive dormindo lá.”

Internet e telefonia

“Sexta-feira parou de funcionar a internet. Hoje (quarta-feira) voltou por volta das 14h. O telefone ficou sexta e sábado fora. Nem ligações dentro do país funcionavam. No domingo voltou, mas a conexão não era muito boa. Funciona melhor à noite. Mensagens por SMS não funcionam.”

Meios de comunicação

“O canal local da televisão está funcionando, mas não sei sobre os jornais impressos. Acho que não. O discurso do Mubarak e o anúncio do toque de recolher foram transmitidos também por alto-falantes – os mesmos que anunciam os horários de reza para os muçulmanos. Durante o tempo em que a internet estava fora, ficávamos sabendo das noticias através do canal local, embora em árabe, e por amigos egípcios que iam nos atualizando. Agora, a notícia circula pelo Facebook e acompanhamos também pelo CNN e Al Jazzera online.”

Vândalos

“A gente vê homens de guarda no prédio, com pedaços de pau e pedras para protegerem seus prédios. Estavam entrando nos prédios e arrombando casas. Vândalos entraram no Carrefour, sacaram mantimentos e destruíram tudo.”

Barreiras nas ruas

“Andar na rua é um pouco perigoso. A cada quadra tem grupo de moradores ou exército, checando o que tem dentro e pedindo documento. A nossa rua (Ahmed Zomor) é muito movimentada normalmente e hoje não passa nada.”

Supermercados

“Eles funcionam entre às 9h e 12h – o horário permitido para sair na rua durante o toque de recolher é entre 9h e 15h. No início da semana, quando nós fomos, foi a época que o pessoal começou a falar que iria ter o toque de recolher, e era necessário se prevenir com estoques. Demoramos três horas para conseguir fazer compras. Havia pessoas brigando e corre-corre. Agora, já reabasteceram os mercados.”

Falta dinheiro em circulação

“Os bancos não estão funcionando desde quinta-feira e nem mesmo os caixas eletrônicos. Se tu não tem dinheiro em cash, esquece. As lojas também, em sua maioria, estão fechadas. As empresas estão em recesso desde a semana passada também.”

*Colaboração do jornalista Thales Barreto

**Matéria originalmente publicada no CP, na noite de 2 de fevereiro. Graças ao Thales consegui o contato com a Vanuta, feito por telefone, cuja qualidade da ligação estava excelente, embora o caos no país.

Administradora Vanuta Kich acredita que manifestantes não irão ceder ao presidente Hosni Mubarak

(100) dias com ele

Pra fazer analogia com o futebol, foi quase aos 48 do segundo tempo que a gente se deu conta que o técnico do Grêmio, o mítico Renato Portaluppi, completaria 100 dias no comando do time no dia seguinte. Mãos à obra pra uma materinha especial, encurtada pela falta de tempo. Surgiu a ideia de fazer uma arte inspirada no filme 500 dias com Ela. O Jonathas Costa se puxou e, abaixo, o resultado do que foi publicado no CP, em 20 de novembro.

   Ele é mais que um técnico, é um ídolo. Mais que um ídolo, um símbolo, o qual 10 entre 10 gremistas reverenciam pelo passado em Tóquio, pelo presente no Olímpico e, talvez, pelo futuro na Arena. Chama-se Renato Portaluppi, tem 48 anos e é o homem que deu o mundo ao Grêmio em 1983 e que, neste sábado, completa 100 dias como técnico do clube que ama.
   Com contrato renovado, Renato já não tem data para deixar Porto Alegre. O novo vínculo, firmado sexta-feira, não tem prazo de validade e nem multa rescisória. Qualquer das partes pode romper a hora que bem entender, sem custos, sem mágoas. É um casamento, conforme o próprio treinador explicou. E, se a metáfora estiver correta, Renato e Grêmio vivem (mais uma) lua de mel.


   Pudera, foi com Renato que os sorrisos voltaram ao Olímpico. Faz pouco mais de três meses que ele retornou. Antes, a rotina tricolor era de lamúrias e derrotas. A zona de rebaixamento do Brasileirão tinha se transformado em uma constante. O resultado foi o previsto: Silas caiu, Renato chegou.
   Desde o seu desembarque no Salgado Filho, Renato recebeu apoio da torcida, que se deslocou até o aeroporto para recepcioná-lo. Ainda que a reestreia não tenha sido das melhores – a eliminação para o Goiás na Sul-Americana – o novo técnico ganhou um voto de confiança. Sem desanimar, adotou um discurso símbolo na retomada: pensar jogo a jogo.
   À época, traçou duas metas: tirar o Grêmio da zona de rebaixamento e recuperar Douglas, o camisa 10 que andava em baixa, inclusive ouvindo vaias da torcida. Um objetivo dependia do outro. Essa equação começou a ser resolvida logo no segundo jogo do treinador, contra o próprio Goiás, agora pelo Brasileirão: vitória de 2 a 0 e o início da retomada da confiança da equipe que saiu da zona de rebaixamento para fazer a melhor campanha no segundo turno.

Futurista, The Black Eyed Peas toca para 10 mil em Porto Alegre

Fergie foi a musa da noiteApesar de não ser fã, esse era um show que sempre tive vontade de ir. No último sábado, na passagem deles por Porto Alegre, cobri para o CP. E trata-se de um baita evento. Se puderes assisti-los, caro(a), leitor, vá. Abaixo, a matéria da apresentação. A foto é do parceiraço Mauro Schaefer.

   Por cerca de duas horas, o quarteto norte-americano do The Black Eyed Peas colocou Porto Alegre para pular com seus hits, na noite deste sábado, no estacionamento da Fiergs. Pela terceira vez na Capital, Will.I.Am, Apl.de.ap Taboo, e Fergie apresentaram, dessa vez, o show estiloso e futurista da turnê “The E.N.D. World Tour 2010”. A próxima parada do grupo no Brasil será em Florianópolis, nesta segunda-feira.
   Eram 21h10min quando Will.I.Am, último integrante a subir para o palco, gritou pela primeira vez um enrolado “Porto ‘Alegra’” para pôr fim à ansiosa espera dos fãs, que desde cedo já estavam no local. “Let’s Get Started” foi a primeira música, que prontamente colocou os milhares de fãs para pular. Sem perder o embalo, eles seguiram com “Rock That Body” e “Meed me Halfway”.
   Como era esperado, os fãs transformaram o estacionamento da Fiergs em uma grande e animada festa. Dos mais diferentes esteriótipos – desde crianças acompanhados de pais e mães a senhores de camisa e calças sociais – o público cantou junto os sucessos como “Don’t Phunk With My Heart” e “My Humps”, que teve bela e provocante performance da musa da noite, Fergie, novamente loira.
   A cantora, aliás, teve seu auge no show durante a apresentação solo, que cada um do quarteto teve uma. Com “Fergalicious”, “Glamorous” e a balada “Big Girls Don’t Cry” conquistou de vez os presentes, arrancando muitos aplausos – e suspiros da ala masculina. “Wow! This is beautiful”, agradeceu, sorridente, mandando beijos ao fim de sua música lenta.

Estrutura futurista faz público “viajar”

   No final, os fãs foram ao delírio com os hits mais recentes do grupo, “Bow Bow Pow” e “I Gotta Feeling”, que fechou com chave de ouro a apresentação. O show reuniu milhares de fãs e contou com uma megaestrutura. As luzes e as projeções nos telões de LED instalados no palco levaram o público de uma favela carioca, em “Mas que Nada”, até o espaço, no solo de Will.I.Am.
   Os equipamentos – e, claro, a banda – cumpriram a promessa do “E.N.D” da turnê, que significa: “Energy Never Dies” – a energia nunca morre. Em Porto Alegre, pelo menos, foi um elemento constante.