A bola no centro do mundo

   Prepare o seu fôlego. Nesta sexta-feira, quando o árbitro uzbeque Ravshan Irmatov apitar o início de África do Sul x México, às 11h pelo horário de Brasília, começará o primeiro dos pelo menos 5.760 minutos de bola rolando na Copa do Mundo 2010. Serão 64 confrontos envolvendo 32 nações até o dia 11 de julho, quando o estádio Soccer City, em Johanesburgo, sediará a grande final. Nessa data, será conhecido o novo campeão do mundo.
   Realizada desde 1930, a Copa do Mundo chega à sua 19ª edição e, pela primeira vez em 80 anos, desembarca no continente africano. Nas 18 anteriores, o Brasil foi quem ergueu a taça de campeão mais vezes: cinco. A Itália, com quatro conquistas, vem logo atrás, seguida pela Alemanha, tricampeã.
   Devido ao fuso horário, a maioria dos jogos neste ano serão realizados entre 8h30min e 15h30min. Aqui no Brasil, instituições como bancos, ficarão fechadas durante as partidas da Seleção.

Olho no relógio para acompanhar a Seleção

   O time de Dunga, aliás, entra em campo na África do Sul na próxima terça-feira, às 15h30min, diante da Coreia do Norte. No mesmo horário, cinco dias depois – sábado – o desafio é contra a Costa do Marfim. Fechando a primeira fase, o desafio é Portugal, de Cristiano Ronaldo, às 11h.

Seleção da bruxa

   Antes da bola rolar na África, a bruxa estava solta. E atacando diversos craques. O alemão Ballack, o francês Diarra, o ingleses Beckham e Ferdinand e o português Nani foram algumas de suas vítimas. Lesionados, eles estão fora da Copa. O marfinense Drogba, o inglês Rooney e o italiano Pirlo são daqueles que não chegam nas melhores condições.

Seleção de craques

   A bruxa causou grandes desfalques a essa Copa, sem dúvida. Porém, não o suficiente para estragar o brilho da festa. Pelos gramados sul-africanos desfilarão grandes jogadores. É o caso dos últimos quatro eleitos pela Fifa como melhor do ano: o italiano Fábio Cannavaro, o brasileiro Kaká, o luso Cristiano Ronaldo e o hermano argentino Lionel Messi.

Os 10 estádios

   Os estádios da Copa da África foram uma dor de cabeça para a Fifa. Entre reformas e construções, alguns deles, como o palco da final, Soccer City, ficaram prontos às vésperas. Para o bem dos milhões de torcedores dos cinco continentes, eles estão prontos para receber o maior evento de futebol do planeta. São dez sedes, em nove cidades. Destaque, claro, ao Soccer City, que deve receber 88 mil pessoas na grande decisão.

O mascote

   O recepcionista da vez é o simpático leopardo Zakumi. O bichinho, apresentado ao mundo em 2008, é o mascote da Copa da África. Seu nome vem de “ZA”, abreviação de África do Sul, e “Kumi”, que significa 10, o ano da Copa.

O ídolo-mor

   Dentro de campo, estarão craques de todo o mundo que são idolatrados por onde passam. Mas o maior ídolo desta Copa estará fora das quatro linhas. Nelson Mandela, prêmio nobel da paz e um dos símbolos da África do Sul pós-apartheid. Aos 92 anos e com a saúde frágil, dificilmente irá a alguma partida além da abertura, mas sua figura é reverenciada por todos na África do Sul.

A estrela mais cobiçada

   Ok, todos estarão de olho nos craques do campo. Mas, no fim, a torcida quer ver a sua seleção com ela, a taça de campeão. Criada em 1974, a Taça Fifa foi elaborada pelo artista italiano Silvio Gazzaniga. O campeão a fatura, mas devolve antes do início da Copa seguinte. Brasil, Alemanha, Argentina, Itália – todos duas vezes cada -, além da França, já tiveram o prazer de levá-la para casa.

Clube dos campeões do mundo

   Falando em campeão, esse é um clube restrito. Apenas sete seleções – e todas elas estão na África do Sul – já bordaram ao menos uma estrela acima do escudo: Brasil (5), Itália (4), Alemanha (3), Argentina (2), Inglaterra (1) e França (1).

Brasil x Argentina também na casamata

   Falando em clubes restritos, esse é mais ainda. Tem só dois integrantes: Zagallo e Beckenbaeur. Apenas eles já venceram uma final de Copa do Mundo como jogador e como técnico. Na África, dois homens brigam para também se gabar desta façanha. Justamente Dunga e Maradona. Nosso técnico foi campeão em 1994 e “El Diez” em 1986.

Algodão no ouvido

   Os sul-africanos adoram, não abrem mão, mas para quem assiste pela TV, as vuvuzelas – as cornetas típicas usadas pelos torcedores nos jogos – são um inferno. A Fifa pensou em proibi-las, mas desistiu. Uma alternativa mais silenciosa é acompanhar a cobertura completa do Correio do Povo. Começa no caderno especial diário encartado na versão impressa e segue 24h no site do CP.

Para saber mais

   Ao longo das últimas semanas, o Correio do Povo elaborou uma série de especiais sobre a Copa do Mundo. Saiba curiosidades como as melhores defesas, os pernas de pau, os frangos inesquecíveis, as finais marcantes, as maiores pancadarias, as eliminações mais legais da Argentina, os campeões de papel, os craques não lembrados, os brasucas que defenderam outros países, as “feras” da Copa e as melhores estreias do Brasil. Clica no link, confere, e te diverte.

Para saber mais ainda

   Agora, se você quiser ficar por dentro de tudo o que rola nesta Copa do Mundo, clica aqui no infográfico especial do Correio do Povo sobre o Mundial. Datas dos jogos, horários, seleções e tudo mais aqui, à sua disposição.

Materinha feita horas antes da Copa pro CP

Desabafos alheios. Ou momento confessional nº 8

   Lembro do Mestre Leonam ensinando e repetindo inúmeras vezes os mandamentos do jornalismo: “Mandamento número: jornalista não pode ser ingênuo; mandamento número dois: jornalista não pode ser ingênuo; mandamento número três: jornalista não pode ser ingênuo”.
   Por mais que tenha aprendido a lição, passado com uma das notas mias altas naquela disciplina e sempre me perguntar, quando dou por encerrada uma matéria, se o professor aprovaria o texto, às vezes acho que não compreendi ainda essa lição. Em momentos como agora, que não consigo – e não quero – acreditar nos boatos que li há pouco.

“Governo propõe pensão para tricampeões do mundo”

Os jogadores campeões mundiais com a seleção brasileira de futebol poderão ganhar uma ajuda econômica, tão desejada a muito tempo. Nesta quinta-feira, o Governo enviou oficialmente ao Congresso um projeto de lei que prevê uma pensão vitalícia para os atletas triunfantes nas Copas de 1958 (Suécia), 1962 (Chile) e 1970 (México), especialmente para os que apresentarem maior dificuldade financeira.

A Presidência informou que o texto, publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial da União, será estudado pelo Congresso antes de ser aprovado nas contas de Brasília. O projeto cederá um prêmio de R$ 100 mil para cada um dos jogadores que compuseram os elencos das três conquistas mundiais. Em caso de falecimento, os herdeiros receberão a quantia.

Somado ao valor depositado de forma imediata, o Governo Federal pagará uma pensão mensal para cada jogador, igualando-a à máxima admitida atualmente no país (R$ 3.416). Dessa forma, o estudo, que já dura dois anos, está perto do final esperado pelos ex-vencedores dos três primeiros títulos brasileiros de Copa do Mundo.

A iniciativa para esta ajuda monetária surgiu quando o título do Mundial de 1958 completou 50 anos. Em uma cerimônia em Brasília na época, os atletas daquela geração mostraram a dificuldade financeira a qual viviam alguns deles e comoveram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sugeriu a proposta deste acordo e prometeu acelerar este processo.

Detesto um (não)debate assim sobre política, mas essa foi demais! Vou ponderar por partes, tentar ser breve e não me irritar muito:

1) Sou completamente favorável a todas as formas de reconhecimento público a heróis, sejam eles bombeiros, lixeiros ou atletas. Poucos assuntos são capazes de mobilizar tanto a opinião público e a população como o esporte. O esporte une, gostem ou não, o nosso distraído povo brasileiro. É uma lástima e uma falta de consideração ver pessoas que representaram o nosso país passando por dificuldades financeiras. Tão triste quando um bacharel desempregado, sem dúvida.

2) Em rodas preliminares de discussão na internet, em blogs e twitters, notei certa indignação e perguntas do tipo: “E os que não foram campeões em 1966, como que ficam?”. [explosão e perdão pelo palavrão] Não consegui evitar o pensamento: “PUTA QUE PARIU, parem de pensar somente em futebol, CARALHO!” Temos 200 milhões de pessoas nesse país, somos conhecidos pela grande variedade e mistura de culturas, mas só pensamos em futebol? (E escrevo isso depois de participar da cobertura de dois grandes jogos nessa semana)

3) Se dá para chamar de herói (e ficar com pena e dar pensão) àqueles campeões mundiais de 1958, 1962 e 1970, como classificar os bicampeões mundiais do basquete (1959 e 1963) ou Natália Falavigna, campeã mundial no taekwondo, ou João Derly? Também estavam representando o mesmo país e foram campeões do mesmo mundo, não? Se vamos dar uma bolsa-campeão-do-mundo para um, abre-se o precedente para todos os outros. Faça-se justiça nessa lambança, então. Não vamos esquecer nossos campeões do mundo. E já vou lembrando: o Brasil já ganhou algumas vezes o Mundial de Punhobol.

4) Sonho em ver o Brasil uma potência olímpica. E fico muito triste ao ver que temos plenas condições e desperdiçamo-as facilmente. Muito em parte da mídia, que privilegia demais o futebol, muito em parte do governo, que não investe corretamente esporte. Até por isso fiquei feliz com a escolha das sedes da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Ao contrário do Mestre Leonam, acho que isso pode ser um incentivo ao esporte. A mais pura ingenuidade minha, eu sei.

5) [hora de colocar o nariz de palhaço, caro(a) leitor] Eu sei que o dinheiro que querem dar aos atletas não chega a ter tanto impacto nos cofres do governo. Um milhãozinho a mais ou a menos nada mais é que a quantia desviada em alguma esquina de Brasília. Mas acho que sou obrigado a escrever isso. Caindo na demagogia: antes de pensar em ajudar nossos heróis do passado – o que é justo e honroso -, o Governo Federal poderia investir mais em escolas e universidades públicas – o que é necessário -, reformar um hospital – o que é urgente – ou, sei lá, tapar uns buracos de qualquer BR por aí – há várias precisando de uma manutenção.

Updade
Enquanto isso, nos outros esportes (que também têm campeõesm mundiais)

Uma viagem ao país mais fechado do mundo

…Ou retratos do comunismo, que você já viu aqui também

   Sair do Brasil e ir para um país de regime fechado como a Coreia do Norte é mergulhar em uma realidade totalmente diferente. Ao contrário da democracia brasileira, os norte-coreanos vivem sob a batuta comunista de Kim Jong Il.
   Para chegar a Pyongyang, arcando com as próprias despesas, a delegação do Atlético de Sorocaba precisou sair de Pequim e, da capital chinesa, embarcar no único voo internacional que vai até a Coreia do Norte.
   “Tivemos que ir à China, esperar o visto. Quando chegou, (o visto) era de apenas quatro dias. Embarcamos na manhã seguinte em um avião russo da metade do século passado”, relembra o ex-vice-presidente do clube paulista, Waldir Cipriani. “Nosso técnico na época não quis nem provar a comida oferecida. Passou o tempo inteiro com os olhos fechados.”
   E, na viagem, não apenas o transporte foi uma dificuldade. “Quando chegamos, verificaram se todos estavam ‘dentro dos critérios’”, relata Cipriani, sobre o fato que deixou todos os jogadores bem apreensivos. Ele também revela que as bagagens da delegação foram detalhadamente conferidas.
   Câmeras fotográficas e celulares foram artigos proibidos. Internet, telefone era algo inacessível mesmo no hotel, nem para comunicar a família que a viagem transcorreu bem. “Além disso, nossos passaportes não que ficaram retidos, mas bem guardados por um funcionário do governo.”
   O treinador do Atlético de Sorocaba na época, o ex-jogador Edu Marangan, recorda – em entrevista à Rede Record – a principal sensação que teve na Coreia do Norte: “Você chega no aeroporto e dá de cara com o Exército”, revela. “Parece que você é vigiado durante 36 horas num dia.”

Sugestão: Leia essa matéria aqui, publicada no CP