Uma gata na minha pauta

Ainda que oficialmente ele não sirva para muita coisa, tenho o meu diploma de jornalista há três anos e cinco meses. O tempo de carreira ainda é ínfimo para o que imagino e pretendo ter. Mas suficiente para tornar a surpresa algo corriqueiro. Afinal, disso que é feito um jornal.

Todo o dia é algo novo. Porém hoje aconteceu algo que na minha cabeça soava como inimaginável para uma cidade pseudometrópole como Porto Alegre. Algo que imaginava apenas em quadrinhos infantis: bombeiro salvando gatos em cima da árvore.

Assim que o telefone da fonte caiu na minha mão, imaginei que em cinco, oito linhas tudo estaria resolvido. Que nada. Porto Alegre faz parte do Rio Grande do Sul, tinha polêmica, como todo e qualquer assunto neste estado.

O resultado, publicado no site do CP, está aí embaixo:

Gata é resgatada após ficar seis dias presa em árvore em Porto Alegre

O que parece história de desenhos animados aconteceu em Porto Alegre, nesta segunda-feira. Na manhã de hoje, bombeiros escalaram uma árvore para resgatar de lá uma gata de rua, que estava entre os galhos. Só que a bichana ficou por lá seis dias, período em que a temperatura e o clima variaram bastante – inclusive hoje foi o amanhecer mais frio do ano na Capital, com 5,5°C .

Em prol da gata, uma verdadeira mobilização na internet foi realizada. E ela começou com a nutricionista da Ufrgs Rita Cherutti. Ela conta que chegou ao local do incidente, a rua Andaraí, na zona Norte da cidade, após ligação de uma amiga. A situação em que o animal se encontrava preocupou Rita, dona de cinco gatos: “Todos retirados das ruas”.

• Blog registra em vídeo resgate da gata

Desde a noite de domingo, Rita e um grupo de amigos começou a ligar para o Corpo de Bombeiros, que chegou a ir ao local. Em uma primeira tentativa, a cada vez que os bombeiros se aproximavam da gata, ela subia para mais alto da árvore, ultrapassando o limite das escadas. “À noite, eu estava embaixo de edredons na cama com meus filhos mais cinco gatos e sentíamos frio. Imagina ela, lá em cima”, compadeceu-se Rita.

O capitão do Corpo de Bombeiros Marcos Paz explica que o grupo não tinha disponível equipamento do tamanho necessário para a operação e por isso que a operação precisou ser adiada para a manhã de hoje. Segundo o oficial, as escadas medem cerca de 9,5 metros de altura e o animal já se encontrava a 15 metros do solo. O caminhão com auto-escada poderia chegar até o topo, mas devido a questões logísticas, seu uso seria impossível no local. “Era necessário que o homem estivesse na escada para poder resgatar a gata”, acrescenta o capitão.

Foi o que enfim ocorreu na manhã desta segunda-feira, quando o Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros, usando trepas, subiram na árvore. Assustado, o bichano se afastou ainda mais, até onde não havia mais para onde ir, sendo finalmente resgatado. Depois da operação, a gata ficou aos cuidados do professor da Ufrgs Renato Zamora. O resgate foi acompanhado por Rita, que cancelou os compromissos da manhã e ver o salvamento.

Reclamações quanto a atuação dos bombeiros

Apesar do final feliz, Rita reclamou da falta de apoio das autoridades. Segundo ela, na noite de sábado, os bombeiros se negaram a realizar a ocorrência, o que é desmentido veementemente pelo capitão Marcos Paz: “Bombeiro não se nega a atender nenhum tipo de ocorrência”.

A mulher também conta que ligou para a Secretaria Especial dos Diretos dos Animais e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Ambos órgãos da prefeitura teriam lhe respondido que o atendimento só poderia ser realizado pelo Corpo de Bombeiros.

“Muitas foram as ligações de moradores do bairro, e outras pessoas envolvidos com o sofrimento do pequeno ser, porém muitos poucos realmente fizeram alguma coisa”, desabafou ela, no Facebook. “Quem ama animais e resgata sabe a dificuldade que é conseguir pessoas que realmente queiram ajudar.”

De acordo com o comandante do primeiro comando regional dos bombeiros, tenente coronel Roge, o resgate de animais não é necessariamente um trabalho dos bombeiros. “Fazemos o serviço até para evitar que alguém suba querendo salvar e acabe se machucando, mas não temos equipamento para tanto”, diz. Conforme ele, a responsabilidade nesse caso é do GBS. No entanto, o oficial não sabe informar porque os atendentes do 193 não chamaram o batalhão adequado e a gata ficou tanto tempo sem água, comida ou maneira de descer.

“Gatos não descem, eles vão derrapando e caem. As unhas deles são projetas para subir, não para descer. Ele ia pular, e morrer”, esclarece Rita.

*Colaborou a repórter Leda Malysz

Bom dia

Café ainda quentinho sobre a mesa de trabalho, leitura sendo atualizada. Plantas já alocadas na janela em busca de uma nesga de sol, a um metro da cama arrumada. Tudo isso cedo, em manhã de outono. Tudo sem grandes bocejos. Após tantos anos seguidos como um notívago convicto, aos poucos, vou fazendo as pazes com a manhã.

Podia ser poético, mas acho que é a idade mesmo. Bom dia!

Das coisas que ficam para trás

Foi meio que sem querer que entrei na rua Dona Augusta numa tarde de fevereiro e me deparei com aquele clarão. Uma luminosidade estrondosa que eu não havia reparado na minha vida inteira. Algo estava diferente. E, de fato faltava um integrante do cenário. Ou melhor, ele ainda estava sendo retirado. Uma estrutura fincada no bairro Menino Deus havia mais de 80 anos, o Estádio dos Eucaliptos.

Para quem não sabe, os Eucaliptos foi a casa do Inter entre 1931 e 1969. Sediou dois jogos da Copa do Mundo de 1950. Para quem não sabe, meus avós moraram por quase toda a sua vida na rua Dona Augusta, defronte a um dos portões do estádio, até morrerem, em 2010 e 2011.

Desativado há mais de quatro décadas, o Eucaliptos passou por diversas fases nesse interim. Chegou a ser até um autódromo durante um tempo. Fazia uns dez anos sediava quatro quadras de futebol sete. Antes, em 1999, teve um suspiro de vida, ao ter seu campo principal reformado, recebendo até um jogo amistoso do time principal do Inter.

Ao contrário de toda a mídia que a novela da assinatura do contrato de remodelação do Beira-Rio – o estádio sucessor – a demolição dos Eucaliptos não teve aviso de pauta, palavra de autoridades nem enrolação. Quase que de um dia para outro, grandes máquinas entraram em no gramado (àquela altura transformado em matagal) por onde já desfilaram centenas de craques. Em questão de uma semana, os antigos pavilhões já não passavam de amontoados de vigas, concreto e tijolos.

E a rua Dona Augusta, acostumada a passar as tardes à sombra das arquibancadas, reencontrou o sol. Ao menos por ora, enquanto não brotam ali seis ou sete torres residenciais, que por certo haverão de causar um pouco de tumulto no bairro Menino Deus.

Cerebral Larry

Pego de contrapé com a demolição, tentei produzir uma matéria especial, ao menos para registrar uma despedida do Eucaliptos. Por uma dessas forças maiores que acontecem em redações, ela acabou não vingando.

Por sorte, teve gente que não desistiu, como o pessoal do blog Impedimento. Eles fizeram um HISTÓRICO documentário com o ex-atacante Larry Pinto de Faria, dono do apelido Cerebral Larry – o que convenhamos não é para muitos.

No início do mês, também tive a oportunidade de entrevistar Larry, em uma matéria bem mais humilde. Um senhor simpático, atencioso e cheio de histórias para contar. A que ele me contou foi a vez que ele ganhou de 5 a 1 do Santos. O do Pelé. Dessa vez foi para o ar.

Onde fica(va) o Eucaliptos


View Larger Map

Por uma nova melodia

No canto do bar, ela ouve sozinha uma canção sobre paixão. O indisfarçável sorriso cúmplice denúncia que conhece de cor tais versos.

Elegantemente trajada com um vestido negro como o luto, ela hoje já deixa à mostra um ombro, valoriza uma curva a mais. As dores, enfim, sempre passam com o tempo.

Agora esperançosa, ela aguarda ansiosamente um novo tom, uma música de amor. Quer conhecer outros versos e quiçá viver novas estrofes.

Reencontro com um velho amigo. Ou momento confessional nº 11

Dias atrás vi algum blog que listava coisas legais para ensinar a seus filhos antes que você vire um adulto chato. Não tenho herdeiros, mas resolvi testar a proposta. Num impulso, credenciei-me para o show do Charlie Brown Jr, no bar Opinião, aqui em Porto Alegre.

Poucos dos meus poucos leitores sabem, mas um dia já fui adolescente, cabeludo e fã de Charlie Brown Jr. Daqueles que iam em shows no gargarejo, entravam em roda punk. E também iam – no mesmo Opinião – ver sua banda preferida.

E fui fã por bastante tempo. Fiel, que comprava cd (!) na primeira semana de lançamento, que catava cifra na internet para tocar no violão, na guitarra e no baixo.

Só que tudo isso terminou em 2005. Houve uma cisão até hoje não muito bem explicada. De cinco integrantes saíram quatro. E o Chorão, digo a banda, continuou. Não sei o porquê direito, mas aquilo me soou inaceitável. Uma traição, enfim.

Neste hiato, olhei para a minha ex-melhor banda do mundo com certa indiferença. Por cima, cantarolei  uma que outra música, apenas. Não toquei nenhuma outra.

A coisa, porém, começou a mudar de figura em 2011. O baixista Champignon e o guitarrista Marcão voltaram. A banda, ou 4/5 dela, estava de volta. Isso de certa forma fez acordar o adolescente roqueiro de outrora.

Desatento, reparei que o mesmo grupo tocaria no mesmo Opinião o qual fui sozinho 12 anos atrás. Por que não ir? Aí me vi novamente em um Opinião lotado, rodeado por adolescentes, jovens adultos tão iguais como uma década atrás. Uma banda também idêntica aquela. O diferente foi eu. Sem nem cogitar pular ou se esbofetear em rodas-punk. Resistente, de certa forma. Um idoso aos 26. Ex-roqueiro, de fato.

Por meia apresentação foi assim. Até que algumas músicas “das antigas” surgissem, para derrubar algum eventual preconceito. Para fazer voltar o adolescente, que se não foi para a frente do palco, cantou de longe, batendo o pé e fazendo das mãos uma guitarra ou uma bateria imaginária. Reencontrou um velho amigo, que depois de infortúnios parece ter recuperado a velha forma. E feito um ex-adolescente feliz. Ao menos enquanto não vira definitivamente um adulto chato.

O Brasil e o mundo aos seis anos

Eu entendia muito menos do que julgo que sei hoje sobre o mundo quando tinha seis anos, três meses e alguns dias de vida. A bem da verdade, mal compreendia o que acontecia ao meu redor naquele início de década de 90.

Numa paleozoica era em que termos como “Facebook”, “Twitter” e “Google” não remeteriam a nada demais. O maior desafio que tinha era juntar letras, sílabas e hiatos da forma correta, assim como aprender que 2 + 2 são 4. Eu tinha que passar de ano. Era o que importava.

Meu desafio soava bem mais simples do que o país em que morava tinha. Não chego a recordar com uma precisão exata, mas lembro que vivíamos ameaçados por um tal de dragão da inflação, que toda hora era retratado nas revistas que meu pai assinava.

Nesse planeta todos pareciam ser mais ricos e bem-de-vida que a gente. Nesses tempos pré-plano Real, o Brasil realmente era não mais que o país do terceiro mundo que tinha carnaval. E bundas.

(flash back gigante de todos os avanços e tropeços do Brasil entre 1992 e 2012)

Talvez hoje eu entenda um pouco mais do mundo do que duas décadas atrás. Vi, vivi e senti muitas coisas nesse meio tempo. Tropeços e evoluções, crises e soluções, trabalhos e políticas. O saldo, contudo, foi positivo por certo. Outrora coadjuvante, o Brasil passou a ser um país grande – não apenas geograficamente – em campos mais importantes que os de futebol.

Entre erros e acertos hoje reparo que o tal dragão da inflação (as charges não se esqueceram dele) mudou de casa. Enquanto dorme por aqui,  assombra lares outrora tão protegidos, fazendo – do pior modo – ex-almofadinhas aprenderem a dizer que “isn’t easy for nobody”.

Não que eu esteja feliz com isso. Só essa crise me chama atenção pela curiosidade que ela me desperta. Hoje meu sobrinho tem seis anos, três meses e alguns dias. Ele quer aprender a escrever e não dá muita bola para essas coisas que passam na TV ou saem nos jornais, no caso dele, a internet.

Fico curioso para saber qual lembrança ele guardará e se é que ele vai saber que um dia foram os espanhóis que barravam brasileiros em seus aeroportos – e não ao contrário.

De certa forma anseio para ter uma conversa com ele daqui a uns anos para perguntá-lo sobre suas primeiras lembranças de Brasil. Um país pujante – se ainda for um – ou um lugar (ainda) cheio de diferenças sociais.

Quero que ele se lembre de muita coisa para debatermos futuramente. Só não precisa se lembrar que sertanejo universitário era moda quando ele tinha seis anos, três meses e alguns dias.

Rápidas cariocas, parte 4

Jardim Botânico
Talvez o lugar mais legal que eu tenha conhecido no Rio desta vez. Hoje patrimônio histórico e artístico nacional, o Jardim Botânico foi fundado em 1808 pelo então príncipe regente de Portugal, D. João. Abriga algumas das mais belas paisagens cariocas.

A dica que eu dou é começar o passeio indo até o chafariz das musas, ao lado do espaço Tom Jobim, na área central. No entanto, a bem da verdade, inicie sua caminhada por qualquer outro lugar. É igualmente bonito.

A entrada custa R$ 6 e o tempo necessário para dar um bom passeio pelos 55 hectares abertos ao público lá (outros 82 são fechados), acredito, que seja uma tarde inteira – o horário que o jardim fica aberto é entre 8h e 17h. No verão, o expediente se estende até as 18h.

Toca do Vinicius
Quem gosta de bossa nova não pode deixar de reservar outra tarde para conhecer a Toca do Vinicius, que fica na rua Vinicius de Moraes, perto da Nascimento Silva (sugestivo, não?). Lá vendem-se discos, livros, cds, dvds e outras coisinhas relacionadas principalmente à boa música criada naquelas bandas há pouco mais de 50 anos.

Mas se é só uma loja temática, para que reservar uma tarde? Para ficar um tempo conversando com o dono, ué. Simpático como poucos – e militante da causa – Seu Carlos é dono de um conhecimento vasto sobre bossa nova. Mesmo sendo Toca do Vinicius, o objetivo é outro: “O importante é que a bossa nova não fique centrada só em um nome. O movimento foi muito maior”, prega ele.

Além do conhecimento, ele é portador de umas raridades também. A ideia é criar um museu com suas relíquias. O espaço, segundo o dono, vai ser ambientado nos anos 50, porém ainda não existe uma previsão de inauguração. “Eu só posso arrumá-lo quando tenho tempo. E quando tenho tempo? Não sei”, explicou-me.

Escadaria Selarón


Para quem também é fã de arte – ou nem isso, mas que goste de ver belos lugares – vale uma volta na colorida Escadaria Seláron, entre a Lapa e Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro. São 215 degraus e mais alguns vários metros quadrados de parede decoradas com milhares de azulejos coloridos, colocados ali pelo chileno Jorge Selarón.

A ideia, conforme o artista, é fazer da escadaria uma obra de arte mutante, já que ele, de tempos em tempos, substitui uns azulejos por outros. Personalidades e história carioca estão presentes nos degraus, assim como o elemento presente dele: uma mulher grávida. Clica na foto e confere a história, escrita no início da escadaria. Nos azulejos, é claro.

Rápidas cariocas, parte 3

O Rio além da praia

Centro antigo do Rio

Centro antigo do Rio

Que tomar um banho em Ipanema ou Copacabana, dar uma caminhada na orla de Botafogo e no Aterro do Flamengo é bom ninguém questiona. Mas, por favor, não vamos resumir o Rio apenas à praia, Corcovado e Pão de Açúcar. O Rio é mais que verão e samba, bem mais.

Uma vez já falamos aqui que a troca da capital do país do Rio a Brasília prejudicou – e muito – os cariocas. Enquanto no Planalto Central as coisas são rotineiras e prevísiveis, o Rio tem cultura. Cultura que tem todas as outras capitais nacionais que conheço. Como por exemplo…

Entrada da Biblioteca Nacional

Biblioteca Nacional
Um prédio pomposo, de uns quatro espaçosos andares. Com ares europeus. Além da consulta de livros – feita por computadores lá instalados – há a possibilidade de realizar visitas guiadas. Porém, é bom agendar com antecedência de uma semana pelo menos. É bem concorridoo.

Theatro Municipal
Nas proximidades da biblioteca, na Cinelândia, fica o Theatro Municipal. Outro prédio com uma pompa incrível. outro lugar em que dá para fazer uma visita guiada, aonde chegando uma hora antes do horário pré-programado, fica tranquilo.

Centro histórico/Cinelândia
Se tu gostas de história, saia do Theatro e siga caminhando pela Cinelândia e Centro antigo, tudo pertinho dali. Por ali há utros tantos teatros, igrejas e museus. E aí, como eu, comprove que há bem mais que praia e samba nesta cidade.

Academia Brasileira de Letras

Machado de Assis, em frente à ABL

Machado de Assis, em frente à ABL

Também naquela volta, fica a sede da Academia Brasileira de Letras. Queria descrevê-la por dentro, mas não pude entrar, pois vestia roupas impróprias: bermuda e camiseta sem mangas. Então capriche no vestuário quando quiser conhecer a ABL – e não apenas tirar uma foto com a estátua do Machado de Assis.

Palácio do Catete
Um pouco mais distante – mas não muito – da Cinelândia fica o Museu da República, antigo Palácio do Catete, sede do governo brasileiro antes de Brasília. Lá, em 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas saiu da vida e entrou na história. O local é bem conservado e ainda há um belo de um jardim atrás do prédio. Vale o passeio.

Rápidas cariocas, parte 2

Vamos brincar de retomar nossa seriezinha de turismo? Dessa vez o destino foi o Rio de Janeiro, onde estive ao longo de cinco dias deste 2012 que começou há pouco. Seguem aí algumas considerações, continuando o post, inaugurado em novembro de 2009 – que, diga-se de passagem – permanece atual.

Rio$ de dinheiro$
Que a cidade é maravilhosa e cheia de encantos mil é redundante (além de, cá entre nós, clichê) escrever. No entanto, o Rio, ao menos em janeiro, tem algo de não maravilhoso e tão pouco encantador: a conta. Assim, imagine qualquer produto. Agora o inflacione algumas dezenas de pontos percentuais. Pois é, via de regra, os preços são assim em solo carioca.

Metrô Rio
Funciona – e bem – além de ser bem útil especialmente para quem se dirige à Zona Sul. Da estação Cinelândia, a mais próxima do Aeroporto Santos Dummont, até a Ipanema, são cerca de 15 minutos – provavelmente bem menos do que se leva de carro em quase todos os horários do dia. O serviço custa R$ 3,10 e há a possibilidade de comprar um cartão pré-pago, que, inclusive, dá descontos em alguns eventos, mas não na passagem.

Pra quem gosta de estar informado, também é uma boa oportunidade. Só eu peguei o trem com três jornais gratuitos: Metro, Destak e RJ Sports (antigo Jornal dos Sports).

Bike Rio
Além do metrô, uma alternativa ecologicamente correta, saudável e barata é alugar uma bicicleta. Peguei uma na Lagoa Rodrigo de Freitas. Teoricamente seria R$ 10 por uma hora. Mas o carioca responsável revelou, com seu sotaque chiado, que sempre deixa o cliente ficar um pouco mais. Ao cabo que só consegui devolver a bike na terceira tentativa, quando o relógio já marcava cerca de 1h30 de passeio.

Lagoa Rodrigo de Freitas

Outra alternativa DO CARALHO (desculpa, caro(a) leitor, mas merecia um palavrão) é a promovida pelo Banco Itaú. Hoje, do Aterro do Flamengo até a ponta do Leblon, pessoal pode pegar bicicletas ao preço de R$ 10 mensais ou R$ 5 diários. Tem que fazer um cadastro e se libera via celular. É um baita incentivo para quem quer andar. E deveria ser copiado em outras cidades.

Rio também a pé, oras
Caminhando, se percebe mais detalhes da cidadeTá, esquece o metrô, esquece a bike e vai a pé. Perigoso? Talvez, se tu inventares de ser um turista ratão e/ou andar dando sopa em lugares não muito próprios. Caminhei – e muito – pelo Rio. A bem da verdade, a maioria pela Zona Sul, que parece outra cidade. Mas muito pela região central também, em diversos horários. O Rio me pareceu um tanto tranquilo, bem diferente daquele que eu via na TV tempos atrás, que mais parecia um velho oeste à beira-mar.

O que me chamou atenção, também, foi a notável presença de policiais, até mesmo na praia, onde – de sunga e camiseta – fazem a operação “Choque de Ordem”. De forma meio leiga, diria que está dando certo. Ainda que assassinatos seguem sendo registrados diariamente sob os olhos do Cristo Redentor.

Corneta gratuita (ou cuspe no prato que se come)
Rua Nascimento Silva, 107Cá entre nós, quem elegeu a Rua Gonçalo de Carvalho, em Porto Alegre, como a mais bonita do mundo nunca esteve em Ipanema. Nem a da capital gaúcha e muito menos a da fluminense. O trânsito pode ser até melhor, porém a beleza não supera. A rua em que o Tom Jobim morou – citada em “Carta ao Tom” – é um exemplo.