Hora do Conto 3 – Comédia com assinatura

   “Altamente devorável. Recomendável para quaisquer dias, inclusive aqueles de chuva e/ou tediosos. Entretanto, cuidado para não terminar o livro logo na primeira leitura. Apesar de parecer bom no momento, estraga um prazer do dia seguinte.”

   O parágrafo acima fui eu que escrevi e publiquei somente aqui, mas ele poderia estar perfeitamente na orelha de “Comédias Brasileiras de Verão”, do Luis Fernando Verissimo, da série Ver!ssimo da editoria Objetiva.
   Ao longo das 51 crônicas do livro, Verissimo parece estar sentado ao nosso lado, contando suas histórias – praticamente todas bem boladas e com o senso de humor característico do velhinho careca e tímido. Os textos foram divididos em cinco categorias: Eles e elas, Obsessões, Separações, A vida em bando e Álbum de família.
   A assinatura do autor já aparece logo no primeiro conto, quando narra a história de um casal que acorda nu na cama, em 1º de janeiro. O detalhe é que eles não se conhecem, nem se recordam como chegaram lá, além de não terem noção de onde estão.
   Em outra, conta o desfecho do hipotético desejo realizado: o de ser esquecido em uma ilha deserta com Luana Piovani. Para um homem normal, o desfecho é, no mínimo, surpreendente.
   Quanto ao título da obra, não poderia ser mais adequado. “Comédias…” é o típico livro para se ler jogado em uma cadeiras sentindo a brisa vinda de uma mar como o de Capão da Canoa… Salva de qualquer dia de mau humor.

Comédias Brasileiras De Verão
Autor: VERISSIMO, LUIS FERNANDO
Editora: OBJETIVA
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA – CONTOS E CRÔNICAS

fonte: Livraria Cultura

A crônica daqueles que não deram certo

   Pra que voltar, infeliz? Já não basta todo o atraso – e o estrago – que causaste a mim na estação passada? Agora vens, outra vez simpática, conferir se ainda não lhe esqueci? Só podes estar brincando.
   E pra que surgir tão linda assim? Vieste com cabelo renovado, com o papo em dia e o sorriso ainda mais branco apenas para provar que pode ser mais que a atual. Jogas baixo, minha cara.
   Mas, sinto muito, não vai dar certo. De novo. Tanto eu sei que vais fugir novamente já no próximo minuto, como tu percebes que vou te abandonar mais uma vez logo que notar a indiferença no ar.
   No fim de tudo, amor, não passamos de reféns de nós mesmos. Da nossa indecisão, do nosso medo. E só assim – afastados – é que estaremos de verdade juntos. Um morando no pensamento do outro.

Rápidas cariocas

Perigo
   Que o Rio de Janeiro não é a cidade mais segura do mundo eu sabia, mas não conhecia a fama dos motoristas de ônibus da capital. Às vezes mais parecem que estão fazendo um racha entre si – isso no meio dos carros e dos transeuntes. Não deixa de ser uma emoção (forte, aliás) fazer um passeio pela cidade usando o transporte coletivo.

Tão lindo, tão sujo…
   Ok, ok, impressão completamente pontual – pode até não ser assim todos os dias, mas não devia ser nunca. Era domingo, tinha sol e calor. A praia estava pra lá de cheia, mas, ainda assim, custa deixar o lixo no seu lugar? Ou, pelo menos, não jogá-lo no mar. No posto 9 de Ipanema, havia várias sacolas boiando pelo mar, contrastando com o verde da água.

O reino pela bola
   Quer fazer um carioca feliz? Dê-lhe uma bola! Sim, a mesma que se compra pro afilhado em natais e aniversários. Ele vai adorar. Levará à praia e começará ou a jogar fute-vôlei ou a fazer embaixadinhas com mais dois ou três amigos na beira do mar. O simples objetivo é não deixá-la cair no chão. E, acredite, ele irá fazer piruetas à la Matrix para conseguir isso.

Rio Scenarium
   Depois do último sábado, cheguei à seguinte conclusão: “É uma grande pena o Rio Scenarium ser tão longe da minha casa”. Valeu cada centavo do ingresso de R$ 30,00 e cada minuto que fiquei na fila – na qual havia umas 50 pessoas na minha frente. Sensacional é um adjetivo incapaz de descrever o lugar. Imagine só, caro(a) leitor: boa música, decoração fantástica, espaços variados, petiscos bons e cerveja gelada. Isso ao lado da Lapa, no centro antigo. Precisa mais?

Cerveja x Chope
   A impressão não foi só minha e fato é que a cerveja no Rio é muito mais aguada na comparação com a vendida no Sul. Tal característica, no meu paladar, faz a bebida perder um pouco. Em compensação, os vários lugares onde me serviram chope, ele sempre veio bem gelado. E, em alguns – como no Veloso -, em copo de isopor, isolante térmico. Empresário porto-alegrense do ramo: não perca tempo e copie a ideia!

Quando as máquintas têm que parar

   “Caralho!!! São Paulo está TODA sem luz. Derruba a capa agora e vê o que aconteceu, por que tá assim? O Rio também tá?! Puta que pariu, arranja foto de uma vez! O ministro vai falar na TV daqui a cinco minutos, atenção. Itaipu tá funcionando? E furnas? Olha ali, tem um cara de uma tal de ONS falando – que porra é essa??? Presta atenção, presta atenção. E começa a escrever de uma vez que já é quase 11 da noite!
   Parem as máquinas!!!”

   E mais ou menos nesse clima que foi meu final de expediente de terça-feira, 10 de novembro, o dia do apagão no Brasil. Pra quem não sabe, “Parem as máquinas”, é um famoso jargão jornalístico. Uma cena na qual todos, ou quase todos, os jornalistas gostariam de presenciar.
   Explico para o leitor leigo. Imagine mais ou menos assim: jornal já rodando, imprimindo milhares de exemplares por segundo, mas daí chega uma notícia bombástica de última hora. O editor/repórter desce até a impressão e grita o tal famoso jargão. Para tudo em nome da notícia. Em nome da informação.
   É claro! Isso não acontece todo dia – nem todo mês e às vezes nem todo ano. Quase nunca. Fez parte de uma era romântica da profissão, lá por meados do século passado. Quando as notícias eram redigidas no cleck-cleck da máquina de escrever e internet como é hoje não tinha nem nas naves intergalácticas dos seriados americanos da época.
   O episódio do blecaute foi o primeiro grande evento desses na minha ainda curta carreira. Quando a notícia que a luz se apagou nas dusa maiores cidades do Brasil chegou à redação do Correio do Povo, onde trabalho, o jornal impresso do dia seguinte já estava pronto e, provavelmente, alguns já sendo impressos.
   Na minha área, a internet, era apenas mais uma noite tranquila. Era! A velocidade do meio transformou a calmaria em furacão em questão de minutos. Com a sombra da concorrência, cada instante tornou-se importante. Até nós – e boa parte dos colegas – entender o que houve, já havia se passado quase uma hora.
   Nesse tempo, muitas matérias foram publicadas e ligações, feitas. Atingiu o Rio Grande do Sul? Aonde? E o aeroporto, teve voo atrasado? Foram cinco, sete, nove ou dez estados atingidos, afinal? Mesmo com o intensificar da cobertura, surgiam – e até agora ainda surgem – mais perguntas do que respostas.
   Os conhecimentos de quatro anos em que estudei para ter o meu diploma (que hoje dizem que não vale nada) foram basicamente todos resumidos em poucas horas. Não fosse por eles certamente o trabalho ficaria comprometido. Ainda que tenha sido uma verdadeira aula de jornalismo, requereu bastante embasamento.
   No fim das contas, acho que conseguimos fazer uma boa cobertura – que se estendeu por mais horas após o fim do expediente daquela noite. Fiquem à vontade pra conferir, clicando aqui.

Contando os dias. Ou momento confessional nº 6

   Ei, daqui a uma semana – mais precisamente no fim desta – estarei conhecendo o Rio de Janeiro. Será uma passagem breve, brevíssima, até, que não chegará a 72 horas. Por isso, caro(a) leitor, peço que me sugiras alguns lugares obrigatórios para se conhecer. Até agora, a programação de sábado consta “apenas” mergulho em Ipanema, beber em algum bar de lá – numa singela e sincera homenagem a Vinicius & Tom.
   À noite, dica é o Rio Scenarium. O domingo, por enquanto, ainda está vago. Se não houver sol, 40°C, essas coisas, obrigar-me-ei a ir ao Maracanã fazer aquilo que faço durante todas as semanas: ver futebol. Ou seja, mesmo sendo o maior do mundo, está em segundo plano.
   Ainda há muitas horas vagas e ainda mais lugares a se conhecer, por isso, como disse, aceito sugestões tuas caro(a) leitor especialmente carioca e/ou frequentador da cidade maravilhosa.

Aguardo!